BENJAMIN GIBBARD & ANDREW KENNY
HOME CD Morr/Flur
As boas canções serão sempre boas canções, venham elas do canto mais enigmático do mundo, de uma sanfona, de um piano, de uma guitarra desafinada ou de uma voz sombria. Ben Gibbard timoneiro dos Death Cab For Cutie e dos Postal Service, não precisa de apresentar mais provas para que se confira o seu imenso talento na escrita de canções. Já as conhecemos sob muitas formas, sempre simples mas grandes. Na outra divisão da casa, Andrew Kenny, mais discreto, mas só para aqueles que ainda não ouviram um disco dos American Analog Set, não fica atrás do seu companheiro de quarto, ou, neste caso, da pequena casa partilhada a meias com as janelas viradas para a folk. “Home” é um pequeno e breve tesouro, com pouco mais de vinte minutos e oito canções acústicas, mas que se revela grande e generoso. “You Remind Me Of Home” abre com pouco mais de dois curtos minutos, mais que suficientes para que Gibbard nos fale de relações pessoais nostálgicas e dos tempos mortos numa cidade dos subúrbios, numa canção plena e perfeita. Segue depois para “Carolina” que poderá ser uma cidade distante para onde se parte à procura dos sonhos perdidos. A meio, Kenny entra em cena e “Home” abranda o ritmo, como se o climax prometido nas duas canções de abertura fosse apenas uma mera miragem. A partir daqui Andrew Kenny mantém “Home” num registo calmo, introspectivo e sussurrado até ao fim, mas não menos empolgante. Há discos que valem pelo que contém e pelo que demonstram para além das entrelinhas, e “Home” é um bom exemplo do potencial melódico de dois meninos abençoados, que revelam a polivalência e subjectividade da sua arte neste curto mas sublime momento de inspiração. Não é surpresa vindo de quem vem e afinal a beleza é cada vez mais fugaz. (8/10)
Paulo Coelho
(Mondo Bizarre # 22)
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