BEULAH
Yoko CD Velocette
Não será descabido pensar que os Beulah, depois do sublime “The Coast is Never Clear”, dificilmente manteriam a bitola. A verdade é que “Yoko” é, de facto, um álbum pior do que o anterior. Ainda assim, a justificar o reconhecimento que merecem os que – sob a alçada da Elephant 6 – revisitam o passado em busca de novos standards para o presente. Guardiões da melhor inspiração indie-rock ao serviço de canções que devem mais aos cânones clássicos da pop (definidos pelos Beatles, Beach Boys e outros pioneiros) do que ao desvario eléctrico, os Beulah apresentam ao seu quarto álbum de originais uma maturidade que lhes permite avançar para temas como “Don’t Forget to Breathe” ou “Landslide Baby”, projectos de pop perfeita à boa moda californiana, sem se esticarem ao comprido. Mas, sendo um típico álbum de depuração de uma estética fixada em ouro com o álbum anterior, “Yoko” peca em não produzir novo encanto – apenas prolonga aquele que já existe e funciona porque, em parte, o identificamos como uma continuação. A sua “menoridade” em relação a um momento anterior de acentuado brilhantismo não é preocupante mas o entusiasmo, esse, é agora um pouco mais difícil de se encontrar. (6/10)
Luís Guerra
(Mondo Bizarre # 16)
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