BILLY CHILDISH & THE BUFF MEDWAYS
1914CD Transcopic
O primo distante de ”Happy Jack”, “Saucy”, cantado com coros pilhados de “Can I Join Your Band”, dos Creation, fugindo “Anyway, Anyhow, Anywhere” até explodir em rajadas de feedback e em furacão de bateria possuída pelo espírito excessivo de Keith Moon. A voz de um gémeo de Mark E. Smith, confrontante destilando ironia. Só palavras de ordem: “Small dogs are bogus/MTV is phoney/Celebrity is bogus/You’re a phoney”; isso e o “We’re all phoney” desarmante do embuste de activista e desembocar final de três minutos de riff insistente - o de “Sister Ray” dos Velvet, o de todas as canções dos The Fall, electricidade controlada para provocar descontrolo. “1914”, o segundo álbum dos Buff Medways, é o som de uma banda que trata o “rock’n’roll” como experiência física, arma sensorial que faz do som, da capacidade da interpretação nos transportar, a sua razão de existência. Por isso citam sem pudor canções dos The Who, dos Creation, Kinks ou Paul Revere & The Raiders. Por isso cada uma das suas canções é um concentrado de energia intensa e irresístivel que, como grito de bluesman cantando pela enésima vez (e sempre primeira) “I’m A Man”, nunca dispara flash de fotocopiadora. Tudo o momento, a sujidade e o ruído do momento, a verdade de uma libertação pressentida na cadência sem regras de um ritmo viciante. Exclamam “All My Feelings Denied”, mas todos são permitidos entre um riff que se repete e uma pandeireta que irrompe no refrão. (8/10)
Mário Lopes
(Mondo Bizarre # 17)
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