CALIFONE
QUICKSAND/CRADLESNAKES
CD Thrill Jockey/Ananana
Recentemente, a propósito de “Quicksand/Cradlesnakes”, dos Califone, um amigo meu comentou que este numa primeira audição fazia-lhe lembrar alguma da música feita pelos dEUS. De facto no método dos dois grupos denota-se uma abordagem sincrética de diversos elementos musicais que se entretanto se materializa num pout-porri de interessantes citações. As semelhanças terminam contudo aqui. Se os belgas criaram a sua música nas margens do Antuérpia bebendo doses equilibradas de Tom Waits, Pavement, Beefheart e SY, os Califone cresceram algures no cenário de um filme de Terence Mallick à espera que o vento lhes trouxesse a poeira da música. Afinal dos dois seus principais membros (Ben Massarela e Tim Rutili) saíram das cinzas dos Red Red Meat, grupo de scum-rock dos anos 90 que namorava sem pejo o hillbilly e o bluesgrass. Ora é a partir destes géneros que a música dos Califone se edifica, ou seja reivindicando a tradição da Old Weird America. Felizmente fazem mais do que uma reivindicação. Insuflam-na de diferentes perspectivas ou caminhos através de uma panóplia de instrumentos (piano, órgão, violino, mandolino, teclados) que subvertem a nossa audição, pois são a alegria, ora a tristeza que ditam os ambientes de cada faixa. Sem ceder ao classicismo fácil (“Vampiring Again”), enveredando por caminhos inesperados (“Your Golden Ass”) ou criando bandas sonoras para filmes do passado. Neste sentido compreende-se a entrada para família da Thill Jockey. É que estava a ficar muito clínica e precisava de alguma “sujidade”. (8/10)
José Marmeleira
(Mondo Bizarre # 15)
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