CONCRETES (The)
THE CONCRETES CD Licking Fingers
Ao ver as manifestações de friques em tudo o que é reunião de líderes mundiais, um melómano não pode deixar de pensar: não fosse a globalização, e não se fazia pop para gajas, rock’n’roll, folk e essas merdas todas no países nórdicos. E isso não era bom. Este até pode nem ser o melhor argumento pró-globalização mas o facto de a cultura norte-americana “corromper” os modos de vida mundiais tem coisas boas. As/os Concretes, um colectivo sueco fundado por três jovens ariscas e actualmente com 7 membros fixos e uma dúzia de colaboradores, fazem canções mais ianques que as canções que os ianques conseguem fazer. Se há alguma coisa de sueco neste que é o seu segundo álbum, é a voz. A voz doce, expirada e contida de Victoria Bergsman, refugiada entre orquestrações ligeiras, coros ridiculamente californianos, camadas de percursões frágeis, guitarras das planícies a oeste e algumas explosões de alegria adolescente que bem podiam ter a mãozinha de Phil Spector. Não se espere neste álbum, portanto, a descoberta da pólvora, antes pelo contrário. Mas aquela sensação de conforto de quando se chega a casa após um fim-de-semana terrível com familiares não podia estar melhor representada. (7/10)
Diogo Homem Marques
(Mondo Bizarre # 18)
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