Cul DE SAC
DEATH OF THE SUN CD Strange Attractors Audiohouse
Apressadamente incluídos naquilo a que hoje se designa chamar de free-folk, os Cul de Sac foram um (se não o) dos primeiros grupos americanos a abraçar um sincretismo feito referências originárias do Krautrock, da folk, da música indonésia e rock psicadélico. A dúvida entre os críticos fez-se rapidamente sentir. Poderia aquilo que este colectivo de Massachuts fazia ser catalogável de pós-rock? Houve quem o assim pensasse. Mas as ligações a Dredd Foole, primeiro, a Jonh Fahey a seguir, impediram julgamentos definitivos. A música em causa queria-se mais poética e humedecida. Sem o polimento de Chicago e apostando numa abordagem multidireccional como aquela que encontramos no seu sexto disco, “Death Of The Sun”. Em Death Of The Sun” somos colocados diante de diferentes olhares, ângulos, janelas. Em “Turok Son Of Stone”, por exemplo, uma secção rítmica inspirada na percussão japonesa mantém-se como um pano de fundo imutável, que só efeitos electrónicos povoam e aos quais a voz de uma mulher põe em fim, num suspiro que recorda o nosso fado. “Bellevue Bridge” e “Dust Of Butterflies” resgatam sons de “fields recordings” (cascatas, chuva) para como componente de melodias que têm tanto de pastoral como de urbano, enquanto “Death Of The Sun” recria, entre a fantasia e a citação, num registo electro-acústico aquilo que possivelmente só conseguimos ver em imagens mentais. É verdade que os Cul de Sac pilham tudo. Deitam a mão a qualquer som. Mas fazem-no sem medo ou alarvidade e com isso proporcionam-nos experiências que nos permitem a compreender melhor o mundo em que vivemos. (8/10)
José Marmeleira
(Mondo Bizarre # 17)
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