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CUT CITY
CUT CITY CD EP GSL

Se ouvirmos os Cut City sem o conhecimento de causa de um passado (não muito longínquo) mas com alguma atenção ao presente, é inevitável referir nomes como por exemplo Franz Ferdinand – quando se ouvem os momentos mais dançáveis – ou dos Interpol quando há uma incursão por ambientes de cariz mais escuro. Contudo, são caracterizados por uma sujidade mais acentuada do que a dos supracitados. Do passado encontramos, obviamente, referências que vão dos Gang Of Four, aos Joy Division ou aos Pere Ubu. Só que desta vez o revivalismo não parte de Nova Iorque ou do Reino Unido. Vem da cidade de Gotemburgo, na Suécia, o tal país no qual se incentiva, e ainda bem, a criação musical. Nos quatro temas prevalecem, acima de tudo, as memoráveis linhas de baixo – bem exemplificadas em “The Post Card”, perfeitas para puxar pelos pés, tanto num clube como em casa, e para, imagine-se, trautear. A sujidade das guitarras, que se cruzam entre o sónico-progressivo característico de alguma da pop inglesa dos anos 80 e o simples riff esquelético, ajuda o baixo na tarefa de fazer dançar e sustentam a voz no seu registo morno, com aquela característica que parece, aparentemente apenas, consequência de uma alma semi-desinteressada. Aguarda-se, tanto com curiosidade como com cepticismo, o álbum, com lançamento previsto ainda para 2005, no qual se espera que os Cut City provem que são mais uma proposta tentadora e não apenas mais uma banda pós-punk, dance-punk ou que se ousar chamar-lhes. (6,5/10)

Bruno Cardoso
(Mondo Bizarre # 23)