Discos
DIVINE COMEDY
VICTORY OF THE COMIC MUSE CD Parlophone/EMI

Neil Hannon, o Casanova com mais pinta de sempre, está de volta com um novo disco. “Victory Of The Comic Muse”, a nona aposta do músico em nome Divine Comedy, vem apenas sublinhar o quão especial continua a ser o seu papel no actual panorama pop-rock europeu. Irónico na forma como aborda o primeiro, e renegado, disco da banda ("Fanfare For The Comic Muse"), o novo trabalho confirma Hannon como um dos mais certeiros e imaginativos compositores da actualidade britânica. Observador atento de alguns modelos de comportamento das sociedades presentes (o novo-riquismo, por exemplo), Neil Hannon constrói em “Victory Of The Comic Muse” mais um disco apuradíssimo nas suas paisagens sonoras e na sua grandiosidade pop. Gravado rapidamente (em duas semanas) e num ambiente muito caseiro, a novidade não mostra, contudo, sangue particularmente fresco: poucas são as inovações relativamente a momentos passados como o seminal “Fin de Siècle” ou o anterior “Absent Friends”, ainda assim ligeiramente mais estimulante que o disco presente. Mesmo assim, os destaques maiores de “Victory Of The Comic Muse” são ainda alguns: “To Die a Virgin”, logo a começo, arranca com uma voz feminina a prometer dormir com o sujeito da canção antes de este ser morto – e é nesta desventura cómica que o tema brilhantemente cresce; a canção de apresentação do disco, “Diva Lady”, é um dos mais felizes momentos em formato single de toda a história da banda; “Party Fears Two” vê Hannon pegar num tema clássico dos Associates e moldá-lo à imagem dos The Divine Comedy. Com muito sucesso, atente-se. Longe de decepcionar, “Victory Of The Comic Muse” dificilmente trará novos fãs para os Divine Comedy, embora seja também altamente improvável os adeptos de sempre abandonarem o barco. Resumindo e concluindo: Neil Hannon em disco, versão 2006, não acrescenta grande coisa à carreira passada enquanto Divine Comedy, mas poucos são, sejamos sinceros, os que conseguem agrupar tão grande número de elegantíssimas canções como as de “Victory Of The Comic Muse”. O Casanova continua a não desiludir. (7,5/10)

Pedro Figueiredo
(Mondo Bizarre # 26)