THE EMBROOKS
YELLOW GLASS PERSPECTIVES CD Munster Records
Não sabemos, nem interessa saber, que idades terão os três membros dos ingleses Embrooks. Pelas fotos que vemos na capa e inlay de “Yellow Glass Perspectives”, o seu último álbum, apostaríamos num qualquer número algures na terceira década de vida. Pela música que ouvimos, é impossível não lembrar uma frase de crítica à compilação Nuggets: “música feita por adolescentes que queriam, basicamente, uma coisa: sacar raparigas – mas queriam-no muito”. Os Embrooks não querem só sacar raparigas – também cantam a providencial dor de corno, também cantam mulheres com poderes mágicos e homens excêntricos com sapatos equivalentes –, mas querem muito perder-se em todo o universo que musicam (e arrastar-nos durante o processo). Do fuzz inicial de “Happy Fickle Girl” à “Riding A Wave” onde o expressivo (e belíssimo) barroquismo dos Zombies ganha injecção de adrenalina típica dos The Who, passando pelo psicadelismo surreal de “The Twisted Musings Of Sir Dempster P. Orbitron” (os Iron Butterfly com camisas “garageiras”) ou pelos muitos “rave-ups” exigindo resposta ao corpo do ouvinte – e nós respondemos, imediata e incondicionalmente –, “Yellow Glass Perspectives” é um imenso concentrado de energia mod libertada nas partículas coloridas de um caleidoscópio em rotação constante. Há quatro décadas, bandas como os Creation, os Birds ou os Yardbirds suscitaram a criação de novo termo a acrescentar ao léxico pop, freakbeat – r&b de tonalidades psicadélicas, explorando ao máximo as potencialidades do fuzz e do feed-back. Os Embrooks não são propriamente um recuperar dessa memória – apesar de serem habituais as versões que fazem das bandas que a compõem, apesar de, suspeitarmos, desejarem secretamente ter sido dela parte integrante –, os Embrooks espetam-nos as letras que compõem a designação, em néon ofuscante, bem frente aos olhos, acendem-as uma a uma e gritam que tudo isto é agora. Nós, que seguimos o frenesim de ritmos afilhados de Keith Moon e as guitarras implantando-se cérebro dentro como ácido de boa colheita, nós que nos imaginamos do outro lado do espelho da Alice quando os arranjos de cordas compõem a falsa balada que é “Show Me a Little Smile”, respondemos “arqueologia viva!” e deixamo-nos cegar sem qualquer resistência. (8/10)
Mário Lopes
(Mondo Bizarre # 21)
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