ENON
HOCUS POCUS CD Touch & Go/Sabotage
Não muitos discos de canções simples conseguem prender o ouvido do princípio ao fim. São precisas boas melodias, pormenores que arrebatem imediatamente um sorriso, barulhinhos inesperados, doses correctas de erotismo e um bom equilíbrio entre euforia e mel. Os Enon, em “Hocus Pocus”, revelam que conhecem a receita como poucos e que até têm alguns truques na manga que só melhoram o pacote. Grande parte da magia resulta da feliz confrontação entre as raízes dos dois compositores da formação: a acutilância do garage, reencarnado nas guitarras de John Schermsal, em colisão com o synth divertido trazido por Toko Yasuda. Esta última, de resto, empresta a sua voz de menina inocente às mais interessantes canções do disco. Mas não é tudo. Faixa por faixa vão-se descobrindo pegadas de criaturas tão complexas como os Sonic Youth, os Yo La Tengo ou os Pop Group. Tudo isto envolvido em exercícios de minimalismo pop, hinos dançáveis de fazer inveja a quaisquer Liquid Liquid e inevitáveis melodramas cantaroláveis. Felizes de nós se todos os revivalismos fossem como este – maduros e simultaneamente despretensiosos. (8/10)
Diogo Homem Marques
(Mondo Bizarre # 17)
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