FRUIT BATS
Mouthfuls CD Sub Pop
Os ecos de “American Beauty”, fazem-se nitidamente ouvir aqui. Mas, talvez por o território já ter sido muito desbravado, os Fruit Bats conseguem fazer um trabalho muito melhor do que os Grateful Dead. Não é blasfémia: é que a arte de bem compor canções teve fontes mais inspiradas que o psicadelismo dorminhoco dos referidos, e os Fuit Bats souberam ir lá beber. O preciosismo de composição é mais directamente descendente de Brian Wilson. Não pelos arranjos orquestrais – que aqui não existem, a base das canções é a guitarra acústica – mas pela atenção ao detalhe e à dinâmica da melodia e, mais evidentemente, pelo recurso a sobreposição de vozes. Folk e psicadelismo são assim transformados em canções orelhudas e cantaroláveis. Não obstante a clara inspiração no passado, este não é um disco revivalista, nem sequer revisionista. Trata-se de um discurso pop próprio, livre de conotações concretas quer a tradições – por encerrar tantas –, quer a tendências. É, portanto, intemporal e fresco. Um disco para fim de Verão. (8/10)
Digo Marques
(Mondo Bizarre # 16)
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