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GIRLS AGAINST BOYS
YOU CAN'T FIGHT WHAT YOU CAN'T SEE CD Jade Tree

É o "back to basics". Depois das aventuras e desventuras através da "dimensão multinacionais" e de quase terem sido sorvidos pelo buraco negro das consequentes mudanças editoriais, os GVSB estão de regresso a terreno seguro. E estão bem. Depois de um álbum como "Freakonica" - a incursão na área de uma produção mais ambiciosa - este "You Can't Fight What You Can't See" é o regresso a uma aproximação mais crua e despida de adornos. O groove inconfundível dos GVSB, esse continua lá. Reconhecível logo desde os momentos iniciais do tema de abertura, "Basstation", com a sua pulsão disco, as guitarras em círculo fechado e a voz de Scott Mcloud num rosnar irónico e "cool". E é bom ouvi-los de novo. Uma máquina lasciva de pulsão maníaca com os dois baixos a entrelaçarem-se sobre o balanço certeiro da batida. Tudo envolvido em densa sobreposição de distorções. O que lhes devolve aquele tom ameaçador mas ao mesmo tempo envolvente que sempre foi característico da banda. "You Can't Fight What You Can't See" é, pois, o retorno de uma banda que nitidamente está empenhada em trazer a sua música de novo a quem gosta dela. Algumas indirectas - frases como "I don't like Holywood" ou "it's great to be a rock'n'roll star", podem ser ouvidas nalgumas destas canções - mas o que aqui se apresenta nada tem de lamechice, é simplesmente um músculo musical fexível e poderoso, próprio de quem não está ainda para desistir. Melhor ainda, para além de terem reunido toda a sua energia para este novo álbum, os GVSB têm agora a experiência de 12 anos de trabalho conjunto, o que lhes dá claramente uma coesão que não existia nos seus primeiros álbuns. A excelência das canções é a prova nítida desse valor acrescentado pelo tempo, e embora a estética deste álbum seja de certo modo um retrocesso em termos de sofisticação, a verdade é que o calibre destas 11 peças, certeiras, cheias de riffs bem arquitectados e melodias vocais cativantes só se consegue depois de muita prática. Claro que falamos de canções que estão muito para lá dos esquemas do costume: estamos longe dos terrenos do grunge FM ou das fórmulas de metal com groove, embora nada do que aqui se pode ouvir seja realmente difícil ou radicalmente inovador. Os GVSB antes continuam iguais a si mesmos não parecendo embaraçados pelo tempo nem pelos desaires recentes da sua carreira, investindo num decisivo pontapé para a frente na sua existência. Bandas com este tipo de capacidades não há muitas e é bom saber que esta é uma delas. (8/10)

Jorge Dias
(Mondo Bizarre # 11)