JULIE DOIRON
GOODNIGHT NOBODY CD Jagjaguwar
Do Canadá chega-nos de novo Julie Doiron, e com ela a meia dúzia de delicados e melancólicos temas que compõem “Goodnight Nobody”, o seu novo disco. Como já é habitual, Doiron aposta na reduzida instrumentação para dar especial relevo à força das suas palavras e à negrura e escuridão que a sua voz tantas vezes sugere. “Goodnight Nobody” (gravado na sua maior parte em Paris com Herman Düne) conta com a participação de Dave Draves, dos Wooden Stars, nos samples e nos teclados em alguns temas. Mas agora nem tudo é negrume, nem tudo é raiva e choro mudo. Em “Last Night” paira uma réstia de esperança motivada por gestos simples como um abraço ou o toque de uma mão e persistem os sonhos como voar sobre o oceano. Fala-se do amanhã como redenção, das palavras como salvação. Não há dúvidas: é mesmo esperança. E a intrincada dança de guitarras mesmo no fim é uma prova disso. Essas mesmas guitarras mudam de tom para receber a toada melancólica de “No Moneymakers”, mas dão lugar logo a seguir aos sons acústicos de uma guitarra – que de quando em vez se fazem ouvir durante o disco – e ao suave balancear de cordas na doce e terna brevidade de “Tonight is no Night”. Caem folhas secas, erguem-se sonhos. Em “Dance all night” -sempre a noite –, elevam-se as memórias: “I’ve just remembered / Everyone I’ve ever loved / Every song I ever song / Everyone who’s made me smile”. Finalmente a paz em tons de Outono. (7,5/10)
André Tiago Gomes
(Mondo Bizarre # 21)
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