ARTHUR LEE & LOVE
FIVE STRING SERENADE LP Munster
Antes de mais, Arthur Lee é um génio, absoluto e inigualável. Está no mesmo altar de Bryan Wilson, Syd Barrett, Lou Reed, Jimi Hendrix, Neil Young, Lennon e McCartney. Isto, como dogma que se preze, é inquestionável. Esclarecido este ponto introdutório, podemos falar de "Five String Serenade", reedição da Munster do último álbum gravado em estúdio, em 1992, pelo autor de "Seven & Seven Is". Praticamente desconhecido do comum dos mortais – a versão dos Mazzy Star para o tema título, incluída em "So Tonight That I Might See", é certamente mais conhecida que o original -, não se recomenda aos não iniciados no culto religioso a "Love"/"Da Capo"/"Forever Changes". Esses terão dificuldade em reconhecer aqui o génio há muito anunciado e reverenciado. Porquê? Porque a produção é, muitas vezes, nada mais que deficiente – de lo-fi apreciável a estúdio profissional pouco esclarecido no espaço de duas canções -, porque, em dez canções, um terço delas soam a meros exercícios (não desenvolvidos ou simplesmente falhos de inspiração). Os restantes, contudo, rejubilarão com as mensagens encriptadas que, descodificadas, permitem confirmar que a palavra génio anda por aqui - escondida, é certo, mas damos por ela. Começamos na recuperação do riff de "Can’t Seem to Make You Mine", dos Seeds, para folk-rock de assinatura Love ("Somebody’s Watching You"), passamos para o garage-rock de "Seventeen" - relembrando que Arthur Lee é o "punk" original -, recuamos, ignorando que sintetizadores pouco recomendáveis simulam cordas, à sensibilidade desarmante de "Five String Serenade", sentimos as divagações ácidas das "bluesy" "Passing By" e "Love Saga" e, no final, "voilá", mantemos intacto o dogma.
Mário Lopes
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