Há algo de estranhamente visceral e orgânico na música dos Matmos. Algo que mexe com as entranhas e distorce os neurónios. Algo de David Lynch. Tudo isto faz com que os Matmos sejam únicos. E cada disco apresenta uma abordagem diferente, com um conceito próprio. Depois do brilhante “Civil War”, chega agora "The Rose Has Teeth In The Mouth Of A Beast", sugestivamente sub intitulado “ten songs for ten individuals”. Estamos perante uma homenagem de M.C. Schmidt e Drew Daniel a alguns dos seus ídolos, musicais ou não, que fazem todo o sentido para a electrónica tortuosa que os Matmos produzem, se bem que neste disco com sonoridades menos agressivas que no passado. Estamos a falar, ou neste caso a ouvir, de Ludwig Wittgenstein, Larry Levan, Valerie Solanas, Boyd McDonald, James Bidgood, Patricia Highsmith, Darby Crash, Joe Meek, William S. Burroughs, King Ludwig II Of Bavaria e Yukio Mishima (este ultimo só aparece na edição japonesa). Confesso que há um tema que me toca particularmente: “Snails and Lasers for Patricia Highsmith”. Seja pelo facto de ser admirador da autora desde sempre, seja porque percebo perfeitamente a referência aos caracóis, seja pela deliciosa melodia viscosa que os Matmos imprimem ao tema. O resto é música criada a partir de todos os sons, objectos e instrumentos possíveis e imaginários. E, de facto, com muita imaginação. (8/10)
Vasco Durão
(Mondo Bizarre # 26)