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MORE REPÚBLICA MASÓNICA
EGOSTRIP: A RETROSPECTIVE CD Metrodiscos/Zona Música

Doze anos é muito tempo. Treze, então, uma eternidade. Para uma banda, portuguesa, ainda por cima de rock e com uma carreira editorial regular, ainda mais. Dos grupos que, no final dos anos oitenta, início dos anos 90, fizeram parte da chamada Música Moderna Portuguesa, poucos são os que resistem. Isto, claro, se formos capazes de nos lembrarmos de mais de um. Ao contrário dos seus contemporâneos, os More República Masónica resistiram à passagem do tempo, à falta de editora certa, à escassez de concertos e a todas as demais agruras que uma banda rock tem que enfrentar por estes lados. E como testemunho dessa "suada" longevidade um tanto ou quanto estranha por terras lusitanas, eis que, em jeito de retrospectiva e síntese duma carreira longa e pautada por uma directriz sonora essencialmente rock, surge a compilação "Egostrip", cujo original sentido decrescente, desde o mais recente "Chemical Love Songs", passando pelos necessários "Equalizer" e "Blow Your Mind (With Supersonic Meditation)", e culminando nos tempos iniciais da banda com "More More More" (bem como com "Azul Dietrich", um tema da sua primeira demo), leva a bom porto a missão de desnudar o passado situando-nos no presente, não fosse o que nos antecede ser tão fundamental na compreensão do que nos sucede. E se a essência rock da banda se nos afigura aqui quase de um modo omnipresente, o facto é que esta nunca descurou igualmente a inserção de diferentes influências e elementos sonoros, vendo na colaboração que desde sempre manteve com outros músicos uma salutar forma de diversificar e enriquecer a sua própria sonoridade, algo visível nas inspirações hip-hop e dub de "Grounded Song", ou na perscrutância quase épica dos arranjos de cordas de "Bloom". E contudo, apesar da referida diversidade, bem como duma certa evolução musical no sentido de um progressivo apuramento melódico - que é aqui visível dum modo cronologicamente invertido - determinado tipo de idiossincrasias como as latentes explosões de guitarras, susceptíveis de nos provocar uma certa tensão interior, assim como o timbre característico da voz de Paulo Coelho, firmaram desde sempre a identidade própria e específica do grupo. Desde o início em jeito cíclico com "Celebrating The Sun", passando pela tocante fragilidade de "Thieves", pela força eléctrica de "Electric Mastermind" ou ainda pela crueza de "Wild America", são vários os momentos através dos quais os More se foram construindo enquanto elemento criativo e que poderão agora chegar aos ouvidos de um público mais vasto. (8/10)

Ana Gandum
(Mondo Bizarre # 10)