Discos
PAUL WESTERBERG
STEREO 2xCD Vagrant/Universal

Coincidência ou talvez não, de repente toda a gente fala de Paul Westerberg. A reedição dos quatro primeiros discos dos Replacements e edição de “Stereo” em nome próprio vieram relembrar a importância de Westerberg como um dos grandes escritores de canções da sua geração. Dividido em duas partes (“Mono” e “Stereo”) o novo álbum reúne algumas das suas melhores canções, escritas e gravadas espontaneamente e sem pressões externas. Segundo Westerberg, a ideia de editar algo semelhante ao conceito do LP, em que o ouvinte pudesse escolher qual o lado a ouvir consoante o seu estado de espírito. No primeiro CD, “Mono”, encontramos Westerberg disfarçado de Grandpa Boy, com uma banda atrás a tocar rock’n’roll. Os temas estão no seu estado primário, a produção é inexistente, mas no entanto sobressai a alma e o sentimento com que foram escritos e tocados. É em “Mono” que Westerberg relembra os seus Replacements e a forma como arrasaram os corações de muitos com a sua mistura de rock sujo com um apurado sentido pop.

Em “Stereo” as canções são apresentadas de outra forma. Westerberg está sozinho com a sua guitarra - e pouco mais -, um gravador de pistas que usa para gravar à medida que os temas vão nascendo, muitas vezes a meio da noite, captando, como o próprio afirma, o momento da criação. Tudo feito em casa. Também não lhe interessam os erros, os problemas técnicos (mais de uma vez a música acaba abruptamente perto do fim) ou quaisquer outras condicionantes, “Stereo” é um dos discos mais honestos e arrebatadores da sua carreira, onde Westerberg se apresenta tal como é, sem uma rede que lhe ampare a queda quando percorre sozinho os caminhos que outrora foram rota de Bob Dylan ou Bruce Springsteen (da fase “Nebraska”). (9/10)

Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 12)