THE PINK MOUNTAINSTOPS
AXIS OF EVOL CD Jagjaguwar
Em tempos Stephen McBean quis ser montanhista. Só assim se pode explicar a sua fixação pelas montanhas e pelas suas possíveis cores. Se com os Black Mountain, o projecto que mais discos fez a Jagjaguwar vender, essas montanhas eram negras e feitas de riffs mais ou menos hard (a fazerem lembrar até os Black Sabbath numa ou outra ocasião), aqui os cumes das montanhas são cor-de-rosa e pintados em tons de um psicadelismo que cobre quase na totalidade a paisagem. “Axis Of Evol”, o segundo disco desta aventura, gravado em casa e maioritariamente auto-produzido, é uma jornada curta mas intensa, ora directa ora hipnótica, mas onde Stephen McBean procura sempre seguir o mais número de direcções possíveis, embora tentando que todas essas partes se interliguem de alguma forma. Isso acontecerá pela espiritualidade, pelas referências religiosas, por um certo misticismo celebratório. À partida, nada parece ligar por exemplo a inicial e melancólica “Comas” com a electrónica de coro “Lord Let Us Shine”, mas a verdade é que essa ligação existe: um fio condutor de espiritualidade. “Slaves”, a peça central do disco, é uma trip de quase nove minutos de tribalismo camuflado, circularidade hipnótica, paisagens carregadas e uma liderança por parte das guitarras que recebe na perfeição a voz calejada de Stephen McBean. E por falar em calejada, “Cold Criminals” é Stephen McBean em modo Bill Callahan e em modo durão. Pena é que “Axis Of Evol” pareça mais um EP do que propriamente um longa duração. (6/10)
André Tiago Gomes
(Mondo Bizarre # 26)
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