Discos
Q AND NOT U
Power CD Dischord/Sabotage

Os Q And Not U eram há poucos anos uma das esperanças da cena independente de Washington DC Eram também vistos como uma das razões de peso para que a continuidade da Dischord fizesse sentido, documentando uma nova geração de bandas que mantinham viva a força criativa que caracterizou a cena independente daquela cidade ao longo dos últimos vinte anos. A loucura criativa do grupo vai beber inspiração à new wave e ao indie-rock norte-americano dos anos 90. “Power”, o seu terceiro álbum, possui um som refrescante e solto, pleno de ritmos versáteis onde se apoiam o grosso das canções, em detrimento da melodia que aparece com mais frequência nos momentos calmos. É, portanto, um trabalho com uma forte componente rítmica, com estruturas livres que só ocasionalmente respeitam o formato de canção e os refrões nem sequer são uma prioridade. As guitarras investem por vezes no funk mutante próximo da apropriação pelos Talking Heads da música negra; a voz, não poucas vezes, recorre ao falsete; o uso de teclas é frequente, formando um todo orgânico que nos remete para o electro-rock de tendência esquizóide dos Devo ou até dos Faint. Por entre guitarras angulares, devedoras à loucura disfuncional dos Les Savy Fav, há espaço para flautas, o que contribui ainda mais para a estranheza que se ouve por aqui. Em “Power” não há grandes truques e, embora se reconheça aos Q And Not U competência a nível técnico e suficiente capacidade criativa para elaborar estruturas dinâmicas e refrescantes, a banda não dispensa uma certa simplicidade nos arranjos. Sendo que algumas composições se apresentam descarnadas e reduzidas ao essencial, sem camadas instrumentais desnecessárias, estas são canções que fogem ao padrão normalizador da rádio, mas dotadas de invenção e arrojo, o que torna a audição de “Power” uma aventura entusiasmante. (7/10)

Nuno M. Castedo
(Mondo Bizarre # 21)