Discos
SPARTA
PORCELAIN CD Geffen/Universal

Analisando os discos de estreia dos Sparta e dos Mars Volta, tem-se a prova que afinal as bandas, quando se separam, às vezes até dizem a verdade. Quando uma das melhores bandas rock da década de noventa cessou funções, os At The Drive In, uma pequena alegria tentou encobrir uma enorme tristeza. A banda comunicou que se separava porque tinha visões diferentes do que queria fazer, isto numa altura em que se tornavam famosos mundialmente, deixando o culto para tomarem conta de audiências maiores. E o facto da separação ter acontecido precisamente nessa altura, tem tanto de coincidência como o facto do Barcelona ter decaído quando o Figo de lá saiu. Adiante. Esclareça-se só que a alegria adveio do anúncio de que iriam nascer duas novas bandas. Enquanto que os Mars Volta assimilam influências e expelem tudo cá para fora sob a forma de algum do rock mais inventivo e explosivo que se pode ouvir hoje em dia – tornando óbvia qual a parte dos At The Drive In que queria seguir em frente tomando maiores riscos artísticos – os Sparta com o disco de estreia “Wiretap Scars” apenas cumpriram, fazendo um rock emotivo e eficaz, mas pouco surpreendente. Com o novo “Porcelain” pouca coisa muda. A construção sólida das canções continua lá, a boa capacidade dos músicos também, a emotividade que Jim Ward consegue transportar para as músicas é de assinalar mas... falta algo. Falta surpresa para que sejam avant-rock, faltam melodias cantaroláveis para que sejam pop, falta groove para que sejam screamo, falta leveza para que sejam indie. Ok, costuma ser coisa boa uma banda ter a capacidade de não se prender a um determinado género, mas no caso dos Sparta, parecem faltar alguns dados à equação, por forma a torná-la menos matemática e previsível. (6,5/10)

Pedro Miguel Guimarães
(Mondo Bizarre # 20)