TRANS AM
Liberation CD Thrill Jockey/Ananana
Os Trans Am são uma banda irrequieta. E por isso mesmo criativa. Ainda agora estavam numa paródia electro-retro-futurista, com o álbum “T.A.” e entretanto já estão numa de pós-rock contestário (!?!) com o novo “Liberation”, uma reacção a quente ao clima mundial, e em particular ao papel do regime americano nos últimos tempos. “Liberation” é um álbum mais confrontacional que o anterior, puxando às ambiências tensas e musculadas que eles tão bem já foram capazes de criar em “The Red Line” ou “Future World”. É um disco com menos electrónica-pop e mais “cut-ups” de discursos e ruídos que constantemente invadem as progressões instrumentais e que ajudam a erigir o clima de alerta vermelho que dá mote ao álbum. E é curioso, que para uma música essencialmente instrumental faz uma certa falta este tipo de motivação, dando mais sentido ao que de outra forma pode passar por meros exercícios de ginástica musical. Os Trans Am, no seu peculiar estilo de electro-rock instrumental, tanto inspirado pelas vanguardas quanto pelo heavy metal, nunca soaram propriamente redundantes, em particular porque não há ninguém que se lhes assemelhe. Mas em “Liberation” conseguem mais uma vez o milagre de juntar toda uma série de estilhaços musicais de forma dinâmica e coesa, e cimentá-los através de uma visão irónica e interventiva que nem sempre é subtil, mas consegue os seus resultados. Os velhos admiradores do trio de Washington D.C. não vão ficar propriamente surpreendidos com “Liberation”, mas é sem dúvida de louvar o constante fôlego criativo que este colectivo é capaz de demonstrar ao longo de tanto tempo, muito por contraste com as restantes bandas do chamado “post rock”, hoje praticamente desaparecidas. (7/10)
Jorge Dias
(Mondo Bizarre # 19)
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