US MAPLE
PURPLE ON TIME CD Drag City
Esqueçam os Trans Am. Ao lado dos Harry Pussy e do Jesus Lizard, os US Maple erigiram nos anos 90 um dos percursos mais interessantes no campo do rock. Distantes do indie-rock praticado pelos Pavement ou pelos GVSB, assim como do stoner-rock que então assomava, não conheceram a solidariedade do pós-rock de Chicago, e por isso lá se foram dedicando sossegadamente ao seu labor. Longe de quase todos. É que o grupo de Al Johnson não pretendia alcançar um “pós”. Borrifa-se para isso. Detinha-se no género em causa e de forma obsessiva. Desconstruindo-o para o construir em seguida, como se pode atestar em “Sang Phat Editor” (1997) ou “Talker” (1999). Para tal, partiram de uma fórmula antiga mas, mais ou menos esquecida: a abstracção dos Captain Beefheart. Fracturando-a primeiro, e imprimindo-lhe uma estrutura menos geométrica ora utilizando os riffs de forma sincopada (na tradição de algum hard-rock), ora levando o timbre da voz a um extremo que Don Vliet nunca ousou. Sobre “Purple On Time”, o mais recente disco do grupo, já se disse muito. Para alguns significa um avanço, para outros um recuo. Na verdade é ambas as coisas. Um avanço porque se nota um maior depuração na abordagem à linguagem do rock. Um recuo pois do outro lado só existiria um muro ou abismo. Mas um recuo inteligente, que esconde uma afirmação que se sucede a uma exploração contínua. A voz como uma extensão da guitarra (em “Whoopee Invader”), as bifurcações arriscadas às quais a secção rítmica se entrega (“Tan Loves Blue”), o conscientemente falso improviso (“Touch Me Judge”), são todo elementos que voltamos a reencontrar. Estão agora apenas mais distintos. Só a raiva irónica de Jonhson permanece agradavelmente difusa. (9/10)
José Marmeleira
(Mondo Bizarre # 17)
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