Entrevistas
ADAM WEST
QUEBRA CORAÇÔES
Os americanos Adam West têm muito que celebrar com a edição de um novo álbum de originais, um split com os portugueses The No Counts e uma nova digressão europeia, com passagem marcada por Portugal, já no próximo Sábado, dia 11, em Lisboa, na Associação Os Combatentes. Jake Starr, vocalista e líder da banda, confessa-se.

Desenganem-se os que pensam que Adam West é um rocker qualquer. Adam West é uma banda e das mais interessantes da actualidade. Originários de Washington DC, zona minada desde há muito pela influência da editora Dischord, conseguiram desde cedo alcançar a fama por força dos seus discos, carregados de um rock musculado e de concertos bastante suados. Em 2003 regressam às edições de originais, voltam a tocar na Europa e estabelecem uma “portuguese conection”. “God’s Gift To Women” é o esperado novo álbum onde Jake Starr e companhia continuam o caminho árduo de espalhar a sua música pelos quatro cantos do mundo, e é esse mesmo caminho que fez com que a digressão de promoção ao novo disco passe por Portugal a 11 de Outubro. Ocasião que aproveitam para celebrar ao vivo a edição de “Trailer Oriented Rock”, um split CD dos Adam West a meias com os The No Counts D.O.M..

Muita gente pensa que Adam West é o seu nome e não o nome de uma banda. De onde vem essa designação?
Quando tinha oito anos conheci o actor Adam West numa reunião de hot rods em Filadélfia. Ele fez-me uma dedicatória numa fotografia em que dizia: “Para o Jake, de um lutador contra o crime para outro, Adam West”. Desde essa altura que tenho essa foto pendurada na parede, e quando estávamos na minha sala de jantar a tentar decidir que nome devíamos dar à banda, o Bill Crandall, que era o nosso guitarrista na altura, começou a olhar à volta e sugeriu o nome “Adam West”. Todos pensámos que era um bom nome porque soava bem e por isso ficámos com ele.

Disse várias vezes que quando os Adam West começaram não havia uma cena rock’n’roll em Washington por causa da Dischord. Ao fim de dez anos alguma coisa mudou?
Não, ainda não existe uma cena rock’n’roll. Actualmente existem algumas bandas de stoner e garage rock, mas não se pode dizer que exista uma cena rock coesa. Para dizer a verdade não acredito que alguma vez isso venha a acontecer. Durante anos tentei mudar essa situação, mas depois de ter estado em digressão pela Europa, decidi que não vale a pena tentar mudar as coisas em DC. Por isso que se lixe!

Como surgiu a oportunidade de editarem um split com os portuguese The No Counts?
Quando os Adam West tocaram na Corunha, em Julho de 2002, o Sicko dos No Counts foi ver o concerto. Foi tão simpático e tão entusiástico em relação aos Adam West que se ofereceu para editar um EP nosso pela sua editora, a Sleazey Records. Pouco tempo depois enviou-me o primeiro single dos No Counts e como achei que eram uma boa banda sugeri um split 10” com as duas bandas. Isso foi mais tarde alterado para um CD com cinco temas de cada banda. Por isso, quando fomos para estúdio gravar o álbum “God’s Gift To Women” sabíamos que tínhamos de gravar uns temas extra para o Sicko. Dos originais optámos por “We’ve Got Cake”, “Paint It Brown” e “I Left As A Lamb (But I’ll Return As A Lion)”. Para completar a nossa parte escolhemos ainda duas versões que se encontravam esgotadas há muito: “Beltway To My Heart (Beltway To The Starr)” – que foi escrita para mim pelo Steve Baise dos Devil Dogs – e “I Stole Your Love” dos Kiss. Para além do split com os No Counts, os três temas originais vão ser editados pela Sleazey num single de sete polegadas com uma capa fantástica.

A edição de discos compartidos com outras bandas é algo habitual na discografia dos Adam West. Até que ponto essas edições foram importantes para promover a banda?
Sempre achei que os splits eram uma excelente forma de divulgar o nome Adam West e até agora temos tido bons resultados com essas edições. Já o fizemos, entre outros, com os Hellacopters, Candy Snatchers, BellRays e Powder Monkeys. Em cada edição fazemos questão que seja incluído pelo menos um tema inédito para dar maior valor a cada disco.

Como surgiu a ligação aos Hellacopters? Sei que as duas bandas são muito próximas...
Em Novembro de 1998 fui a Nova Iorque para ver o primeiro concerto dos Hellacopters nos Estados Unidos e acabei por conhecer os elementos da banda. Assim que começámos a falar percebemos que éramos como irmãos separados à nascença. Agora são dos meus melhores amigos, vejo-os como irmãos. Desde essa altura já trabalhámos juntos nalguns projectos e este Natal vamos editar um split picture single com os Adam West a fazerem uma versão dos Hellacopters e os Hellacopters a fazerem uma versão nossa. Estou muito contente porque tenho muita sorte em ter a possibilidade de trabalhar com uma das melhores bandas do mundo.

Os Adam West são conhecidos por tocarem e gravarem muitas versões. Há algum critério na escolha dos temas eleitos para as versões?
Quando fazemos versões gostamos sempre de escolher temas estranhos e/ou antigos que a maioria das pessoas não conhece. Normalmente é um processo bastante democrático já que cada elemento dá ideias sobre os temas a versionar. Depois de versionarmos o tema “We’re Inside”, das Thee Ultra Bimbos, acabámos por ficar amigos. Ficarmos amigos das bandas de quem fazemos versões é um bónus que muito me agrada.

O ano passado editaram “Ready Steady Adam West”, uma compilação de temas raros. Com tantas edições próprias sentiram a necessidade de reunir esses temas todos para satisfazer os fãs que não têm dinheiro para comprar todos os singles que editam?
Existem por aí alguns bons coleccionadores dos Adam West, mas achámos que era altura de compilar todos os temas de singles e compilações que temos espalhados por esse mundo. Na verdade eu organizei primeiro a compilação “Hi-Balls Are Rolling”, com temas retirados de singles e compilações editados entre 1999 e 2001, e passei-a à Twenty Stone Blatt Records, só que eles ainda não a editaram… Entretanto, a People Like You quis editar uma compilação semelhante para promover a nossa digressão europeia de 2002, e foi aí que organizei a “Ready Steady Adam West”, cobrindo a primeira fase da banda. Neste momento temos um terceiro volume planeado com material de 2001 a 2003. Vai Chamar-se “Longshot Songs For Broke Players” e já temos 19 temas escolhidos. Assim que tivermos o vigésimo tema gravado propomos a edição à People Like You.

”God’s Gift To Women” é um título algo forte e irónico… Ou acredita mesmo que são uma dádiva de Deus para as mulheres?
Muita gente não percebe o quanto sou irónico. Olham para mim, lêem as minhas letras e pensam que sou um egomaníaco machista e mulherengo! Em parte isso é verdade (risos) mas penso que se uma banda consegue escrever um tema chamado “God’s Gift To Women” então tem que ter verdadeiramente tomates. E nós temos!

Considera o aspecto gráfico e a versão em vinil de um disco importantes?
Acho que o grafismo e a imagem de um disco são extremamente importantes. Sou um ávido coleccionador de discos e por isso sempre fui atraído por grafismos interessantes, folhas com as letras, vinil colorido e todas as pequenas coisas que nos fazem segurar e admirar um disco. Tento sempre que os nossos discos estejam disponíveis em vinil. Gostava muito que os nossos dois primeiros álbuns – “Mondo Royale” e “13 De Luxe” –, fossem editados em vinil mas nunca tive dinheiro para isso.”

Em Outubro vão tocar pela primeira vez em Portugal. O que se pode esperar de um concerto vosso?
Nós somos uma experiência rock’n’roll visceral, primária e sexual. Estejam preparados! Tragam preservativos! Nesta digressão optámos por ter bandas locais na primeira parte dos concertos e Lisboa não será excepção.

Quando anda em digressão não toma drogas e não fuma para não prejudicar a sua voz, o que lhe resta, o consolo das groupies?
Uma vez que tenho de cantar todas as noites tento não beber em demasia, especialmente no início da digressão. Mas isso não quer dizer que me torne num straight edge! (risos) Quanto às groupies, por enquanto não quero falar sobre isso... O silêncio é de ouro.

Lorena Star
(Mondo Bizarre # 16)