Entrevistas
ANTISEEN
Destructo Rock Takeover
Os Antissen são conhecidos no underground punk rock'n'roll pela sua postura de rebeldes do punk rock sulista. Esta poderosa equipa leva perto de 20 anos pregando o gospel do "Destructo Rock". Autodenominando-se "heavyweight champions of rock'n'roll", os Antiseen estão para o que der e vier! Trocamos impressões com Jeff Clayton , o carismático líder do grupo. Leitura não recomendada a catedráticos do rock politicamente correcto...

Os Antiseen começaram a tocar em 1983, quase há vinte anos atrás. Que mudanças para bem ou para mal vêm hoje em dia na cena rock'n'roll underground?
Parece-me que as pessoas hoje em dia, aqui nos Estados Unidos, não querem sair muito de casa. A única coisa que definitivamente é melhor hoje em dia é o grande número de pessoas que podes atingir com a internet. Penso que as pessoas andam demasiado preocupadas com os sub-géneros a que cada banda possa pertencer como stoner rock ou lá o que andam a ouvir nos dias de hoje. Eu gostava que as bandas agradassem às pessoas pela forma como as divertem, pelo prazer que têm em ouvi-las e não pela categoria musical a que pertencem ou pelas suas opiniões políticas pessoais.

Do que tem saudades dos velhos tempos?
Tenho saudades de como eram inocentes as coisas, em termos de experimentar coisas diferentes, tenho saudades daquela atitude de ver bandas ao vivo simplesmente porque nos ofereciam algo de diferente e não aquele cliché cansado do costume. Mas também não posso ser muito duro com estas afirmações, pois eu hoje em dia também já não saio muito. Penso que estou a perder um pouco o entusiasmo que tinha na juventude face a esta situação.

O vosso novo álbum de originais "Boys From Brutalsville" teve críticas bombásticas por todo o lado. Acham que este disco mais bem produzido vos abrirá as portas que os álbuns anteriores não conseguiram?
Julgo que sim. "Boys From Brutalsville" foi o nosso álbum que teve maior número de críticas, bem como aquele que está disponível em mais lojas. Tudo isto graças à TKO Records. Eles agora estão a reeditar todo o nosso fundo de catálogo para facilitar o acesso às pessoas que não têm os discos antigos. O "Boys From Brutalsville" teve montes de reacção, tanto positiva como negativa, o que, pessoalmente, me deixa muito contente. Significa que as pessoas reagiram, ninguém o ignorou.

Sim. Mas, além das boas críticas, também houve algumas críticas negativas como aquela, onde, por causa do tema "Melting Pot", vos acusavam de xenofobia e intolerância. Vocês tiveram "tomates" para usar a liberdade de expressão à vossa maneira mas parece que certas pessoas ficaram ofendidas...
Se as pessoa têm um problema com isso, eu estou-me nas tintas. Eu falo em nome do que eu penso e pronto. Parece-me que outras bandas e artistas, em especial de rap podem dizer coisas similares (e piores ainda) e ninguém condena. Eu não peço desculpas pelo tema e não retiro o que digo. A América é uma grande caldeirada de culturas e não me agradam certas consequências que isso traz. O tema não incentiva à violência. Eu acho que a violência não resolve nada e que não deve ser empregada. Mas isso também não quer dizer que goste da situação actual. Todos esses escribas fanzineiros politicamente correctos que ficaram tão preocupados com "Melting Pot", bem me podem beijar o traseiro...

Por aqui algumas pessoas associam as bandeiras confederadas ridiculamente ao racismo. Se calhar pelo facto de nunca terem visto uma à porta de casa de uma família negra...
Essa é mais daquelas coisas uma que as pessoas têm que ultrapassar. Sim, pode não ser muito habitual uma rebel flag (bandeira confederada) à porta de casa de uma família negra. Eu não ando de medalhão africano a pregar o Islamismo, mas isso significa o quê? Que quem o faz está errado? Ora, eu não escrevo canções nem produzo uma imagem para agradar a quem quer que seja. Estou-me nas tintas para se as pessoas ficam, ou não ofendidas. A bandeira não é um símbolo racista. É um símbolo de rebelião. E eu defenderei o meu direito de a usar até ao dia da minha morte. A nossa banda não tem problemas absolutamente nenhum com as pessoas negras. Alguns dos melhores artistas da história são negros. Eu odeio idiotas que gostam de arranjar bodes expiatórios como o do racismo para desculpar as suas atitudes incorrectas. E se algum de vocês que está a ler isto é um deles, então eu não gosto de ti.

Que assuntos são abordados em "Boys From Brutalsville"?
As letras das canções ligam com temas ligados ao direito ao porte de armas de fogo ("Guns Ablazin"), a montes de porcarias manhosas dos talk shows americanos ("Talk Show Trash"), ao wrestling ("Sabu" e "Babyface Killer") e a idiotas no geral ("Sod","Backlash").

A grande febre dos Antiseen, (que não pára de crescer), nos últimos anos, foi impulsionada por "Here To Ruin your Groove", o vosso álbum de 1996. Desde essa altura têm sido feitas várias reedições, em CD, de álbuns como "Southern Hostility", "Eat More Possum", "Hell". Os singles também e os EP's também foram reeditados e até o vosso álbum ao vivo se encontra disponível...
Sim, pela primeira vez esses álbuns estão disponíveis ao público de novo e não apenas para o mercado de coleccionadores. A Tko é a nossa editora principal actualmente, sendo a Steel Cage, a nossa editora secundária, quem nos edita os singles. A Tko iniciou agora uma serie de reedições dos nossos primeiros 7"s chamada "The Vault of Antiseen". O "Southern Hostility" e o "Eat More Possum" foram reeditados de novo, visto que a reedição da Man's Ruin esgotou e a editora acabou. No final deste ano, haverá reedições dos álbuns "Honour Among Thieves", "Noise For The Sake Of Noise" e "Here To Ruin Your Groove".

Como conheceu Michael Bruce da Alice Cooper Band e como conseguiu que ele tocasse na vossa versão de "Sick Things" do álbum "Here to Ruin Your Groove"?
Conheci-o quando ele andava em digressão com a sua banda antes de gravar o álbum. O baterista dele, Ant Bee, era um conhecido meu de longa data e conheci o Michael através dele. Eu pedi-lhe para gravar o tema connosco quando ele ficou comigo após uma data em Charlotte, e ele aceitou. Ter um dos meus heróis de juventude a tocar num dos meus temas foi um dos pontos altos da minha carreira.

O vosso disco com o GG Allin, "Murder Junkies", fez muita gente ligar-se aos Antiseen. Lembro-me de o ter comprado em 1995 e desde esse dia, tornei-me também fã de Antiseen. Dava-se bem com o GG?
Sim, bastante bem. Tão bem quanto outro qualquer. O GG era um indivíduo único. Eu tratava-o como um amigo, tal como ele me fazia comigo. Mas não era uma pessoa com que se podia contar. A minha associação com ele era limitada a um determinado ponto, de modo a não me virar contra ele.

Tem alguma história engraçada de quando andou em digressão com ele que nos possa contar?
Raios! Tenho tantas que não as poderia contar aqui. Um destes dias terei que escrever um livro sobre a minha relação com ele!!

Algumas pessoas ficam surpreendidas quando descobrem que é casado e tem duas crianças. Penso que isso acontece por verem a Confederacy of Scum dum prisma completamente errado, estilo drogados, criminosos e violadores. Talvez também, um pouco por causa do GG ... Não acha patético?
Sim, MUITO patético. (sarcástico) Tenho pena de não esteja á altura do que as pessoas esperam de nós. Odeio violadores e gente que esteja metida na onda da pedofilia, etc. Não tolero agarrados de maneira nenhuma. Se as pessoas compreendessem as nossas letras chegariam á conclusão que temos directrizes conservadoras. Sei que é difícil para certas pessoas acreditarem nisto, mas é verdade.

Mudemos de assunto. Qualquer indivíduo familiar com os Antiseen, sabe a total devoção que a banda tem pelo wrestling. Temas dedicados a lendas vivas do wrestling como Cactus Jack, Sabu e Terry Funk, definem o vosso status de wrestling punks. O que me pode dizer do facto de muita gente achar que os wrestler não se magoam de verdade?
Essa velha afirmação que o wrestling é falso é só merda da boca para fora! Sim, o vencedor está predeterminado, mas tentem perguntar ao Mick Foley (Cactus Jack) que o bocado de orelha e o dente que lhe falta são a fingir. Tentem perguntar ao Sabu ou ao Terry Funk que os seus corpos arruinados são a fingir. Tentem perguntam a qualquer um dos lutadores que vertem sangue apenas para entreter e espantar os fãs de Wrestling se andam ali a fingir. Aposto que vocês até cagavam os dentes se estivessem lá no ringue...

Surpreendente é também a grande mistura de versões que fazem. Influências musicais muito ricas e vastas desde artistas outlaw, country, psicadélicos, de southern rock e punk. É coleccionador de discos?
Antigamente era um coleccionador a sério. Era mesmo...

O que colecciona mais hoje em dia?
Actualmente já não colecciono grande coisa. A maioria dos novos CD's que quero são-me enviados pelas próprias bandas. Mas ainda gosto de coleccionar coisas de wrestling japonês e de ficção cientifica. Comecei também a coleccionar DVD. Quanto ao vinil, vendi grande parte da minha colecção para arranjar espaço em casa!! Ah!Ah!...

Sicko Sleaze
(Mondo Bizarre # 13)