Entrevistas
CARBON H
SOLIDEZ E FORÇA
A propósito do lançamento de "Six Pack", o álbum de estreia, Eunice e João, dois dos elementos dos Carbon H expuseram à Mondo Bizarre as suas ideas sobre vários tópicos ligados ao grupo.

Nascidos em 1997, na área de Sintra, os Carbon H são mais uma banda nacional a marcar pontos no mercado discográfico. Depois de algumas maquetas de apresentação, que permitiram consolidar a estética do grupo, é finalmente editado o seu primeiro álbum "Six Pack". Não sendo uma obra perfeita, há pontos a rever, como, por exemplo, o facto de as músicas serem demasiado semelhantes e necessitarem de uma abordagem mais "cantável", "Six Pack" é a amostra do potencial do grupo e que, espera-se, sirva de trampolim para um próximo disco mais diversificado. Para breve, Os Carbon H tem prevista a inclusão de uma faixa na colectânea de homenagem aos Motörhead, grupo que é uma das influências/referências da banda.

O PASSADO
João - O passado não é muito diferente do que eu espero do futuro. Fazer música, tocar, tocar e muita curtição. A grande diferença é que o passado serve de experiência para melhorar o futuro.
Eunice - Construir alicerces sólidos para que não se abram muitas brechas no futuro. Acima de tudo, evitar castelos de areia.

AS EDIÇÕES ANTERIORES
E. - Foram uma espécie de exercício de aquecimento. As maquetas ajudaram muito a espalhar o nome e a sonoridade da banda, mas, essencialmente, serviram para nos ensinar a mexermo-nos sozinhos e a sabermos "fuçar".

“SIX PACK”
E. - 6 calos em cada mão; 66 mil litros de suor; 666 milhões de packs de cerveja... Enfim, 4 músicos + 1 produtor + 1 técnico = 6 cérebros a arder para gravar 6 temas em 5 dias.

A VOZ DA EUNICE
J. - Foleira (risos)
E - (risos) Este foi o trabalho dos Carbon H onde houve uma maior atenção e dedicação à voz. O Ronnie foi extremamente exigente comigo e isso foi compensador. Conseguiu tirar de mim tudo aquilo que eu tinha para dar e a produção resultou bem diferente dos trabalhos anteriores. Senti que desta vez houve um maior aproveitamento dos registos mais doces e das dobragens, o que tornou a voz mais melódica do que nos outros trabalhos. Sinto que consegui contribuir com a minha voz para fazer deste CD um trabalho mais completo.

A MÚSICA
E. - Regra geral, o embrião nasce no local de ensaios, com todos a tocarmos. É fruto de algum momento de improvisação mais inspirado. Também acontece eu e o João trabalharmos sozinhos um esqueleto de música e letra e os detalhes serem limados posteriormente. A composição tem sido espontânea, relativamente saudável e a um bom ritmo. Todos os temas aproveitados para o "Six Pack" foram escolhidos de entre muitos que, entretanto, tínhamos composto depois do "Blueprint". Actualmente, já estamos a tocar temas novos ao vivo, que foram feitos depois da gravação do "Six Pack".

O PRODUTOR
J. - Os EUA, ao contrário do nosso país, são um sítio onde o rock é encarado de uma forma séria. Por essa razão, o Ronnie Champagne tem uma visão deste estilo diferente de muitos outros cá em Portugal. Deu para sentir que o que estávamos a fazer tinha realmente sentido e não levámos com a velha conversa de estarmos condenados a um mercado pequeno num país pequeno. Os nosso objectivos vão muito para além disso.
E. - Um gajo simples, janado como nós... a diferença maior em ter um produtor do seu calibre foi o nível de exigência. A fasquia é muito mais alta e isso obrigou-nos a provar-lhe que conseguíamos lá chegar.

AS INFLUÊNCIAS
J. - No meu caso, e, presentemente, nomes como Suicidal Tendencies, Thin Lizzy, Motörhead, Black Sabbath, etc., são nomes, dentro do universo rock, que me influenciam não só pela música que fazem, como pela atitude verdadeira com que a apresentam.
E. - Tudo o que me faça pulsar o sangue com mais força. Valorizo muito o "feeling", o balanço, a mensagem e não apenas o virtuosismo técnico. Normalmente, identifico-me mais com a sonoridade rock (com todas as suas cambiantes) e algum metal, mas gosto sempre de espreitar e de conhecer outras coisas.

OS CONCERTOS
J. - Os concertos são a razão da existência da banda. Daí serem cheios de energia. Penso que não se deve desperdiçar a oportunidade de tocar ao vivo. Então, cada concerto é como se fosse o último. É uma sensação muito forte.
E. - Quando tens uma boa equipa a trabalhar contigo e quando sentes que os seis temas do EP superam as tuas expectativas em palco, tens a caminha feita...

O FUTURO
J. - Essencialmente, continuarmos coerentes e verdadeiros. Continuarmos a tocar regularmente e a curtir bué, pois a vida pode acabar de repente!
E. - Uma conta mais pequena em aspirinas e maior em Goronzans.

Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 5)