Entrevistas
THE DICTATORS
Para Sempre
De regresso com "Dictators Forever, Forever Dictators”, um álbum tão vital como os seus discos clássicos, os Dictators, banda veterana da cena rock nova-iorquina, mostram que a idade não é problema. O que conta é a música.

Uma das mais populares e respeitadas bandas de rock’n’roll, que deu origem ao movimento punk nova-iorquino de meados dos anos 70, são, sem dúvida os Dictators de Andy Shernoff (baixo, teclas, voz), do ex-lutador de wrestling Handsome Dick Manitoba (voz), do sempre discreto Top Ten (guitarra, voz) e do bem conhecido ex-Manowar Ross the Boss (guitarra, voz). O baterista original, Ritchie Teeter, é o único elemento que não figura na actual encarnação dos Dictators, dando o lugar a J.P. Thunderbolt, que veio do projecto de Manitoba, Manitoba's Wild Kingdom, composto ao fim e ao cabo por quase todos os Dictators originais.

Antes do fim do milénio os Dictators lançam dois singles que serviram de cartão de visita para o álbum editado em para 2001, "Dictators Forever, Forever Dictators" (“D.F.F.D.”) , que superou todas as expectativas. "D.F.F.D." , é um álbum para juntar aos restantes discos da banda: "Go Girl Crazy" (1975), "Manifest Destiny" (1977) e "Bloodbrothers" (1978). Cada álbum dos Dictators é uma declaração de princípios rock’n’roll e falhar algum é um crime ainda não punível por lei neste mundo sub-humano. Os Dictators estão tão em forma em 2002 como em 1975 e quem os viu ao vivo recentemente não discorda de tal afirmação. À conversa com Andy Shernoff, ficámos a saber algo mais sobre a actualidade destas lendária banda nova-iorquina.

Receio que tenhamos de começar por uma pergunta muito frequente, mas é fundamental o que aconteceu á banda durante o período em estiveram oficialmente separados, entre 1981, e meados dos anos 90. A banda esteve mesmo parada durante esses 15 anos?
Na verdade a banda nunca parou realmente de tocar. Houve algumas pausas temporárias de um ano ou dois, mas nunca deixamos de actuar ao vivo. Por exemplo, fizemos em 1991 fizemos uma digressão de 20 datas pelos Estados Unidos. E fomos contactados por um promotor espanhol a partir de um concerto que demos em 1995 em Nova Iorque.

Todos os membros dos Dictators parecem ser bons velhos amigos, uma já que a vossa formação actual é quase a que tinham originalmente em 1975. Vêem-se como uma banda reunida, ou como uma banda que nunca quebrou os seus laços de amizade? O que acha já agora de reuniões como a triste volta dos Sex Pistols em 1996?
Nós já éramos amigos antes da banda e continuamos a ser amigos. Pessoalmente, acho que cada vez que uma banda se tenta reunir após um longo período como os Sex Pistols fizeram, é uma desilusão. Este pensamento esteve sempre na minha mente enquanto fazíamos o novo álbum "D.F.F.D.". Trabalhei mesmo no duro para ter a certeza que o disco não iria desapontar os fãs e é muito satisfatório dizerem-me que o "D.F.F.D.". é o melhor trabalho alguma vez feito pelos Dictators.

O Ross the Boss é muito conhecido em Portugal por ter sido membro fundador dos Manowar. No entanto ele saiu dos Manowar na altura em que os Dictators começaram a gravar e a tocar mais ao vivo por volta de 1995. O que o fez abandonar os Manowar após tantos anos?
É simples: ele já não estava a gostar de estar de Manowar e, por outro lado, divertia-se imenso com os Dictators.

O novo álbum "D.F.F.D.” foi editado o ano passado e teve imenso feedback positivo especialmente o single "Who Will Save Rock’n’Roll?" Sobre o que fala a letra desse tema? Acha que "Who Will Save Rock’n’Roll?" pode funcionar como um novo hino de rock à entrada do século vinte e um?
O rock’n’roll já por aí anda há uns 50 anos.. Está a entrar na meia-idade. Já não tem a frescura e o impacto que tinha nos anos 60 e 70. "Who Will Save Rock'n'Roll?" descreve a actual situação do rock’n’roll e espero bem que seja um hino para todos nós que o amamos e o queremos ver de volta nos lugares cimeiros dos tops.

Os temas do álbum foram todos gravados no mesmo ano? Parece-me que foi gravado sem pressas até porque o single "I Am Right" data de 1997.
Os temas foram gravados num período de quatro anos, entre 1997 e001.Nós gravamos mais temas dos que realmente aparecem no álbum, mas levamos tempo a analisar quais entravam no álbum. Eu coloquei-me sempre na posição de um fã que estava ansioso pelo novo álbum e pensava: “este tema vai-me excitar ou aborrecer-me?” Como também não tínhamos companhia discográfica, tínhamos que tocar ao vivo para pagar a gravação e edição do álbum.

Existem algumas reedições da banda no mercado mas é uma situação confusa. Há umas mas da vossa editora, umas distribuídas pela Norton e outras em Espanha. Afinal quais é que se podem mesmo encontrar?
O primeiro álbum foi reeditado pela Epic. Depois licenciamos o "Bloodbrothers" da Warner em CD para o nosso site (www.TheDictators.com) e planeamos fazer o mesmo com o nosso segundo álbum "Manifest Destiny". Handsome Dick Manitoba foi um lutador de Wrestling amador antes de entrar para a banda como vocalista. Vocês são fãs de desportos? Somos todos fãs de desportos, especialmente das equipas de baseball de Nova Iorque. O Handsome Dick foi lutador semi-profissional de wrestling antes de se juntar á banda.

Pelo que li no vosso site, vocês têm um tema incluído num novo filme...
Nós temos temas no filme “Kindergarten Cop “de Arnold Schwarzenegger e no “Boy's Dont Cry” que ganhou um grammy. Mas eu penso que te estejas a referir ao "Final Rinse" um filme onde actuámos, mas que ainda não saiu.

Durante os períodos inactivos da banda estiveram envolvidos noutros projectos. Poderia resumidamente menciona-los?
Todos nós nos mantivemos ocupados. Eu trabalhei como produtor e toquei com Manitoba's Wild Kingdom e com os Ramones. O Ross esteve sempre com os Manowar (e com Wild Kingdom). O Scott "Top Ten" tinha os Del-Lords e o Manitoba liderava os Manitoba’s Wild Kingdom onde o J.P. era baterista.

É o compositor principal da banda. O que me dá ideia, e sinto curiosidade sobre esse assunto, é que cada álbum dos Dictators parece ser uma espécie de álbum conceptual, um disco de culto em cada época em que saiu. Com base nesta ideia, qual é para si o que se tornou mais popular?
O nosso primeiro álbum estabeleceu-nos definitivamente, pois na altura em que foi editado ainda não tinham explodido os Ramones, os Clash e os Sex Pistols. O nosso segundo álbum "Manifest Destiny" foi o que vendeu mais. O terceiro "Bloodbrothers" tem muitos temas que são favoritos para os concertos, mas penso que o novo álbum é o nosso melhor e será o mais popular.

E que me diz das novas bandas que afirmam ser influenciadas pelos Dictators tais como os Hellacopters, Nomads, Texas Terri, e por ai fora. Pensa que é outra vez uma boa fase para o rock’n’roll.1 Os media estão a tentar fazer grandes bandas que antes eram underground como os Hives e White Stripes. Será isto tudo para ficar ou passageiro?
Penso que esta é uma boa fase para o rock’n’roll. Actualmente vejo mais pessoal interessado na musica e no estilo. Roupas como as calças justas e as botas de bico parecem estar em voga outra vez. A grande questão é: Será que as bandas de hoje em dia conseguirão fazer musica que seja tão intemporal como a musica das grandes bandas dos anos 60 e 70?

Participou como baixista no álbum a solo de Joey Ramone, "Don't Worry About Me". Era amigo de Joey?
O Joey era um grande amigo meu e um colaborador musical. Foi para mim uma honra trabalhar com uma das melhores vozes na historia do rock’n’roll. Só queria que ele estivesse aqui para testemunhar todo o amor à volta do seu novo trabalho a por esse do mundo partilhado pelos seus fãs. Ele já sabia antes de morrer que ia ser introduzido no Rock’n’Roll Hall of Fame...

Também entrou no documentário "Filth and the Fury" sobre os Pistols...
Eles vieram até minha casa num dia de calor infernal e fizeram-me umas perguntas. Mas eu ainda não o vi.

Ainda se lembra do primeiro concerto dos Dictators? A abrir para os Stooges...
É verdade. A minha primeira vez num palco foi a abrir para os Stooges no liceu Prince George Community perto de Washington D.C.

Tocaram na Europa recentemente? Eu vi-vos em Espanha o ano passado...Planeiam outra digressão em breve? E quanto a 2003?
Estivemos à pouco tempo na Escandinávia e em Espanha. O "D.F.F.D." sairá também na Europa o que quer dizer que iremos tocar na Europa em breve. Para já sei que tocaremos no Festival série Z em Espanha. Para o próximo ano estamos a planear digressões na Austrália e Nova Zelândia e depois, espero eu, regressaremos à Europa.

Sicko Sleaze
(Mondo Bizarre # 12)