Entrevistas
GONZALES
O Cor-de-Rosa Está na Moda?
A única palavra possível para descrever Gonzales é entertainer. É disso que gosta, entreter as pessoas. E também apontar o dedo á cara daqueles que não gosta e denunciar, consentido de humor, tudo aquilo que acha errado. Tudo envolto na melhor manta de retalhos que a pop pode conceber. Do electro ao cabaret de segunda, do hip hop à pop xunga. “Presidential Suite” está aí para provar que o sr. Gonzales é um dandy do sub-mundo.

Não tentem compreender. Gonzales é um canadiano judeu há uns anos se mudou para Berlin. Porquê só ele saberá, mas o mais certo por ter sido lá que encontrou uma casa estável, a editora Kitty-Yo, para dar vida às suas megalomanias pop. Ao lado Peaches (outra canadiana que mudou para Berlim) espalhou o caos e o sexo em digressões conjuntas, tendo inclusivé ganho com a exposição conseguida através da pequena Peaches e afirmado como a grande estrela xunga do electro-pop. “Presidential Suite”, o seu terceiro álbum, acabou de sair, mas para trás ficam dois álbuns obrigatórios, “Gonzales Über Alles” e “The Entertainist”, que apesar de não gozarem da produção de “Presidential Suite” são os alicerces da compreenção da música de Gonzales. Com alguns convidados à mistura (Louie Austen, Peaches, Taylor Savvy, Mas Turner, Ninja Pleasure) o álbum flui em várias direcções. De “So-Called party Over There”, tema que abre “Presidential Suite” até ao fecho com “Melodika”, tudo pode acontecer. Disco do ano ou não, este, meus caros, é o estranho mundo de Chilly Gonzales:

BERLIM: Berlim desafia qualquer descrição, para mim é apenas o meu quartel general. Eu não saio muito como seria de esperar. É apenas a minha bolha de ar.

“BLAME CANADA”?: Acho que podemos culpar o sitio de onde somos. Se sairmos desse local temos boas hipoteses de nos reinventarmos. Não tem só a ver com o facto de sair do Canadá e vir para Berlin. O mesmo poderia acontecer se tivesse nascido em Berlin e me mudasse para o Canadá. Não tem a haver com o sitio em questão mas antes com o abandono do nosso país natal.

CROONING: Não sei… O Louie Austen é um grande senhor!

INIMIGOS: Preciso de mais. Qauntos mais melhor. Dão-me muita força para continuar a fazer o que faço e muita inspiração para as letras.

“ENTERTAINMENT”: O mundo precisa de mais. A maioria das pessoas é cinzenta. Precisam de para e divertir-se um bocado.

FREAKS: O mundo também precisa de mais freaks, tipos esquisitos que nos fazem parar para pensar o que raio estamos nós a fazer (risos).

“INTERNATIONAL MUSICAL PRANKSTER”: Isso poderei ser eu ou qualquer outro canadiano com quem tenho trabalhado.

JUDEUS: São grandes enternainers, não são? Eu sou de uma grande linhagem de judeus entertainers: Groucho Marx, Andy Kaufman, Woody Allen, Beastie Boys.

AMADO OU ODIADO?: “Both in equal amounts”…

PEACHES: Acho que ela também gosta de ser amada e odiada da mesma maneira.

CHULOS: Há demasiados. Especialmente dentro da musica rap, mas com tantos chulos não sei onde é que estão a prostitutas ou os clientes... Eu imagino a esquina de uma rua e só vejo chulos…

CÔR-DE-ROSA: É a nossa cor interior, não é?

POLITICOS: Ssão uma grande fonte entretenimento. Noventa por cento é uma palhaçada, por isso são uma boa fonte de inspiração para musicos como eu.

PRESIDENTE DO UNDERGROUND BERLINENSE: Hoje em dia parece-me um idea tão velha. Prefiro o título de presidente do underground europeu, já que agora somos só um pais... É mais fácil dizer underground europeu do que comunidade europeia.

RAP: Falar ao som da música em vez de cantar.

ESTRELAS ROCK: São as que vemos na televisão.

SEX SYMBOL: Não exitem muitos, e os que há não são grande coisa...

SUPER HERÓIS/SUPER VILÕES: Os vilões ganham sempre, pelo menos nos corações da assistência.

SUOR: Um super poder dos artistas. Muito imoprtante. Venham até à fila da frente e poderão sentir o meu sour.

TOP OF THE POPS: “See you at the bottom...”

QUEM É O PIOR MC?: Isso é mais uma ideia abstracta. Se ele é assim tão mau, provávelmente eu nunca ouvi falar dele. Daqueles que já ouvimos, pelos menos sabemos que se estão a esforçar, por isso não podem ser assim tão maus.

Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 11)