Entrevistas
JOHNNY DOWD
Experiências Intensas
A intensidade visceral e obscura da música de Johnny Dowd, alicerçada em dissonantes guitarras e em sons muito caóticos, bem como em ritmos de bateria hipnotizantes na sua forma minimalista e por teclados e orgãos épicos, foi já aqui mencionada há uns números atrás, aquando de um artigo sobre a sua editora, a Munich Records. Tendo lançado em 1996 o seu primeiro disco a solo "Wrong Side of Memphis", quando contava já com cinquenta anos de idade, Johnny Dowd foi prosseguindo a sua carreira a solo, presenteando-nos consecutivamente com "Pictures From Life's Other Side" e "Temporary Shelter", registos todos eles distintos em termos musicais, mas aos quais está subjacente uma atmosfera comum, pintada em tons negros de crime, amor e do lados mais recônditos da mente humana, bem como da beleza que advém da dicotomia vocal de Johnny e de Kim Sherwood-Caso. Seria assim muito ingrato da nossa parte ficar indiferente ao seu mais recente álbum, "The Pawnbroker's Wife", registo menos épico e com algumas melodias mais convencionais que os anteriores, mas com ritmos musicais uma vez mais notórios. E como todos os grandes discos, mais do que nos fazer sentir bem ou mal, tem o poder de nos perturbar. E não será isso de facto aquilo que é realmente importante? Johnny Dowd revela-o nas suas próprias palavras.

O processo de gravação do seu último disco "Pawnbroker's Wife" distinguiu-se em muito do dos seus discos anteriores?
Foi diferente do disco anterior, porque este foi gravado no meu estúdio caseiro. Tenho um estúdio em casa, e assim gravámos tudo lá, e também no meu escritório. Enquanto que o disco anterior foi gravado num estúdio profissional, este foi essencialmente gravado com o meu equipamento, sendo nós que fizémos todo o trabalho técnico.

Muitas pessoas dizem que este é o seu registo mais acessível. Concorda com isso, ou pensa apenas que abordou directrizes musicais um pouco distintas?
Sim, é difícil para mim julgar o que é ou não acessível, uma vez que tentei que todos os discos fossem acessíveis. Mas talvez uns sejam mais que outros. Este disco tem de facto algumas melodias mais convencionais, talvez seja isso...

Disse que tenta que os seus discos sejam todos acessíveis. Isso é algo que tem presente aquando das gravações?
Quando fazes um disco tens de certo modo a esperança de que seja uma expressão de ti próprio, e não espero que seja uma pessoa tão estranha e bizarra que ninguém queira estar por perto e ouvir-me, e sinto o mesmo em relação aos meus discos. Mas sendo realista, sei que existem determinados aspectos nos discos, e certas coisas em relação a mim que as pessoas acham inacessíveis, desagradáveis ou mesmo estranhas. Mas não acho que possamos estar conscientemente a ser nós próprios, somo-lo apenas.

Porque escolheu interpretar o "Jingle Bells" no seu disco mais recente, apenas por piada?
Sim, foi por piada e também porque é uma canção que tenho cantado ao longo da minha vida, todos os Natais. Gravámos o disco por alturas do Natal, e penso que a banda começou a brincar, a improvisar a tocar esta melodia. Isso acontece muito, eles começam a tocar uma melodia, e eu depois arranjo-lhe uma letra. Na altura comecei a cantar o "Jingle Bells". Basicamente foi por piada, mas foi também a tentativa de adicionar algo novo à canção. Nunca tentaria fazer uma versão igual do "Jingle Bells", milhares de pessoas já fizeram isso e muito bem, portanto quis trazer um groove funky ao tema.

É verdade que quando era mais novo se considerava um beatnick?
Não, eu estava mais ou menos no meio dos beatnicks e dos hippies. A época dos beatnicks tinha ocorrido há cerca de dez anos, e a dos hippies seria dez anos depois de mim, portanto acabei por ter influências de ambos. Mas diria que sentia muito mais afinidades com aspectos relacionados com os beatnicks do que com os hippies. Na música, na literatura e em outro tipo de coisas nunca fui muito hippie.

Disse numa entrevista que descobriu o seu gosto por música com temas mais obscuros, enquanto trabalhava numa lavandaria. Fale-nos um pouco disso.
Quando comecei a fazer música, quero dizer, desde sempre fui um grande fã de música, esta teve sempre um papel importante na minha vida, mas quando comecei a fazer música, estava a trabalhar como manager duma lavandaria. Então tinha imenso tempo livre, porque nunca havia muito para fazer, o que me dava a hipótese de observar as pessoas. Haviam imensas donas de casa a frequentar a lavandaria, então acabava por ter muitas conversas com essas mulheres acerca da sua vida doméstica, acerca daquilo que realmente pensavam dos seus maridos e da sua vida em geral. Ao mesmo tempo andava a ouvir imensa música nos meus headphones, e todas essas coisas aliadas ao som das máquinas de lavar durante vinte e quatro horas por dia, deram-me uma espécie de sonoridade a qual achei que podia tornar própria. Esse som repetitivo das máquinas de lavar juntamente com o barulho das pessoas a falar em pano de fundo, deu-me directrizes de certo modo daquilo que eu julguei que seria uma sonoridade que podia usar para me expressar a mim próprio.

E começou a tocar guitarra quando tinha já cerca de trinta anos, porque esse era de certa forma o divertimento que ninguém lhe poderia tirar quando envelhecesse, visto ter já tido experiências com álcool, drogas e raparigas?
Bem, não todas as raparigas (risos). Sim, tinha cerca de trinta e um ou trinta e dois quando comecei a tocar. Comecei por tocar baixo no inicío, mas era muito dificil, as cordas eram muito grossas,logo, comecei a aprender a tocar guitarra. A música pareceu-me algo que poderia ter sempre. Existem muitas coisas que são divertidas quando tens vinte ou vinte cinco anos, mas quando pensei em tocar guitarra estava a olhar para o futuro, pois quando tivesse por exemplo sessenta e cinco anos ou setenta, provavelmente já não estaria apto a fazer aquilo que queria. Por exemplo, meter-me num carro, conduzir muito depressa e embebedar-me a sério. Olhei para o futuro e vi que as coisas não iriam ser provavelmente assim, então a música surgiu-me como algo que sempre iria apreciar, que não me poderia ser retirada pelo tempo a não ser que sofresse um grave acidente.

Sim, mas visto considerar-se muito mais um leitor que um músico, não poderia ir buscar essa motivação para a velhice na literatura por exemplo?
Era isso que fazia antes de me tornar um músico. Passei muitos anos a tentar ser um poeta, mas isso era tão difícil! A poesia é tão difícil, que eu nem sequer sei dizer o que é um poema. Sabe-lo quando o lês, quando lês um poema sabes que é um poema. Uma canção é algo que sabes dizer o que é, música misturada com alguém que diz umas palavras, pode não ser uma canção muito boa, mas é uma canção.

Não considera as suas letras poemas?
Nem por isso, porque se lhe retirares a música, são apenas letras. Num grande poema, de um Wall Stevens ou de um Whalt Whitman, por exemplo, a música reside nas palavras, mas se retirares a música às minhas canções, as letras, ainda que possam ser muito boas, (espero que o sejam), não são poemas, não vingam por si só.

Apontou dois grandes poetas. Fale-nos de outros escritores de que goste.
Meu Deus são tantos! Quando era mais novo lia imensas coisas diferentes, era bastante indiscriminador, se não estivesse a fazer outra coisa qualquer estava certamente a ler, portanto lia quase tudo o que me chegava à mão. Desde livros trash e semi-porno, ao Moby Dick. Isso estava relacionado com o facto de tomar drogas, se me deparava com uma página, lia-a, tal como se houvesse uma droga disponível, tomava-a. Era bastante insaciável quando era mais novo, agora não leio tanto como devia, a minha vista não está muito boa. Mas lia de tudo, literatura sulista, poesia...

William Faulkner por exemplo?
Sim, lia Faulkner, ele é fantástico! Uma frase dele por vezes prolonga-se por três páginas. Às vezes demorava um dia a ler uma única página de Faulkner. A poesia dele por vezes é de dificil compreensão, mas mesmo assim consegues lê-la e apreciar, porque as palavras estão dispostas de uma forma tão bela! O que se aplica a todos os grandes escritores, penso eu.

O seu amigo Jim White é também um grande admirador de Faulkner. A propósito dele, já alguma vez consideraram gravar um disco juntos?
Sim, estivémos juntos apenas há algumas semanas atrás, em Lousiana, a terra do Jerry Lee Lewis, onde uns tipos da BBC estavam a fazer um documentário sobre música sulista e a influência da religião na música sulista. Estivémos lá ambos de certo modo a dar o nosso contributo, e pensámos em fazer algo juntos, tipo gravarmos um disco os dois, talvez um álbum de versões, ou mesmo com material de nossa autoria, numa espécie de colaboração. Penso que quando tivermos tempo, isso pode acontecer.

Acha que tem em comum com o Jim White uma certa vertente a nível de religioso, que porventura terá estado muito presente na vida de ambos?
Sim, provavelmente isso é comum a toda a gente que cresceu em pequenas cidades do sul da América. Cresces no meio desse ambiente de um certo fundamentalismo religioso, podes evitá-lo tanto quanto podes evitar o oceano se viveres no sul da Califórnia. Esteve lá presente, portanto irá-se revelar na tua atitude mais simples em relação à vida, porque faz parte da tua vivência. Mas não é nada do qual tenha a consciência, que faça de um modo propositado, foi apenas algo com que cresci e que ficou entranhado na minha cabeça e no meu coração, que está lá, seja bom ou mau.

Lia muito a Biblía?
Sim, lia bastantes vezes, andei na catequese. Ia à missa ao domingo e à catequese às quartas-feiras. Não sinto que tenha tido uma educação particularmente religiosa, nem a minha familía o era especialmente, era apenas isso que toda a gente fazia. Vivia numa cidade pequena e isso fazia parte da sua vida. E aprendi imenso, porque a Biblía, sejas ou não religioso, é uma das maiores fontes de literatura que existem. Não ter conhecimento da Biblía é não ter conhecimento daquilo que é a história básica da religião cristã, algo de fundamental para todas as pessoas educadas num ambiente social cristão. Se fores muçulmano, se calhar não é tão fundamental leres a Biblía.

E nessas cidades mais pequenas, a vida religiosa é no fundo a vida cultural e social dessas pessoas.
Exactamente. É o seu motivo para dar um grande jantar às quartas-feiras. Está extremamente enraízado na tua vida, no teu quotidiano, faz parte da cultura. Mesmo se nunca puseres os pés na igreja, isso vai estar muito enraízado na tua vida. Nem tem tanto a ver com o frequentares a igreja, mas sim com toda a atmosfera à volta dessas cidades mais pequenas.

É verdade que as ditas temáticas mais negras presentes nas suas canções, (como o crime, a violência, o lado menos idílico do amor), são abordadas não só porque fizeram parte da sua experiência pessoal, mas sobretudo porque vê nessa abordagem um meio para afastar todos esses "males" de si próprio?
Sim, muitas vezes a vida de um homem relaciona-se com aquela expressão de "assobiar no escuro", até um certo ponto. Conhece a expressão? Assobiar no escuro, fingir não ter medo. É um modo de lidar com a vida do dia-a-dia. Penso que as coisas podem sempre piorar, seja o que for. Penso sempre da seguinte forma, "as coisas estão mal mas poderiam estar piores", e talvez numa canção minha se passe o mesmo. Se eu escrever sobre isso que me aflige, talvez não me venha a acontecer, porque já aconteceu no mundo imaginário. Essa motivação é comum à maioria dos "songwriters". Escreves uma canção e qual é a motivação? Existem milhares de motivações, mas para mim tem sobretudo a ver com um hábito. Ou seja, há sempre uma parte da minha mente que se afasta da realidade, que se pergunta se consegue fazer disto ou daquilo uma canção, criar algo a partir de qualquer coisa. E isso mantém-te à distância da realidade. Penso que a maior parte do tempo estou distante da realidade, do presente, o que é algo mau de certa forma.

Mas isso poderá abrir muito a sua mente em termos de criatividade, não?
Penso que sim, penso que é bom em termos criativos, mas que é mau em termos pessoais, porque a maioria das vezes não estou a experiênciar as coisas quando elas estão a acontecer. Não estou no momento, estou a ver as coisas a acontecerem, mas não estou realmente lá a um certo nível. Mesmo quando estou a fazer algo, estou sempre a observá-lo de modo a poder moldá-lo. Mas isso é algo com que nasces. Era assim quando era um miúdo, estava sempre distante daquilo que se estava a passar. Talvez esteja relacionado com alguma coisa que tenha acontecido quando era pequeno, ou então é apenas genético. O que é que interessa?

Uma forma surrealísta de lidar com a realidade?
Mais ou menos, por vezes é algo surrealista. Mas, à medida que fico mais velho mais diferente quero ser nesse aspecto. Quero ser o tipo de pessoa que experiência a vida, que vive o presente sem pensar demasiado, sem o tentar usar, sem tentar usar a vida, mas sim experimentando-a. Era esse o tipo de pessoa que gostava de ser, penso que seria mais feliz. As pessoas que são assim são mais felizes, são melhores pessoas. A vertente criativa é boa, mas é um pouco predadora, usas tudo como material para algo, sejam as tuas experiências, sejam as de outra pessoa. Se nunca mais escrevesse uma canção, isso não seria mau.

Mas não pensa que essa forma de estar faz parte da sua idiossincracia como músico ou mesmo como pessoa, bem como o facto de escrever sobre esses temas ditos mais negros? Ou vê-se no futuro a escrever aquilo que são consideradas canções alegres?
Penso que sim, que era capaz. Não vejo muito as coisas assim. Sei que se escrevo uma canção em que está um tipo e a mulher lhe dá um tiro na cabeça, que isso é considerado um assunto infeliz. Mas por outro lado, um lado mais interessante, se realmente funcionar como uma canção, um filme ou o que quer que seja, há algo nessa experiência que é bom. Se essa canção não tocar as pessoas, isso faz-me sentir horrível. Ou foi a canção que não funcionou ou a pessoa que não a entendeu. Mas seja uma canção feliz como "I love my baby", ou uma que diga "I shot my baby", essa canção tem de fazer as pessoas sentirem que tiveram uma experiência completa. Se te estiveres a perguntar se isto é bom ou é mau, não estás a experiênciar isso. É apenas uma experiência que faz parte da vida, e isso é muito mais importante que fazer a distinção entre canções alegres e canções tristes, tentar criar algo que é uma experiência que vale por si própria.

Não está relacionado com ser bom ou ser mau, feliz ou triste, mas sim com a intensidade duma experiência, seja ela como fôr?
Sim, exactamente. E qualquer experiência intensa que tiveste, mesmo que com o tempo não seja algo que consideres de bom, tiveste-a, sentiste-a duma forma real. E é isso de que estás sempre a tentar alcançar, algo que seja real, como oposto a surreal, que penso que é como sentimos a maior parte da vida quotidiana. Vais apenas na maré, há um certo surrealismo nisso, é assim que é a vida. Logo quando tens uma experiência intensa, sentes que isso é real, e isso sabe-te bem. E penso que isso influência a tua vida quotidiana, que sem essas experiências torna-se apenas parte do ciclo das coisas. Assim, as experiências intensas invadem as experiências quotidianas, fazendo com que tudo ganhe côr, em vez de ser um cinzento pálido. Penso que é isso que a arte deve fazer. Estou a falar em geral, do que a arte fez por mim, penso que é esse o seu objectivo.

Tem afirmado que o rock é a sua religião. Diz isso por ser totalmente devoto à sua música?
Penso que o que quis dizer com isso é que o rock'n'roll esteve sempre presente ao longo da minha vida. Já passei por várias eras do rock'n'roll, desde os anos 50. Em várias circunstâncias pensei que estava farto disto, que muito soava a treta, que estava aborrecido. Mas então surgia algo, alguma música nova boa, ou então descobria boa música antiga que nunca tinha ouvido, recuando aos anos 20 ou por aí. Então pensava que aquilo me fazia sentir novamente vivo, e a música parece ser de facto importante. É a mesma função que os hinos e o gospel têm na Igreja. E isto acontece-me imensas vezes em períodos da minha vida em que estou um pouco em baixo ou a desistir, e então algo acontece que me dá de novo energia. Ando à procura disso neste momento, quanto mais fazes música mais difícil se torna ouvires música. Porque faço-o muito e porque de certa forma é um negócio actualmente. Tento-me afastar para uma forma mais pura, de apenas ouvires e deixares que isso te afecte, isso é um outro motivo para eu terminar a minha carreira na música, e apreciar apenas o que se está a passar.

Falou há bocado em conversas que tinha com donas de casa acerca da sua vida familiar, e de facto parece haver na sua música determinadas temáticas e melodias próprias duma certa vida doméstica de certa forma até tradicional duma América dos anos 50.
Sim, é algo que está uma vez mais relacionado com o meio onde cresci. Tenho um vasto conhecimento de música tradicional americana, que não provém de um estudo, de uma procura consciente que fiz, mas sim do facto de a ouvir constantemente na altura em que tinha nove ou dez anos, e sempre tive a mente muito aberta. Não gosto apenas de música country, ou de blues, oiço de tudo, e o que gosto gosto.

Os músicos da sua banda tiveram um papel activo na composição de "Pawnbroker's Wife" ou foram essencialmente apenas a sua banda de apoio?
Não, desde os três últimos discos que a banda tem estado cada vez mais integrada em todo o processo. Justin Asher o nosso guitarrista, foi também o produtor e engenheiro de som deste disco. O Brian Wilson é o baterista com que tenho vindo a trabalhar desde há muitos anos, e grande parte do elemento ritmíco dos nossos discos é seu, é a concepção dele. E todo o relacionamento entre eu e a Kim (Sherwood-Caso), (cantamos juntos há cerca de dez ou doze anos), tem sido uma enorme influência, porque sempre que escrevo uma canção, até um certo ponto, ela está presente na minha mente, pois sei que ela vai fazer parte daquela canção. Portanto, sobretudo este disco em particular, foi um disco feito por uma banda.

Vê a relação da sua voz com a da Kim Sherwood-Caso como um contraste que se complementa, uma espécie de luz e trevas, um binómio masculino-feminino?
Vejo-o dessa forma, e também como se eu fosse o caos, e como se ela fosse a parte verdadeira, como se fosse ela a dizer os factos puros e duros. É o ponto de vista feminino, mas também a voz das verdades simples. Enquanto que o meu lado, é completamente pessoal e emocional, o ponto de vista de um homem, sem ter em conta o ponto de vista razoável, como se dissesse que "este é o meu ponto de vista". Acabamos por mostrar as coisas das duas perspectivas. Tem também a ver com as qualidades que oiço na voz dela, de certa forma é como se fosse o estado simples da canção, e eu como se estivesse a lutar com a canção.

Ana Gandum

Foto: kat Dalton
(Mondo Bizarre # 11)