MAN OR ASTRO-MAN?
O FUTURO FOI ONTEM
Arautos do futuro ou grande embuste planetário?... Os Man Or Astro-man? acrescentaram em 2000 um novo títiulo à sua extensiva discografia. “A Spectrum of Infinite Space” parece ter passado tengencialmente à atenção do público e crítica nacionais. Injustamente, claro está! Aproveitando uma momentânea disjunção no espaço-tempo, a Mondo Bizarre contactou com um dos alienígenas, procurando a justiça devida.
Nas vossas entrevistas afirmam ser criaturas do espaço em trânsito pelo planeta Terra. Isso é mesmo verdade ou trata-se de mais um grande embuste inventado pela indústria musical para sacar mais uns cobres aos miúdos?
É curioso constatar o facto dos terráqueos se recusarem a admitir que nós somos realmente criaturas do espaço. Nós dizemos a verdade e ninguém acredita em nós. Penso que esta verdade é demasiado pesada para as mentes humanas. Já participámos em vários embustes, mas em nenhum deles tivemos a intenção de sacar dinheiro aos miúdos. Como podem ver, apenas nos enganamos a nós próprios. Como já éramos bilionários no sítio de onde vimos, o dinheiro terrestre não tem muita importância para nós. Se realmente fossemos suficientemente espertos para inventar um grande embuste que nos rendesse milhões então re-nomearíamos o presidente dos Estados Unidos, e escolheríamos um líder mais amigo dos aliens.
Podemos ter a certeza de que estão a falar a verdade? Podem prová-lo? É que se realmente é verdade, é a primeira vez que a Mondo Bizarre publica uma entrevista com criaturas do espaço.
Acredito que a verdade é aparente nos nossos discos. Vocês decidam, mas aposto que nós não somos os primeiros aliens que vocês entrevistam. Ao contrário do que vocês pensam existem, por aí, muitos mais como nós.
Porque é que tomaram a identidade do que na Terra chamamos de “Rock’n’Roll Stars”?
Quando caímos na Terra precisávamos de arranjar uma maneira de procurar peças para reparar a nossa nave espacial. Isso requeria uma busca a nível mundial. Por isso investigámos e encontrámos estes grupos de técnicos que viajavam por todo o lado com equipamento electrónico complicado. Toda esta actividade tinha lugar durante a noite e ninguém fazia perguntas acerca destes personagens que providos do seu equipamento criavam campos de som. Achámos que seria o disfarce perfeito para a nossa pesquisa. Quando nos apercebemos que estas pessoas eram “rockers”, decidimos formar a banda por razões meramente científicas.
Numa altura em que se fala da possível morte do rock, não podiam ter escolhido outros empregos mais seguros como correctores da bolsa ou políticos?
Todas essas pessoas não podem andar por aí à procura de equipamento durante a noite. Para além disso, são empregos quadrados e acima de tudo nós queríamos ser aliens modernos.
Talvez pudessem tornar a vossa fabulosa tecnologia disponível para os humanos. Já pensaram na enorme quantidade de patentes que poderiam registar?
Como disse anteriormente, não estamos preocupados com o dinheiro. A única razão porque não vos podemos dar a nossa tecnologia é porque estamos proibidos de alterar o futuro da vida na Terra pelo protocolo espacial. Para além disso, aqueles idiotas da NASA não nos emprestaram o Space Shuttle para darmos uma volta até à lua, o que nos deixou muito chateados...
Uma das coisas que suscita algumas dúvidas é o facto da vossa formação não ser a mesma desde o início. Como é que explicam isso?
Existem certas coisas que não podem ser explicadas. A mente frágil dos terráqueos explodiria se esse conhecimento fosse transmitido aos vossos leitores. Tudo o que posso dizer é que envolve dois asteróides e um copo de óleo para motor.
Uma certa teoria de conspiração diz que a cadeia McDonald’s faz parte de uma multinacional extraterrestre destinada a alterar os hábitos alimentares dos terráqueos. Acontece o mesmo com a vossa música? Estamos a ser preparados para uma invasão de sons do espaço?
A Terra está a ser preparada para uma invasão de fungos. Já está a acontecer mas de um modo muito lento. As baratas são o primeiro sinal de que a Terra está a cair nas mãos de forças exteriores. Mas por favor não culpem as criaturas do espaço pelo horror que é o McDonald’s! Também não assumimos nenhuma responsabilidade pelo Starbucks ou pela Eurodisney. Os terráqueos são muito fáceis de controlar por isso a invasão deve ser fácil. O mais engraçado é que nós nem íamos invadir a Terra. Nós só estávamos de passagem...
Estão não são os MOAM? a primeira vaga da invasão cultural massiva do planeta?
Os MOAM? fazem parte de uma grande invasão/revolução matemática que está a alterar este planeta à medida que estas palavras estão a ser escritas. A evolução do vosso planeta - da origem das espécies à era digital -, já foi explicada por matemáticos e físicos. Estamos prestes a entrar numa era onde a matemática é elevada a um novo patamar pela adição de cheiro ao processo equacional. Reparem, a Terra era um local bastante cheiroso quando era nova (tal e qual os humanos) e este estado de motivação primário será introduzido como força cultural para ser reconhecido como tal. Neste momento estou a alterar a minha posição em revelar o futuro. Como disse anteriormente, estamos proibidos de o fazer, mas posso dizer que pequenos botões redondos também desempenham um papel crucial na revolução vindoura.
Li algures que vocês fazem sons do futuro. Como é que isso é possível se todas as vossas referências musicais são antigas (do passado) e fáceis de descobrir?
“Fáceis de descobrir?” Vocês devem ter um microscópio de electrões para as descobrir todas, porque muitos dos elementos que nos inspiram são invisíveis a olho nu. Aqui na Terra, o máximo do futuro que podemos permitir aos humanos de ouvir serão cinco ou dez minutos. A sonoridade surf que praticávamos foi o resultado de informação errada que recebemos antes do nosso acidente. Assumimos que os sons espaciais dos anos sessenta eram a sonoridade mais moderna disponível na Terra, por isso desenvolvemos a nossa sonoridade a partir do surf. Hoje em dia temos consciência de que esses sons eram velhos quando aterrámos, por isso estamos a permitir que alguns deslumbres do futuro façam parte da nossa sonoridade.
Voltando ao princípio, como foi estar ligado à Estrus, uma editora que para muitos foi responsável pelo regresso do bom velho rock’n’roll?
A Estrus era e é uma força poderosa no rock’n’roll, seja ele “bom”, “velho” ou novo. O Dave e Carl, os dois cérebros que gerem a editora, também participaram nalguns filmes pornográficos de grande qualidade. Este facto não é muito conhecido mas foi importante porque como aliens nós desconhecíamos alguns aspectos da vida humana. A nossa experiência com a Estrus expôs-nos ao lado mais sedento do rock’n’roll, que como sabem é muito importante. A Estrus edita algum do melhor rock’n’roll psicótico e transviado do mundo e como extraterrestres estamos orgulhosos de ter feito parte dessa avançada organização de pensadores.
Parece que um dos vossos vídeos foi banido de algumas estações de televisão. Ou será que é mais um mito da imprensa independente?
Isso é uma mentira muito feia, inventada pela imprensa independente. Os nossos vídeos foram banidos de algumas estações de rádio mas nunca das televisões. Os vídeos dos MOAM? são concebidos para promover as melhores ideias que o nosso universo tem para oferecer. Os porcos poderão voar, os burros irão falar, a água arderá, o pão explodirá, as aranhas começarão a ler as notícias em pequenos dedais, as rochas sorrirão, e é tudo culpa vossa!
As pessoas apareceram mais nos vossos concertos depois do “Pulp Fiction”?
Recuso-me a responder a essa questão...
Nos vossos últimos dois discos afastaram-se do space-surf-rock dos primeiros tempos. O “A Spectrum Of Infinitive Space” é um excelente disco, mas é um álbum dos MOAM? tal como os conhecíamos?
Uma coisa interessante em todos os nossos discos é o facto das alterações que se processam poderem ser detectadas de disco para disco em termos de equações matemáticas. Se estiverem atentos às diferenças entre os discos e as registarem em papel, notarão que existe um padrão. Usando essa fórmula, poderão descobrir como irão ser os nossos próximos 30 discos (se é que o querem fazer...). Por isso estes novos álbuns “non surf” são apenas uma extensão e um desenvolvimento dos primeiros. Para além disso quem é que quer fazer o mesmo disco várias vezes seguidas? Nem nós, nem ninguém que eu conheça!
Os vossos discos têm tido sempre boas produções. Podem partilhar connosco um pouco das vossas técnicas de gravação e produção? Os vossos produtores também são extraterrestres?
As pessoas que trabalham connosco não são propriamente aliens, mas têm que estar preparadas para suportar os rigores do espaço e condições atmosféricas difíceis. Voltamos outra vez á questão do cheiro. Nós somos feitos de gás, por isso esse factor é muito importante. Em estúdio tentamos apenas entreter-nos sem pensar muito nos resultados, até estar tudo feito. Depois passamos para a parte científica, em que trabalhamos esse material no nosso laboratório.
Que revolução foi essa que levou ao facto de agora muitas bandas praticarem o chamado “som MOAM?”?
Esses bravos indivíduos não têm medo de abraçar o futuro, o que é sempre bom. Mesmo que estejam a fazer uma versão do “atrosound”, será sempre o som deles. Nunca haverá o problema de uma experiência falhada. Lembrem-se disso.
Estão confiantes nessa nova geração?
Estamos mais confiantes na re-informação do que na nova geração, mas as nossas viagens no tempo fazem com que a noção de “novo” ou “velho” façam pouco sentido. Posso dizer que as coisas estão bem, com a excepção do novo presidente dos Estados Unidos, que parece ser feito do lixo retirado de uma sanita de Vénus.
Gostavamos de saber um pouco mais sobre a vossa experiência brasileira. Eram tão famosos que tiveram que se esconder na Amazónia?
Todos os dias sentimos saudades do Brasil. Lá descobrimos uma especial tangente à experiência Astroman. De tal maneira que gravámos parte do álbum “E.E.V.I.A.C.” em Belo Horizonte. Felizmente o nosso raio-invisível funciona na América do Sul, por isso se houvesse algum problema tornávamo-nos invisíveis. No entanto só tivemos boas experiências. Eles são muito amistosos para com os seres do espaço...
Para os portugueses é muito agradável ouvir a nossa língua num dos vossos temas, especialmente porque vocês são uma banda instrumental...
Isso faz parte da nossa experiência no Brasil. Descobrimos a beleza da língua portuguesa através de um tema bastante ritmado e não conseguimos resistir. Foi fantástico descobrir uma nova forma de comunicação. Como cientistas isto é muito bom para nós a vários níveis.
Podem revelar quais são os discos que mais rodam na vossa aparelhagem neste momento?
PJ Harvey, Outkast, The Monks, Os Mutantes, Velvet Underground, Rock-A-Teens, (Atlanta, GA), The Causey Way (Florida), Enon (Brooklyn, NY), Mooney Suzuki (NYC), The Spoozys (Tokyo) e mais um milhão e dois discos que estou sempre a ouvir. Sou o meu próprio DJ!
Portugal deve ser o único país da Europa onde ainda não tocaram. As vossas digressões parecem parar sempre na nossa fronteira. Têm consciência da existência do país ou será que existe alguma linha (invisível para os terráqueos...), que vos impede de virem cá tocar?
O governo português tem estado com receio de nos ter no vosso país devido ao cheiro do fato do Coco. Temos estado em delicadas negociações ao mais alto nível e isso já está resolvido. Os Man Or Astro-man? querem ir a Portugal. Por favor ajudem-nos! Vocês podem ser a nossa única esperança!...
Presos no nosso planeta há dez anos, qual é o vosso maior desejo?
Sair deste planeta, ou que este planeta desapareça. Tornou-se tudo demasiado confuso...
Arnaldo Pedro
(Mondo Bizarre # 6)
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