Entrevistas
NASHVILLE PUSSY
Foras da Lei
Em 1999 espantaram o mundo com e seu rock’n’roll sujo e suado, concertos incendiários e fotos ousadas. No mundo dos Nashville Pussy tudo se resume ao rock e ao sexo. Em “Say Something Nasty”, o seu novo álbum, deixam de lado a influência dos Motörhead para se atirarem aos riffs dos AC/DC. Com o primeiro concerto dos Nashville Pussy em Portugal marcado para o próximo dia 5 de Setembro, a guitarrista Ruyter Suys falou à Mondo Bizarre.

Como surgiu vosso nome?
O nome Nashville Pussy tem um significado muito especial e foi tirado de uma frase desse doido da "motor city" (Detroit) que é Ted Nugent. Na introdução de "Wang Dang Sweet Double Live Gonzo", ele diz: "This is a little love song that goes out to all that Nashville Pussy!".

Ainda que a primeira vista não pareça, as letras dos Nashville Pussy tem uma boa dose de humor e ironia. Acha que o humor e a ironia são importantes no universo da banda?
O humor e a ironia são extremamente importantes para nós. Os Nashville Pussy fazem rock'n'roll - seguindo na linha dos AC/DC e Lynyrd Skynyrd - e não nos queremos, nem podemos levar demasiado a sério. Afinal, "it's only rock'n'roll". Se não se tem sentido de humor, em vez dos Nashville Pussy deve-se ouvir os Coldplay. (risos)

O nome original de "Say Something Nasty" era "Keep On Fuckin". Porque o mudaram?
Bem… "Keep on Fuckin'" é uma das canções do álbum. Uma canção capaz de fazer os AC/DC corar. (risos) Na verdade, o mesmo pode ser dito de "Say Something Nasty". "Say Something Nasty" é uma citação do George Clinton tirada de "Take Yer Dead Ass Home", dos Funkadelik. Serve também de chamariz para o modo rígido e censório com que a cultura americana encara a palavra "pussy" [calão para vagina, ou seja rata, mas também mariquinhas. N.R.]. No fundo, os governantes americanos não passam de uns mariquinhas.

Costumam dizer muitas coisas malvadas (nasty)?
Claro. Há muitas coisa malvadas para serem ditas. (risos).

A Versão europeia de "Say Something Nasty" tem três temas extra, porquê?
Porque os europeus precisam de mais rata!

Vê os Nashville Pussy como uma banda de metal ou de rock'n'roll?
Nunca fomos uma banda de metal. Tocamos puro e simples rock'n'roll.

"Say Something Nasty" parece ser menos Motörhead e mais AC/DC. Perderam o interesse por música muito rápida?
O "Say Somehing Nasty" é um disco bastante rápido. O que se passa é que aprendemos a rockar melhor desde "High As Hell". O primeiro álbum, “Let Them Eat Pussy”, era como perder a virgindade, música rápida mas que acabava num instante; o segundo álbum era como a segunda vez, está-se mais confiante, é bom, mas sentimos que ainda há muito para aprender, sabemos que ainda somos principiantes; este novo álbum é como quando já sabemos o que fazer na cama. É o disco que sempre quisemos fazer mas que, no início, não sabíamos como, pois não possuíamos a habilidade necessária.

Mesmo sendo mais lenta, a vossa música continua tão incendiária, primária e crua como sempre. Alguma vez pensaram em tocar música calma e melódica?
Claro! Estou a pensar juntar-me aos Coldplay! (risos). Não, eu detesto os Coldplay. Para mim eles representam tudo o que de pior existe na música. São uns choramingas. Uns ingleses que usam a música para se lamentar, para se queixar que quando eram pequenos as mães não lhes deram atenção suficiente. Deviam era fazer terapia. Ou então deixar de lado as guitarras e irem trabalhar.

O que a aconteceu a vossa baixista Corey Parks? Como descobriram Katie Lynn, a vossa nova baixista? [entre Corey e Parks os Nashville Pussy chegaram a contar com os préstimos de Tracy Almazan. N.R.]
A Corey Parks saiu para ir tocar para com a Courtney Love nas Hole [como substituta da Melissa Auf Der Maur quando esta abandonou as Hole para ir para os Smashing Pumpkins N.R.]. A Katie foi-nos recomendada por uma banda de Nova Orleães., os Supagroup. Fizemos-lhe uma audição mas ela conhecia tão bem as nossas canções que nem sequer estivemos para perder mais tempo. Fomos logo todos para um bar.(risos)

Porque é que os Nashville Pussy tem tantos problemas com as baixistas?
Nós não temos problemas com as baixistas elas é que tem problemas pessoais. Mas a Katie é diferente. Gosta de tocar baixo, que é a primeira coisa essencial para se estar nos Nashville Pussy e gosta de andar em digressão, que é a segunda coisa essencial para se estar nos Nashville Pussy. Além disso ela é arrasadora em palco e fica extremamente bonita a tocar.

Nunca pensaram ter um homem como baixista?
Já, mas ainda não encontramos nenhum suficientemente bonito. (risos).

BANDEIRAS & BIQUINIS & GUITARRAS

A bandeira e o rock sulista tem algum significado especial para vocês?
Tanto a bandeira como o rock sulista me fazem sentir em casa. Nós vivemos, ou somos do Sul dos Estados Unidos. O Jeremy (Tompson, bateria) é do Texas, o Blain (Cartwright, voz-guitarra) e a Katie são do Kentucky e eu, apesar de ter nascido no Canadá sinto-me sulista. O sul é a nossa casa. Aí as pessoas são pachorrentas, orgulhosas, comem boa comida e estão sempre a rir-se- Esse é o meu Sul, o Sul de que gosto.

Como é que os Nashville Pussy são vistos na Europa? Acha que os europeus conseguem entender as particularidades da mentalidade sulista?
O rock'n'roll faz sentido em qualquer língua. E, muitas vezes, os europeus entendem e apreciam melhor a cultura americana do que os próprios americanos.

Não me parece nada o tipo de pessoa que tenha problemas em andar só com a parte de cima do biquini, ou de sutiã, tanto nas fotografias de promoção como nos concertos. Vocês estão a reproduzir ou a fazer pouco dos estereótipos?
Não tenho problemas nenhuns em andar só com a parte de cima do biquini ou de sutiã. Tenho é problemas em encontrar uns que me sirvam. (risos). Na verdade limito-me a ficar confortável. Não é justo os rapazes poderem tirar as camisolas e as raparigas não.(risos).

Se uma revista de homens como a Playboy ou a Penthouse vos convidasse para posar nuas aceitavam?
Não. Já fomos convidadas mas recusamos. Só aceitaria se me dessem dinheiro suficiente para comprar uma boa casa para os meus pais Como é ser casada com um dos elementos da banda? [Ruyter é casada com o vocalista Blaine N.R.]
É fantástico. Todas as noites tenho com quem ir para a cama. (risos)

Ser casada com o Blaine torna mais fácil ou mais difícil escrever os temas dos Nashville Pussy?
Não me parece que faça grande diferença. Mas ajuda estarmos sempre juntos. É muito divertido fazermo-nos rir um ao outro com letras estúpidas e palavras engraçadas. O Blaine continua a conseguir divertir a banda toda com as suas letras. O que é um óptimo divertimento para quando nos encontramos totalmente estafados.

Continua a cuspir água para cima do público?
Quando vejo que estão com sede sim. (risos).

Uma vez disse que um bom concerto era aquele em que saímos de lá a querer ir para a cama com o guitarrista. Ainda pensa assim?
Continuo a pensar exactamente da mesma maneira! E gostava que saíssem dos nossos concertos a pensar assim, tal como as pessoas costumavam sair dos concertos dos AC/DC ou dos Led Zeppelin, a quer ir para a cama com o Angus Young ou o Jimmy Page.

A frase "sex and drugs and rock'n'roll" tem algum sentido para os Nashville Pussy? É um modo de vida que se reflicta na vossa vida privada ou apenas que aproveitem para os concertos?
Toda agente na banda faz as três coisas: sexo, drogas e rock'n'roll. Mas só somos escravos da música. Aprendemos com os Motörhead que é possível tocar e divertirmo-nos o mais possível durante a vida inteira desde que não deixemos as drogas tomar conta da nossa vida. Além de que é difícil tocar tão duro como nós tocamos, noite após noite, se ainda estivermos a sentir os efeitos da farra da noite anterior. A razão porque as pessoas vão para a universidade é para descobrirem que quantidade de farra conseguem aguentar. (risos).

Quais foram as consequências pelo facto do tema "Fried Chicken and Coffee", de “Let Them Eat Pussy", terem sido nomeados para um grammy?
Fomos convidados para uma série de festas reles e os nossos pais puderam finalmente dizer aos amigos e conhecidos o que nós fazíamos sem sentirem vergonha. (risos)

Aparece em muitas revistas de guitarras. Quão importantes são as guitarras para si?
Adoro guitarras. Adoro ouvir uma guitarra bem tocada e por isso não suporto ouvir todas essas bandas de nu-metal que se limitam a fazer barulho com os seus instrumentos. Adoro o modo como soa uma guitarra Gibson através de um amplificador Marshall. Se a televisão está a dar imagens de alguém a destruir uma guitarra mudo de canal. A minha alma fica condoída ao ver esse tipo de coisas. As guitarras são como os animais e as crianças, numa relação deviam sempre ser protegidas. As guitarras deviam sempre ser deixadas fora de lutas. Quem destroi uma guitarra tem problemas.

Quais são os seus "guitar-heroes"?
Jimmy Page, Angus Young, Neil Young, Nancy Wilson, Pete Anderson (Dwight Yoakum), Eddie Hazel (Funkadelic) e Drew Abbot dos Bob Seager System.

Lorena Star
(Mondo Bizarre # 12)