NO USE FOR A NAME
NOVOS HORIZONTES
Com "More Betterness" os No Use For A Name reafirmaram a sua posição como uma das forças maiores da cena harcore-melódica vinda da Califórnia. O novo álbum, a passagem por Portugal integrados na digressão da Fat Wreck Chords, e o crescente sucesso das bandas hardcore serviram de mote para uma conversa com o vocalista e guitarrista Tony Sly.
Vocês tocaram em Portugal pela primeira vez no final de 1999. Obtiveram as reacções que esperavam?
As reacções foram fantásticas e estou ansioso por voltar aí! O público tem muita energia e respondeu muito bem à nossa música.
Nos outros países da Europa, as reacções à digressão também foram positivas?
Sem dúvida. Nós também tocámos na Irlanda pela primeira vez e apesar do concerto não ter sido dos melhores penso que temos lá futuro. A digressão passou ainda por Espanha, Itália, Hollanda, França, Inglaterra, Suiça, Austria e Alemanha, que para nós são sempre bons sítios para tocar pela excelente resposta que temos em termos de público.
Provávelmente de todos esses países aquele que tem um circuito hardcore mais forte é a Alemanha. Sentiram isso nestes concertos?
Sim, desta vez houve um aumento de público nos concertos da Alemanha. Talvez tenha a haver com os festivais de Verão que fizemos lá em 1998.
Notam diferenças a nível de aceitação, entre a América e a Europa?
Nem por isso. As coisas acontecem mais ou menos da mesma maneira e ao mesmo tempo. Aliás em Fevereiro vamos fazer parte da digressão americana da Fat Wreck Chords e que é algo semelhante ao que fizémos na Europa o ano passado.
Por esta altura já devem estar fartos das pessoas vos compararem com os Bad Religion...
Esse tipo de comparação era algo que acontecia muito nos primeiros tempos da banda. Hoje em dia já não acontece tanto. Os primeiros discos dos Bad Religion foram uma grande influencia para nós e para qualquer outra banda punk actual.
Veêm o vosso novo álbum como a continuação da fuga ao cliché "hardcore melódico"?
Como compositor não vejo as coisas como uma "procura" mas sim como uma progressão natural. O processo de composição de "More Betterness" foi o mais descontraido de todos os álbuns. Normalmente os discos punk não têm muito "staying power", mas nós gostamos de pensar que este tem. Quanto mais o ouço mais gosto dele, e este parece ser o consenso das pessoas que o compram. Os clichés não duram muito, por isso acho que de alguma maneira tens razão.
Por outro lado as letras revelam um grande cuidado de escrita.
Eu penso que as letras são o veículo que guia a música a todo o lado. Neste disco eu foquei essencialmente assuntos que me tocam pessoalmente. Será, talvez, porque estou pouco mais velho e mais sensível? Não sei. O que sei é que as letras são muito importantes para mim.
A versão de "Fairytale of New York" é muito interessante. Como é que aparece no contexto do disco?
Nós gostamos dos Pogues, adoramos esse tema e pensámos que seria um bom acrescento para a diversidado do álbum.
Mudando de assunto, como veêm o sucesso dos Offspring que passaram de banda underground para vencedores dos prémios MTV?
No princípio estranhei um pouco, mas já me passou... No que toca a negócios olho para eles como olho para qualquer outra banda mainstream. Pessoalmente acho que são bons rapazes.
Pensam que os No Use For Name se podem tornar nos novos Offspring?
Quer dizer ficar com o nome "Offspring" e fingir que somos eles mas mais novos e frescos? Talvez nos pudéssemos chamar "The Offspring's" ou "The Springoffs". (risos)
Muita gente chamou "sell-outs" aos Green Day quando eles assinaram por uma editora multinacional. Na altura o que pensaram sobre eles?
Bem, eles realmente começaram por "selling out" os locais onde tocavam. Para ser honesto, eu estava demasiado entusiasmado com o álbum "Dookie" para me importar com o resto. Essa é a minha maneira ver a música: ouvindo apenas.
Uma banda pode tornar-se grande sem fazer consessões?
Sim, os NOFX.
Quais foram, para si, os melhores álbuns de 1999?
Não sei se são todos de 99 ou se algum é de 98: NOFX "The Decline", Dance Hall Crashers "Purr", The Misfits "Famous Monsters" e os últimos álbuns dos Jimmy Eat World e Burning Airlines.
Pedro Esteves
(Mondo Bizarre # 2)
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