Entrevistas
PAUL DE JONG
A METADE DE UM LIVRO SEMIABERTO
Paul de Jong é cara-metade dos The Books, uma das partes de um dos duos mais curiosos que o século XXI trouxe ao mundo. Apesar do passado musical bastante distinto do de Nick Zammuto (a outra parte do duo criativo), quis a força do destino – ou qualquer coisa que o valha – que se conhecessem em Nova Iorque e formassem um projecto que baptizaram de The Books, não só por serem ávidos leitores, mas também porque The Headless Strausses não é coisa que soe bem ao ouvido de qualquer um. Por outro lado, o que soa nos Books é a mistura dos samples (o projecto aprecia o cultivo de uma espécie de livraria sons que constitui o ponto de partida para muitas das suas composições) com elementos acústicos, doseada de forma justa em três discos. O último deles, “Lost And Safe” é mais um capítulo de um projecto sediado na Tomlab Records que funciona como uma fábrica sonora onde as peças são trabalhadas à vez, com delicadeza, com o tempo que merecem. Enquanto os The Books não rumam a Portugal para concerto como duo, Paul de Jong, o entrevistado, vai abrindo algumas das páginas de um livro escrito a duas mãos, em noites iluminadas por um candeeiro a óleo, com um olho no passado e outro nos tempos que hão-de vir. Se o violoncelo emprestado funcionar, Paul de Jong estará presente na Galeria Zé dos Bois em Lisboa, no próximo dia 22 de Julho, pelas 23 horas, para um concerto a solo integrado nas “Lost And Safe Sessions”.

Quando e como começou a fazer música? Sei que o seu passado musical fez-se no violoncelo clássico...
Comecei a tocar violoncelo aos cinco anos e nunca parei desde então. Sou de uma família de amadores musicais e eu e a minha família tocávamos sempre música de câmara clássica em casa. Senti-me atraído pelo violoncelo desde tenra idade e nunca quis tocar outro instrumento. Os meus pais sempre apoiaram a minha escolha de tocar violoncelo e arranjaram-me professores maravilhosos, e eu comecei a dar concertos com tenra idade, mas sem a pressão de uma “carreira de criança”. Assisti a muitos concertos com a família e mesmo quando era muito novo já assistia a concertos de música “moderna”, e fiquei imediatamente atraído pelo som de técnicas alternativas de tocar e comecei a experimentar com linhas similares. Tinha um gira-discos quanto tinha cinco anos e ficava deliciado com as belas e muitas vezes engraçadas formas como a mudança de velocidade do gira-discos (16-33-45-78 rpm) era capaz de revelar e modificar o carácter do som. Na minha adolescência comecei a fazer peças radiofónicas e a incluir os meus próprios “efeitos sonoros”, cortando cassetes áudio e colando-as de novo com verniz das unhas. No Ensino Secundário, fiz parte de um grupo de amigos que experimentava com instrumentos, amplificação, edição de cassetes, sintetizadores, vídeo e filmes, e fiquei, através de formas divertidas, familiarizado com uma vasta série de disciplinas e as suas técnicas em todo o tipo de combinações. Toquei em bandas, compus noise e paisagens, escrevi poesia e peças de teatro, e toquei música clássica para violoncelo. Não havia muito tempo de sobra para o trabalho de escola regular.

A história do projecto The Books começou em 2000 quando conheceu Nick Zammuto em Nova Iorque. Apesar de terem interesses similares, o vosso background musical era muito diferente na altura. Como é que a conciliação entre os dois mundos resultou nos discos dos The Books?
Desde o primeiro dia em que nos conhecemos, sentimos um amor similar pelo som e pela arte em geral. Apesar de termos realmente diferentes backgrounds e mais de dez anos de diferença, quando começamos a ouvir a colecção de samples de cada um rimos e choramos por causa das mesmas coisas. Para cada um de nós, a força do som está na sua capacidade de evocar um sentimento poderoso e único sempre e cada vez mais, sem nunca ficar aborrecido ou “velho”. Ambos parecemos sempre ser atraídos para estas particularidades do som e depressa percebemos que os nossos diferentes backgrounds ligavam-se bem de forma quase pouco usual e eram complementares um do outro. Quando o Nick propôs que começássemos uma banda e a fazer “música pop” ficamos ambos um pouco confusos sobre como definir o fenómeno da música pop, já que nunca antes tínhamos pensado em fazer algo assim. Por isso começamos a definir este termo em formas musicais da melhor maneira que podíamos, e divertimo-nos muito durante o processo. Na verdade, ficou provado ser um conceito tão inspirador que ainda estamos a trabalhar juntos cinco anos mais tarde, e felizes. De certa forma tornamo-nos no nosso próprio fenómeno, no qual desenvolvemos uma linguagem musical que funciona para ambos, enquanto preservamos igualmente o nosso desenvolvimento individual como artistas. Uma coisa rara e preciosa para ambos.

Como é que criam música nos The Books? Dão valor ao processo de interacção ou também trabalham sozinhos?
Desde o primeiro dia, para nós, nunca houve um método particular de trabalhar juntos. Há tanto trabalho para ser feito no processo de criar a nossa música que parece que estamos a fazer apenas o que é necessário num determinado momento, sem termos de pensar demasiado em dividir o trabalho: ambos fazemos tudo ao mesmo tempo. Muitas das vezes um de nós tem uma ideia e começa a trabalhar nela no computador até bater numa parede, e aí envia o esboço para o outro para continuar o trabalho ou criar um progresso muitas vezes inesperado. Neste caso podemos surpreendermo-nos um ao outro e muitas vezes o nosso trabalho individual vai ser alterado completamente e ficar irreconhecível, o que por vezes pode ser um pouco forçado para os nossos egos. Contudo, sabemos que respeitamos o trabalho um do outro ao ponto de as mudanças que o outro faz serem sempre feitas com as intenções viradas para o resultado musical final e nada mais. Uma forma altruísta de trabalhar resulta em música altruísta. Sabemos como dar espaço um ao outro mas ao mesmo tempo nunca nos cansarmos de lutar pelas nossas crenças individuais. A um nível técnico, complementamo-nos um ao outro e assim que um de nós aprende a dominar uma nova técnica ou software partilha completamente esse conhecimento com o outro. Há alturas em que é simplesmente mais benéfico para a música e para a produtividade trabalhar sozinho por um período de tempo, assim como há alturas em que simplesmente temos de estar na mesma sala para obtermos quaisquer resultados. Fazemos muitas audições ocasionais à nossa “biblioteca de sons”, e também adoramos improvisar nos nossos instrumentos, guitarra e violoncelo. Convidamos regularmente amigos para jantar e eles juntam-se nas sessões de audição e trazem os seus instrumentos, assim como as suas delícias culinárias.

A que é que dá mais valor: a capturar os samples ou misturá-los nas canções, ao processo de pesquisa ou ao processo de composição?
Não há uma linha clara entre coleccionar e compor. Ambos adoramos “escavar” e encontrar sons gravados que sejam estranhos, bonitos e pouco usuais. Eu sou um coleccionador nato, influenciado pela minha família que durante gerações teve olho para antiguidades pouco usuais, livros e obras de arte. Tenho uma curiosidade sem fim por coleccionar imagem e som, e adoro construir a “biblioteca de sons” só para a minha própria diversão. Consigo passar horas a vaguear pelo disco do meu computador a ouvir este mundo sonoro estranho que criamos para nós mesmos. As muitas horas de audição são necessárias para internalizar o som no subconsciente, porque os sons essenciais costumam apresentar-se vindos da memória nas alturas em que estamos a compor a nossa música. A nossa música é uma das formas mais naturais e orgânicas que nós encontramos para partilhar estes sons que adoramos com os nossos ouvintes e igualmente preservar estes sons para que não sejam esquecidos. Por isso, para mim, o capturar e o ouvir de todo e cada som é uma alegria pessoal e uma obsessão, mas o processo de composição é essencial para fazer com que tudo isso seja uma ferramenta produtiva. Poderia dizer que o processo de composição justifica a quantidade de tempo que passamos a acumular novos samples.

Todos os discos com o Nick Zammuto nos The Books foram gravados em sítios diferentes. Sente a necessidade de se ver a si próprio em locais completamente diferentes para criar música?
Nem por isso. O facto de especialmente “Thought For Food” ter sido composto e gravado em muitos sítios diferentes influenciou um pouco o carácter do trabalho. Nós simplesmente não tivemos muita escolha naquela altura, se queríamos continuar a trabalhar juntos, porque as circunstâncias de trabalho e as nossas vidas pessoais faziam com que estivéssemos sempre a mudar de local e separados durante longos períodos de tempo. Desenvolvemos uma boa forma de comunicar a qualquer nível: discutimos a música por telefone, correio e e-mail, mas adoramos passar semanas juntos no mesmo local e concentrarmo-nos apenas na produção conjunta, dia a dia. Os outros dois discos foram, na verdade, criados mais ou menos num local apenas, e pelo menos aos nossos olhos, levaram-nos a uma coerência mais firme e a uma maior consistência de carácter nesses trabalhos. Eu crio música seja onde for que me encontre e a localização não parece ser essencial, mas o silêncio é.

"Lost And Safe", o ultimo disco dos vosso projecto inclui muito mais vocalizações do que os dois primeiros discos e menos violoncelo, e esses parecem ser apenas dois dos novos “elementos” que indicam uma possível nova direcção na vossa música... Vê este último disco como uma espécie de disco de transição?
Todos os discos são de certa forma disco de transição. Nós não pensamos nesta formas de criar um corpo de trabalho de proporções bíblicas. Apenas continuamos e sentimos com tudo aquilo que parecemos alcançar na música, que é apenas o começo de algo novo e excitante. Pensamos a longo termo, e esperamos que ainda estejam muitos discos por vir. Muitas das ideias que já tínhamos tido durante a feitura de “The Lemon Of Pink” apenas tivemos hipótese de as por em prática em “Lost And Safe”, simplesmente porque tínhamos muitas para colocar num disco apenas, para além das ideias que eram suficientemente interessantes para perseguir mas que não eram apropriadas para aquele trabalho em particular. Tínhamos um catálogo gigante de ideias por usar. Centrarmo-nos mais numa única voz esteve muito mais relacionado com o tentar unificar as muitas vozes diferentes que usamos na nossa música. Queríamos igualmente habilitarmo-nos a interagir mais livremente entre as nossas próprias vozes e vozes encontradas, e entre as nossas letras e as letras encontradas. Não há na realidade menos violoncelo no disco. Na verdade, cada canção incorpora violoncelo de uma qualquer forma, mas muitas das vezes mais subliminal e menos “solo”. Na realidade, em “Lost And Safe”, há poucos instrumentos que realmente se tornam instrumentos “solo” numa forma tradicional. E isto está muito relacionado com o facto de que quando começamos a fazer o disco, pensamos muito sobre como unificar a instrumentação para que pudéssemos traduzir melhor a nossa música para as actuações ao vivo. Isso resultou muito bem, e a experiência ao vivo deu-nos de novo muitas ideias que serão, de alguma forma, traduzidas no próximo disco, seja lá quando isso for.

Adicionaram dois novos elementos aos The Books para a digressão: Anne Doerner e Mikey Zammuto, o irmão mais novo do Nick. Como é que vêem os The Books desenvolverem-se para lá do duo criativo?
Começamos a trabalhar um pouco com a Anne Doerner já durante “Thought For Food” e a colaboração intensificou-se durante “The Lemon Of Pink”. Ela não participou em “Lost And Safe”, mas depois juntou-se em digressão connosco e tocou mais instrumentos do que eu e o Nick conseguimos lidar juntos: violino, viola, clarinete, banjo fretless, guitarra e voz! A Anne é uma música maravilhosa que tem muitos, muitos interesses, e tem grande aptidão para absorver todo o tipo de estilos tradicionais de música, por isso aprendemos muito com a sua sapiência em música antiga, Cajun e Cape Breton. Ela é igualmente uma música treinada classicamente e agora está a perseguir mais os seus interesses de novo. O Mikey é o baixista mais sólido que poderíamos desejar, é o seu tocar de baixo que surgiu em “Mikeybass” no nosso primeiro disco. O Mikey foi em digressão connosco e adicionou uma composição sua (que não está gravada) e divertiu-se bastante por todo o lado, já que ele tem apenas 20 anos. Trabalhar com pessoas dedicadas que são músicos criativos com uma mente independente é, obviamente, um privilégio para nós. Neste momento, eu e o Nick estamos a desenvolver espectáculo só para nós os dois que começaremos a apresentar em digressão em Janeiro de 2006. Depois disso esperamos criar uma banda maior de novo para a digressão no Outono/Inverno de 2006, e nós estamos a tentar conhecer os muitos músicos capazes que se apresentam a nós durante este dias para decidirmo-nos em relação à dimensão em podemos envolvê-los no processo de fazer música com os The Books, mais do que simples performers. Veremos. Talvez um dia sejamos uma espécie de Books-orquestra.

Hoje em dia, quando tocam ao vivo como The Books, usam muitos instrumentos reais, até como resultado de “Lost And Safe”. Como é em comparação com fazer música em estúdio, ou por outras palavras, como é traduzir os vossos discos para os espectáculos ao vivo?
Demoramos imenso tempo até percebermos como íamos fazer para traduzir a nossa música de estúdio para o palco. Adoramos estar em estúdio e ter todas aquelas possibilidades sem fim de instrumentação nos nossos computadores. Mas também descobrimos que podemos fazer uma quantidade enorme de coisas diferentes em frente de uma plateia, quando ao vivo. Percebemos isto antes de começarmos a compor “Lost And Safe” e os resultados falam por si. O maior problema que encontramos ao fazer os espectáculos ao vivo foi o facto de não querermos levar os laptops para o palco e deixar para trás os instrumentos acústicos que adorávamos tocar. Tocamos os nossos instrumentos a toda a hora no estúdio também. Decompondo de certa forma a nossa música para a tornar mais convincente como um espectáculo ao vivo, fizemos descobertas maravilhosas que enriqueceram a forma como pensamos em apresentar o nosso trabalho. Há também algumas coisas que apresentamos em palco que não podemos colocar em disco, por isso o concerto espectáculo de palco torna-se mais numa coisa bem distante do nosso trabalho gravado.

Esteve a trabalhar num programa promovido pelo governo holandês para criar música baseada em bairros, mas ocorreram alguns problemas. Como é que a situação se está a desenvolver? Qual é a sensação de fazer “música pública”?
A certa altura tive medo que as políticas culturais locais tivessem ficado tão hostis em relação aos projectos de arte com um lado social que o meu projecto para os bairros de Roterdão não sobrevivesse. Felizmente, tive bastante sucesso com as cinco peças que fiz em anos passados em Roterdão que fui autorizado a completar o projecto no próximo ano e finalmente fazer um disco com oito peças inspiradas em oito bairros diferentes. A próxima composição será sobre o canto mais longínquo da cidade, um local de praias a que chamamos de “Hook Of Holland”. É um local que muda radicalmente uma vez por ano quando milhares de pessoas vão para lá durante o Verão. Quando se vai lá durante o tempo de Inverno, tudo é completamente diferente, com pessoas que vivem lá, mas que fazem tão parte da cidade como os turistas que vêm do centro quando o tempo está bom. O facto de em todos os bairros em que eu trabalho existirem muitas culturas diferentes, e muitos dos bairros com casas sociais estarem num período radical de transição quase permanente, faz com que eu queria criar música que faça com que de certa forma todos se sintam em casa. Significa que para mim os meus parâmetros de experimentação não são inteiramente escolhidos de forma livre, mas atraídos por aquilo que eu encontro nesses locais. É realmente o desafio de criar algo pessoal que é tão universal como a música devia ser capaz de ser. Cresci em Roterdão e a cidade é muito querida para mim, apesar da teimosia estúpida das forças politicas que estão no poder e na oposição. Mas a minha música é em primeiro lugar para as pessoas de Roterdão, e isso inclui os membros do governo de alguma forma.

Por falar em vida pública e causas politicas, “Lost And Safe” parece ser pelo menos mais politico do que os dois primeiros discos. Vê a música como uma possível reacção a esse tipo de problemas?
Sempre dissemos que fazer os nossos discos era 50 por cento do trabalho. O ouvinte completa a outra metade ouvindo e tirando as suas próprias conclusões da sua estrutura de referência. Nas nossas buscas por um novo som e ideias, encontramos muitas vezes gravações históricas e declarações que foram feitas há quarenta anos atrás ou mais, e achamos muitas das vezes que essas declarações estão vivas e à altura dos dias de hoje, da vida de hoje, tal como estavam na altura em que foram feitas. Quando tropeçamos nos dias de hoje não vamos passá-las. O Nick e eu somos uma parte da sociedade como todos os outros, por isso a politica desempenha um papel na nossa vida, assim como na de muitos. Mas nós não somos políticos, somos músicos. Não achamos que “Lost And Safe” seja mais politico ou critico de qualquer forma do que os nossos dois primeiros discos. A música e a arte reflectem toda a forma como nós pensamos e nós não queremos desempenhar um papel de protectores para os outros ao fazermos as declarações que fazemos. Ficamos chocados ao vermos as reacções fortes ao nosso uso da palavra “America” três vezes em “Lost And Safe”. É de visão curta defender que por usarmos essas palavras no nosso trabalho ele se torna politico. Isso diz mesmo muito sobre as preocupações das pessoas que ouvem a nossa música. O que, de certa forma, é bom, porque parece que as pessoas têm sérias preocupações. Se as pessoas acreditam na democracia é verdadeiramente importante que participem na sociedade e que ofereçam um contributo positivo, especialmente no que diz respeito ao nível local. A democracia é sobre números tranquilos, não sobre uma mão cheia de bocas que falam alto.

Vem sozinho a Lisboa para um espectáculo a solo. Vai apresentar música dos The Books ou música a solo? Vai também usar os vídeos que têm vindo a coleccionar e usar nos espectáculos dos The Books?
O espectáculo de Lisboa vai ser uma coisa informal. Não tivemos ainda a oportunidade de levar os concertos dos The Books para a Europa, por isso vou apresentar vídeos que nós utilizamos nos nossos espectáculos que fizemos a partir de algumas faixas de “Lost And Safe” e de “The Lemon Of Pink”, assim como alguns vídeos de material que não está no disco. Vou tocar algumas peças para violoncelo que compus para Roterdão, e algumas das minhas desacompanhadas peças para violoncelo, tradicionais, arranjos, assim como improvisações. Na verdade, tenho apenas uma vaga ideia daquilo que vou fazer, já que vou pedir um violoncelo emprestado um dia antes do concerto e não faço a mínima ideia se vou conseguir tocar com ele. Mas sou todo confiança, apesar de tudo.

Tem planos para um disco a solo?
Sim, adorava fazer um disco a solo que na realidade teria apenas violoncelo numa faixa, sem overdubs. Mas eu estou a olhar para um calendário onde os The Books tiram-me a maior parte do tempo, e um disco a solo demorará alguns meses a preparar. Estou constantemente a trabalhar em material novo no violoncelo, mas muito desse material acaba nas faixas que eu compus para Roterdão. Essas peças serão provavelmente lançadas até ao final de 2006. Depois disso terei tempo para começar novas gravações para um projecto meu, de novo. Nunca fico sem ideias, e o trabalho nunca acaba. E fico contente com isso. A música é uma vida maravilhosa.

André Tiago Gomes
(Mondo Bizarre - Julho 2005)