Entrevistas
PENNYWISE
No próximo dia 25 de Maio, os Pennywise regressam a Portugal para participarem numa das datas da Deconstruction Tour. Directamente de Hermosa Beach, Jim Lindberg falou á Mondo Bizarre, entre outras coisas, do novo álbum "Land of the Free?", da morte de Joey Ramone e do que podemos esperar do seu concerto.

É verdade que os Black Flag e os Circle Jerks foram uma grande influência para os Pennywise, na altura em que formaram a banda?
Sim, ambas as bandas vêm de uma pequena cidade daqui e foram importantes porque era como termos os Aerosmith e os Def Leppard a viverem na nossa cidade. Eram fantástico ver tipos normais a tocarem punk, fazerem música importante. Por isso influenciaram-nos em vários aspectos.

Não é a primeira vêz que participam numa digressão como a Deconstruction ou a Warped, onde misturam música com desportos radicais. Quais são os seus desportos favoritos? Sei que costuma fazer surf...
Eu faço muito surf, mas já não pratico tanto skate como antigamente, mas uso-o muito como meio de transporte. Os desportos radicais são óptimos para nos mantermos em forma e continuarmos jovens.

Pessoalmente, prefere tocar neste tipo de eventos ou realizarem digressões sozinhos?
Nós gostamos deste tipo de concertos porque temos oportunidade de tocar com muitas bandas de que gostamos, e ao mesmo tempo é bom para os fãs deste tipo de música poderem assistir a vários géneros de bandas.

Na Deconstruction Tour tiveram alguma importância na escolha das bandas do cartaz?
Não, ninguém nos perguntou nada, mas não há problema porque gostamos de todas as bandas que vão actuar. Há muito tempo que sou um fã dos Avail e dos Lagwagon, que infelizmente não tocam em Portugal, e o mesmo se passa com as ouras bandas. De certeza que não vamos perder nenhum dos concertos das outras bandas em cartaz.

É a segunda vez que actuam em Portugal, já que a primeira foi com a Warped Tour. Que memórias guardam desse concerto?
Foi um bom concerto. Era a primeira vez que tocávamos em Portugal e como gostámos de aí estar, estávamos ansiosos por voltar. Tínhamos um amigo aí que nos levou a surfar, o que foi óptimo, poder andar em digressão e poder surfar em novos sítios.

O que podemos esperar do vosso concerto? Será semelhante ao anterior ou já vão apresentar temas do "Land Of The Free?"?
Desta vez vamos tocar temas diferentes. Através do nosso site pedimos aos fãs para fazerem a lista dos temas, por isso esperamos que os fãs portugueses visitem o nosso site e participem na elaboração dessa lista. Em relação ao "Land Of The Free?" vamos tocar alguns temas, mas não muitos, já que o álbum ainda não foi editado em Portugal. Como sei que o público vai querer ouvir alguns temas antigos, vamos tentar estabelecer um equilíbrio entre os temas novos e o material que eles já conhecem.

Em relação ao novo disco, "Land of The Free?", o título parece bastante irónico quando aplicado a uma capa em que mostram um batalhão da policia de choque...
Sim, na América tentam fazer passar a mensagem de que somos o país da liberdade, mas na realidade as grandes companhias dirigem uma boa parte do governo e decidem a política por nós. Por isso até que ponto é podemos ser livres quando os nossos direitos são ditados pelos grandes negócios? Para além disso, o nosso direito de protestar esta política está escrito na constituição, mas o que acontece na maioria dos casos é ver-se a polícia a tentar com que isso não aconteça...

Em termos musicais e líricos, o que podemos esperar do novo disco?
Vai ser um disco mais político que o anterior, incluímos alguns temas sobre alguns activistas e sobre o que passa na nossa sociedade. Musicalmente mantém a mesma linha do que fizemos no passado, mas vamos tentar passar outro tipo de mensagem para que as pessoas ouçam e tomem consciência. No geral estamos bastante satisfeitos com o resultado final. Acho que conseguimos alguns bons temas em que colocamos a nossa opinião sobre vários assuntos. Possivelmente, quem nos ouvir irá entender onde queremos chegar. Esperamos que vos inspire a fazer alguma coisa.

No próximo volume da compilação "Punk-o-rama" vão incluir uma versão dos X. Já pensaram em editar um disco só com versões das vossas bandas preferidas?
O nosso baixista já tinha falado nisso e todos achámos que seria uma boa ideia. Já temos algumas ideias para as versões, mas também gostaríamos de incluir alguns temas antigos que queremos regravar. Para já queremos desenvolver melhor estas ideias e editar o disco algures no próximo ano.

Por falar em versões, no vosso site têm uma secção onde mencionam as versões dos vossos temas que foram feitas por outras bandas. Como reagiriam se alguém organizasse um álbum tributo aos Pennywise?
Seria uma honra par nós. Esse tipo de discos são interessantes principalmente se cada banda interpretar o tema á sua maneira e não se limitar a imitar o original. Neste momento estou envolvido na realização de um tributo aos X, e estou a tratar de reunir uma série de bandas para gravarem temas deles.

Há uns meses editaram um disco ao vivo. Este concerto era assim tão especial ou quiseram apenas dar uma amostra dos vossos melhores temas ao vivo?
Nós nunca fomos grandes apreciadores de discos ao vivo, mas existe algo na gravação de estúdio que esterliza o som, foi por isso quisemos editar um disco ao vivo para que as pessoas pudessem ouvir como é um concerto dos Pennywise. Para além disso a gravação ficou boa, e como estávamos a tocar perto da nossa cidade, estavam lá todos os nossos amigos. O tipo que dirige o clube é nosso amigo há muito tempo e sempre nos apoiou. Mas acima de tudo, o melhor foi termos os nossos amigos presentes.

O Joey Ramone morreu há pouco tempo. O que é que ele e sua música representavam para os Pennywise?
Eu considerava-o o avô do punk. Os Ramones foram responsáveis pelo som e pelo espírito do punk. Eles são uma das maiores bandas de todos os tempos, e deviam ser mencionados ao lado de bandas como os Beatles por terem criado um novo movimento. Quando me apercebi que nunca mais os ia ver ao vivo, fiquei de bastante triste. Eles eram uma excelente banda para ver ao vivo.

Chegou a conhecê-lo pessoalmente?
Uma vez o Joey Ramone veio assistir a um concerto da Warped Tour. Ele estava a ver uma das bandas e eu estava muito perto dele. Eu queria ir lá falar com ele, mas para mim ele era uma figura tão grande que eu estava demasiado nervoso para o fazer. Eu adorava ter ido ter com ele e apertar-lhe a mão, mas para mim isso era demais.

Para acabar, quer deixar uma mensagem para os vossos fãs portugueses que quiserem ir ao vosso concerto?
Preparem-se para passar um bom bocado. O concerto vai ser fantástico. As outras bandas valem a pena ver ao vivo. E usem uns bons sapatos... (risos)

Pedro Esteves
(Mondo Bizarre # 7)