Entrevistas
THE PEPPERMINTS
A RUDE PASTILHA ELÁSTICA DE JESUS CRISTO
Os Peppermints, banda punk-rock-noise de San Diego, tocam dia 14 em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois e dia 20 no Porto, no Passos Manuel.

Se não estou em erro, os Peppermints mudaram-se para San Diego (Califórnia) em 1997. Em que é que o contexto cultural/musical dessa cidade influenciou a vossa criação/criatividade?
Quando vivemos na área de San Diego, como nem sempre morámos dentro da cidade, estávamos relativamente isolados, e éramos como que ignorados pela maioria da cena musical, por isso, em vez de nos preocuparmos com o que as pessoas queriam que nós fizéssemos tanto a nível musical, como nos concertos, sentimo-nos mais livres para fazer aquilo a que a nossa imaginação nos impelia. Uma vez que esta condição durou algum tempo, conseguimos descobrir qual o rumo que queríamos seguir sem sofrer as pressões de uma cena [a de San Diego] específica.

Sentem-se parte integrante da tão aclamada cena arty de San Diego?
A esta altura do campeonato sentimos que há mais pessoas a querer que façamos parte dessa cena, do que alguma vez houve. No fundo não nos consideramos parte do ‘movimento’. Não estamos particularmente interessados na maioria da música que a dita cena produz, e pela qual é conhecida.

O vosso novo álbum – Jesüs Christ – é um desfile de 29 minutos de extravagâncias, no qual se podem contar 18 temas, sendo que a maioria deles é imperceptível. É isso que explica a vossa brutalidade?
Sim. Exactamente.

Uma vez que os Peppermints estão comprometidos com o caos, o que é que justifica a presença de baladas melancólicas e bastante assustadoras na vossa tracklist?
Tentamos não nos cingir a um determinado padrão e também fazemos por não ficar presos a uma só fórmula de fazer música; por isso, o que fazemos hoje não tem de estar directamente relacionado com o que faremos amanhã ou depois.

Como é que foi trabalhar com Gar Woods dos Hot Snakes?
Foi MUITO BOM!!! Ele é maravilhoso. As gravações foram bastante divertidas. Ele ensinou-nos tudo o que ia fazendo às misturas e com a gravação ao longo de todo o processo. Foi ele que nos ajudou a tirar o melhor partido do som, sem nos endrominar com as suas opiniões. Notou-se que ele se esforçou por que tudo soasse àquilo com que NÓS tínhamos sonhado. Foi uma sorte incrível termos tido a oportunidade de trabalhar com alguém que nos compreende tão bem! O Gar é o maior!

Com que figurinos andam em digressão? Têm um guarda-roupa muito vasto? Ou estão só à espera que um maravilhoso contrato vos venha bater à porta, para que possam começar a usar peles e lantejoulas?
Bom, as peles estão completamente fora de questão… As lantejoulas não as excluo logo à partida, mas peles é que não! O que vestimos para os concertos é mais ou menos o que usamos no dia a dia. Ainda não fizemos as malas, mas posso já garantir que não vão ficar desapontados! Quem sabe, nem fazemos nem levamos malas nenhumas!!!

Os Peppermints ao vivo são fáceis de mascar?
Não, mas somos fáceis de chupar!

Bruno Cardoso e Joana Barrios
(Mondo Bizarre - Outubro 2005)