PROJECTO SONDA
Electrónica Do It Yourself
THIS.CO
PROJECTO SONDA
Electrónica
Do It Yourself
Projecto Sonda e Thisco são dois peculiares modos de estar no universo da electrónica nacional, dois portos de abrigo para uma série de projectos que, em conjunto, têm quebrado barreiras e, muito por culpa da sua atitude “Do It Yourself” (DIY), e persistência, sido capazes de inverter as regras do jogo. A Mondo Bizarre falou com David Benasulin, dos Ultimate Architects, em representação do projecto Sonda.
Como e quando nasceu o projecto Sonda?
A ideia já existia desde finais de 2001, entre mim e o Bernardo Barata (baixista de José Castro e manager de TV Rural). Formalizou-se em Maio de 2002.
Porque optaram por uma edição conjunta?
Esta edição é um sampler caseiro, que pretende dar uma amostra das diferentes vertentes de cada banda. Daí que tenhamos resolvido colocar 2 temas de cada projecto.
O que levou à inclusão deste quatro projectos - Asiouasi, Zé Castro, The Ultimate Architects, TV Rural -, e não de outros?
A existência de cumplicidade entre todos. Em determinada altura já todos tocámos uns com os outros e às tantas, íamos assistir aos concertos uns dos outros…até que resolvemos assumir uma forma de colectividade.
Porquê a vertente electrónica como modo de expressão?
Para os The Ultimate Architects a electrónica representa uma espécie de “ver e sentir a quatro dimensões”, em relação ao espectro normal de três dimensões que rege os nossos sentidos. É um “admirável mundo novo” à espera de ser manipulado, explorado mas, sempre com um sentido de equilíbrio.
Quais têm sido as reacções ao disco? Acha que há espaço no mercado e no mundo da música nacional para um projecto deste género?
As reacções que me chegam são bastante boas e faço esta medição pela quantidade de pessoas com gostos e ideologias musicais distintas que estimam este trabalho. Dá-me uma grande satisfação atingir este cruzamento de pessoas. Acho que existe um nicho de mercado em Portugal para este tipo de projecto. A electrónica tem vindo a abrir portas há três anos e a prova disso são espaços como o Frágil, Incógnito, Maus Hábitos, etc que tem feito algumas acções com bandas desta vertente.
Acha que a política de “Faça Você Mesmo”, é, apesar de trabalhosa, artisticamente mais compensadora? E monetariamente?
É trabalhosa, sim. E muito mas, sem sacrifício não se vai a lado algum. É compensadora no sentido em que quando alcançamos alguma coisa, sabemos que se deve só a nós e ao nosso esforço. Sentimos o ímpeto de continuar. Quanto à parte financeira, ninguém se mete na música pelo dinheiro (pelo menos no nosso cantinho, em Portugal). Até podermos física, mental e humanamente, continuaremos a nossa luta.
Porque optaram os Ultimate Architects pela recuperação e reactualização da electrónica de cariz mais sombrio dos anos oitenta?
O lado negro da arte foi algo que sempre me atraiu, seja pintura, poesia, cinema. Todos nós, em maior ou menor grau, somos atraídos pelo lado mais obscuro das coisas que nos rodeiam. A questão é que nós demonstramo-lo sem preconceitos e receios. Quanto aos anos 80 (electro) é uma referência incontornável.
O que representa para si o facto de os Ultimate Architects terem sido convidadas para integrar a colectânea de projectos nacionais da This.co?
É um sinal de que, “nas sombras da indiferença, algo se move”. É uma grande honra podermos estar presente numa compilação feita por pessoas que , assim como nós, se deparam com imensas dificuldades. Mas, o desejo que as move é o mesmo que nos move e faremos tudo para estar e participar na divulgação da electrónica no nosso país.
Há alguma razão especial para o modo como os Ultimate Architects se apresentam em palco - com camisas escuras meticulosamente engomadas e gravatas?
Pretendemos recriar um imaginário que primava pelo gosto estético e representava um determinado período de grande proliferação e experimentação musical. É uma homenagem, de certa forma, aos pioneiros dos anos 80, servindo de desculpa ao mesmo tempo para cada um de nós encarnar uma personagem do universo arquitectónico.
Quais as dificuldades que tem encontrado para apresentar ao vivo os projectos da Sonda?
Todas e mais alguma mas, temos que agradecer a alguns media que nos tem “estendido a mão”. A FNAC surge também como um local obrigatório de passagem pela abertura e mentalidade que tem e estão a fazer o que muitos media não fazem: apoio à música portuguesa independente do género e credo. Como sabemos não há muitos espaços para apresentações ao vivo mas…vamos criá-los. Este ano vamos fechar o circuito FNAC, Frágil E Maus Hábitos. Para o ano estamos a planear fazer um Festival Sonda.
Raquel Pinheiro
(Mondo Bizarre # 13)
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