PUNGENT STENCH
MESTRES DO PECADO
Quando a Mondo Bizarre faz dois anos, os Pungent Stench renascem das cinzas para mais um disco. Em jeito de homenagem por termos roubado o nome de um dos seus discos, "Club Mondo Bizarre - For Members Only", conversámos com o reverendo Alex Wank sobre o passado e o presente.
Que memórias guarda dos concertos que os Pungent Stench deram em Portugal, em 1994?
Foram incríveis. Passamos uns dias fantásticos. Lembro-me que foram três concertos: um numa pequena discoteca numa estrada algures perto do Porto, outro ao pé de Lisboa num local maior com um público muito louco o que é sempre bom. Mas o melhor foi o terceiro em Portalegre onde tocámos no festival da cidade, com entrada livre. O sítio era muito bonito, mas os miúdos destruiram uma parte das cadeiras, e ninguém parecia chateado...
E ainda assim pagaram o cachet...
Inacreditável. E ainda por cima o presidente da câmara convidou-nos a todos para irmos a um bar no final do concerto.
É curioso, porque numa entrevista feita aos Brutal Truth, eles também se lembraram da mesma coisa.
É um tipo de coisa que não é muito comum. Se pensarmos que era o festival de uma cidade para onde contrataram bandas tão extremas como nós, os Brutal Truth ou os Macabre, e onde estavam a assistir as mães, os pais, os filhos e os avós é hilariante. Depois de vermos toda aquela destruição à frente do palco. Isso é algo que dificilmente esqueceremos.
E para acabar em beleza vocês fecharam o concerto com o "La Bamba".
É claro! Esse foi um tema que tocámos nos concertos de Portugal e Espanha.
O que é que aconteceu depois dessa digressão, que pelo que sei, no geral, correu bastante bem?
Depois dessa digressão compusémos um novo disco e passámos três meses em concertos nos Estados Unidos e no Canadá. Em seguida separámonos. Estávamos fartos uns dos outros, do negócio da música, das digressões, de tudo. Já não era excitante para nós. Não era divertido. Era mais uma obrigação. Por isso, decidimos que assim não fazia sentido. Até 2000 não aconteceu mais nada.
Separaram-se quando estavam no topo da vossa carreira, com o "Club Mondo Bizarre For Members Only" a ter excelentes reacções tanto em termos de crítica como do público.
Por um lado foi melhor assim, acabarmos quando estavamos em grande. Não gostaria de acabar com a banda numa altura em que estivessemos numa curva descendente.
E quando é que decidiram regressar?
Em 1997, quando fizemos a compilação "Praise The Names Of The Musical Assassins" eu pensei que nunca nos iríamos reformar e esse disco seria o último sinal dos Pungent Stench. No entanto, em Setembro de 2000 encontrámo-nos para discutir ideias sobre algumas reedições, como o "Dirty Rhymes" e o "Been Caught Buttering", e acabámos a falar dos velhos tempos. Também fizemos alguns ensaios e gostámos tanto da experiência que decidimos reformar a banda. De repente as coisas voltavam a ser como dantes. Tínhamos o mesmo espírito.
Mas entretanto o que é andaram a fazer?
Eu continuei a trabalhar numa loja de discos e ao mesmo tempo trabalhei nalguns projectos de música electrónica até 1998, altura em que abri o meu próprio negócio. O Martin esteve a trabalhar como A & R de uma editora independente austríaca.
Porque é que o Jacek Perkowski não quis voltar a tocar convosco?
Ele já não está interessado no metal e já nem sequer toca baixo. Vendeu todos os instrumentos que tinha e agora só está interessado em música electrónica, por isso nem sequer pensámos nele para esta formação. O nosso novo baixista é um amigo meu de longa data, e sabia que seria a escolha ideal por ser um tipo porreiro, bom baixista e acima de tudo saber trabalhar de uma maneira profissional.
O "Club Mondo Bizarre..." era um álbum conceptual sobre o sado-masoquismo, o "Masters of Moral" foca a Religião...
Nós tivemos o nosso disco gore, o nosso disco sexual e agora é altura para o nosso disco religioso. Eu fiquei obcecado pelos católicos, pelo Vaticano, pelas igrejas. São símbolos e imagens muito fortes. Até a Bíblia é um livro forte, cheio de sangue e ódio. É um novo disco dos Pungent Stench, um novo tempo, uma nova era, um novo conceito. Acho que encaixa perfeitamente. Se as pessoas virem o booklet, o grafismo e as letras penso que irão perceber onde queremos chegar.
Em termos musicais, este disco é muito mais extremo do que o anterior, onde estavam a criar um som próprio. Reflete de alguma maneira aquilo que andam a ouvir agora?
Quando escrevemos os temas do "Club Mondo Bizarre" ouviamos mais bandas stoner ou doom, como os Kyuss ou os Crowbar, e isso teve, de alguma maneira, influência no facto dos temas serem mais lentos e pesados. Hoje em dia ouvimos outras coisas, e para além disso gostamos de experimentar. Também achámos que era o tempo certo para fazermos música mais agressiva, rápida, técnica, complexa.
No passado os Pungent Stench chegaram a editar discos com remisturas dos próprios temas. Estão a pensar fazer o mesmo com o novo disco?
Não sei, depende de como as pessoas reagirem a este disco. É tudo uma questão de tempo, dinheiro e possibilidades. Pela minha parte eu adorava trabalhar com pessoas da cena electrónica, como os Coil ou Autechre.
Vão levar este disco para estrada?
Vamos andar em digressão no próximo ano, em Abril e Maio, e espero que possamos tocar outra vez em Portugal.
O que tem a dizer sobre o facto de vos termos "rapinado" o nome Mondo Bizarre?
É uma honra para nós quando alguém foi, de alguma maneira, influenciado pelo nosso trabalho a ponto de utilizar algumas das nossas ideias.
Hugo Moutinho
(Mondo Bizarre # 9)
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