Entrevistas
SILVERSTEIN
Rock de Emoções
Os canadianos Silverstein estreiam-se no formato longa-duração com “When Broken Is Easily Fixed”, um sólido disco de emocore, estilo que dá cada vez mais nas vistas. Leiam o que o baterista Paul Koehler tem para nos dizer...

Josh Bradford (guitarra), Shane Told (voz), Neil Boshart (guitarra, ex- Maharahj, substituiu no grupo Richard McWalter), Billy Hamilton (baixo), Paul Koehler (bateria). Estes cinco canadianos ainda são novos, embora já há alguns anos conheçam os palcos, por via de outros grupos a que pertenceram. No Verão de 2000 o quarteto editou “Summer's Stellar Gaze”, um EP auto-financiado e em 2002 voltaram à carga com um novo EP, “ When The Shadows Beam”. Este segundo EP chamou à atenção de Tony Brummel, patrão da editora norte-americana Victory Records, e num ápice os Silverstein viram-se com “When Broken Is Easily Fixed”, o seu álbum de estreia. “When Broken Is Easily Fixed” é um excelente primeiro álbum e um óptimo disco de emocore. Bem definido, melódico quanto baste e recheado de bons temas, “When Broken Is Easily Fixed” é quase como que um manual de definições do estilo e uma obra muito recomendável para os apreciadores de rock em geral.

O nome do vosso grupo deriva do de um autor de livros para crianças... Shel Silverstein. Porque escolheram Silverstein para nome da banda?
Quando a banda se estava a formar um de nós tinha uma série de livros dele na secretária. Todos nós crescemos a ler livros dele e ele era uma forma de inspiração nessa altura. Achávamos que o nosso trabalho tinha algumas semelhanças com o que ele escrevia: as emoções, a forma de agir... então pensamos que dar o nome dele ao grupo seria uma forma de tributo ao autor.

O título do vosso disco ou é demasiado optimista ou muito irónico...
É difícil explicar. Vincent desenvolveu um conceito para todo o disco. Na última faixa podes encontrar algumas linhas muito irónicas em que ele diz algo como: «So ironic that a heart made by man, when broken is easily fixed/ but a human hurt can last a lifetime». É essa a ironia que tentamos transmitir: O que o homem cria, pode rapidamente ter concerto, enquanto aquilo que mexe com as nossas emoções pode durar para sempre embora a gente tenha de seguir vivendo. É um pouco a mensagem do nosso estilo de música: Não interessa o que te aconteça, tens de seguir em frente! Tens de saber lidar com um coração destroçado!

Este disco é muito orgânico, com constantes referências ao coração e aos diversos sentidos…
O nosso vocalista, Shane Told, que escreveu as letras seria a melhor pessoa para falar disso, mas as nossas letras destinam-se ao miúdo normal, do dia-a-dia, e por isso falam das emoções que todos sentimos diariamente, e daquilo porque todos passamos, algo com que as pessoas se possam relacionar.

O uso de violino neste disco significa que querem expandir a vossa música para lá da normal banda rock com guitarras e bateria?
Desde o nosso primeiro EP que usamos um violino nas gravações, achamos que o instrumento oferece uma carga mais emocional às nossas músicas. Geralmente os grupos que começam a carreira preocupam-se apenas com as guitarras e bateria, mas se tu incorporares um violino nos teus temas, alargas a panóplia de sons a que podas aceder e transmitir outra dinâmica, outra emoção.

Sei que já estiveram em outros grupos, mas pelas fotos que conheço, vocês são ainda bastante novos…
Sim, somos novos, mas eu já toco bateria há cerca de sete ou oito anos e desde que comecei a tocar bateria, estive sempre ligado a grupos, até porque acho que é ao vivo que um músico aprende e evolui. O mesmo se passa com o nosso vocalista que já toca guitarra há vários anos num grupo punk…

O facto de durante alguns anos terem estado ligados a formações punk e hardcore, pode significar que a vossa aproximação ao emo core é na realidade a evolução natural de um músico que já não se satisfaz apenas na música mais agressiva, ou simplesmente agressiva?
Sim, evoluímos a partir dessas formas de música, mas não se pode dizer que o emocore seja um estilo a que tenhamos acabado de chegar! Pode-se dizer que as nossas antigas bandas e influências nos trouxeram até aqui…

No emocore não é comum verem-se nomes canadianos. O movimento emocore tem alguma expressão aí?
Sim, principalmente de onde vimos porque existem muitos grupos a tentarem aparecer: A Death for Every Sin, The Fullblast, The Pettit Project, Safewayhome, Boys Night Out, Figure Four, In Dying Days, Alexisonfire, e Jersey entre outras... há muitos miúdos por aqui que gostam de hardcore e emo! Há um grande mercado aqui na zona e muitos grupos fazem digressões por cá, pois rapidamente se tornam conhecidos na cena.

Há quem diga que o emocore é «the next big thing»...
Em termos de «modas» tivemos o grunge no final dos anos 80 e princípio dos 90. Antes disso tinha havido o punk... tudo aquilo que cria movimentação no underground, desperta a atenção das editoras maiores e depois vem os media mais mainstream e tudo começa a rolar. Neste momento já tens um grupo como os Thursday, a assinarem por uma multinacional. Isso vai chamar à atenção e é bom para este estilo. O emocore é o meu estilo favorito há já quase cinco anos e é aquilo que ouço e poder ligar uma rádio e escutar os grupos e músicas de que gosto é fenomenal e deixa-me orgulhoso!

Emanuel Ferreira
(Mondo Bizarre # 15)