Entrevistas
SNAPCASE
QUEBRANDO A ESTÁTICA
Com “Designs for Automotion” os americanos Snapcase estão prontos a conquistar novos mundos. A combinação perfeita da agressividade da música com a mensagem positiva das letras, tem-se mostrado eficaz. O vocalista Daryl Taberski falou com a Mondo Bizarre.

O disco anterior dos Snapcase, "Progression Through Unlearning" fez-vos conquistar uma audiência maior e a promoção do novo disco é muito agressiva. Acha que está na altura de também passar a conquistar admiradores dentro da área do rock mais mainstream?
Muito do grande esforço posto na promoção do novo álbum deve-se ao facto de, agora, a Victory ser uma editora muito mais forte. Uma banda não pode continuar a tocar sempre para as mesmas pessoas. É importante chegar mais longe. Não nos podemos preocupar com o que as pessoas vão pensar do novo disco, apenas tentamos tocar para audiências cada vez maiores.

Não vos preocupa os usuais epítetos de "sell out"?
Não. Só estamos interessados em tocar.

Com um título como "Progression Through Unlearning" partilha a ideia de que logo que nascemos começamos a ser mentalmente corrompidos e devemos desaprender certas coisas de modo a progredirmos?
Não diria que começamos a ficar mentalmente corrompidos, mas há coisas que aprendemos que limitam o nosso pensamento. Certas barreiras podem fazer com que se torne difícil entender pessoas de outras culturas ou com outro tipo de educação. Quando começamos a pensar que o nosso pensamento é o único e que todos o devem seguir, temos que desaprender esses conceitos redutores.

E quanto a "Designs for Automotion"? É um reflexo da importância de sermos auto-suficientes, de pensarmos por nós próprios?
É sobre programar e reprogramar a vida de modo a termos mais controle sobre os nossos direitos. Devemos aprender o que é realmente fundamental para nós.

Qual é a grande diferença, a nível de letras e de música, entre "Progression..." e o novo disco?
Há três anos havia só uma ou duas pessoas a escrever. Agora, isso é repartido entre todos nós, o que torna as coisas mais intensas e interessantes.

A maioria das bandas hardcore tende a ter uma mensagem positiva e em por de parte os assuntos políticos. Acha que a política já não é importante?
Há bandas que continuam a ser políticas. Houve uma altura em que era moda ter conteúdo político e nem todas as bandas estavam realmente interessadas nesses assuntos. Actualmente as bandas são mais sinceras e falam daquilo que as afecta, tenha essa mensagem conteúdo político ou não.

Voçês usam muitos elementos heavy na vossa música. Isso é consequência dos vossos gostos musicais?
Todos gostamos de diferentes tipos de música, o que acaba por se refletir nos nosso trabalhos.

Muitas bandas chegaram a um público mais vasto através da Warped Tour. Como vê esse projecto?
Gostei muito da Warped Tour e vamos voltar a tocar nela. É uma boa digressão. As bandas tocam em locais grandes e muita gente, mesmo aqueles que doutra forma não iriam aos nosso espectáculos, vão aos concertos.

Uma das ferramentas usadas na vossa promoção é a internet. Com um esquema de trabalho tão apertado como o vosso ainda tem tempo para trocar mensagens com os fãs?
Não contacto os fãs pela net. Isso fica a cargo da nossa editora. Também não gosto muito de dar autógrafos. Prefiro falar uns minutos com as pessoas que vêm aos nosso concertos.

O layout dos vossos discos é uma parte importante da vossa filosofia. O designer gráfico faz a capa a partir da vossa música?
Nós entregamos a disco e as letras ao designer e ele faz o trabalho baseado nas nossas ideias.

Gosta de desportos radicais?
Sim. Há 15 anos que practico skate e também gosto de snowboard.

Voçês são conhecidos por darem concertos explosivos. Acha importante que um concerto seja uma celebração entre a banda e o público?
É muito importante para nós que o público se envolva. Bandas que não se esforçam nos concertos são muito aborrecidas.

Vão fazer uma longa digressão com este disco. Com que bandas é que gostava de tocar?
Num mundo de sonho gostava de tocar com os Fugazi e adorava tocar com os Bad Brains. Mas temos tido muita sorte pois temos tocado com as bandas de que gostamos.

Vêm tocar a Portugal?
Não tenho a certeza.

Pedro Esteves
(Mondo Bizarre # 3)