STEVE WYNN
O SONHO CONTINUA
Dono de uma discografia de respeito, Steve Wynn é um dos melhores compositores do rock americano dos últimos vinte anos. Depois do fim dos Dream Syndicate, e da aventura Danny & Dusty, veio a bem sucedida (em termos artísticos) carreira a solo, para alem de esporádicos episódios nos Gutterball. Em conversa com a Mondo Bizarre, Wynn falou do passado, do cenário rock actual, e do seu excelente novo duplo-álbum "Here Come The Miracles".
Steve Wynn foi líder dos míticos Dream Syndicate que, no início dos anos oitenta, ajudaram à construção dos alicerces do denominado paisley underground, um movimento musical sediado em Los Angeles que constituíu a renascença do rock americano e devolveu a fé aos amantes das bandas de guitarras. "The Days Of Wine And Roses", o histórico álbum de estreia da banda, resistiu à passagem do tempo e permanece como um dos mais inspirados discos rock de sempre. A solo, gravou discos inesquecíveis como "Melting In The Dark" ou "My Midnight". Já este ano, foi editado "Here Comes The Miracles", uma obra de grande fôlego que é, sem dúvida, um marco importante na carreira do músico norte americano.
No press release do novo álbum, escreve-se que este é o seu "Zen Arcade", o seu "Exile On Main Street". Sendo um álbum duplo, é talvez o seu trabalho mais ambicioso até à data. Boa parte da crítica sentenciou que este é o seu melhor disco de sempre. Tem a mesma opinião ?
Sim, penso que é o melhor álbum que fiz até hoje. Há muita variedade neste trabalho, com vários estados de espirito. É um álbum duplo, por isso pode dizer-se que é um disco ambicioso. Mas para ser honesto, foi o álbum mais fácil que já fiz, pouco planeado. Apenas decidi pegar na minha banda e fomos para o deserto, no Arizona, com muitas canções para gravar, e foram as sessões de estúdio mais produtivas da minha vida. Se foi boa sorte ou se foi ambição, não sei mas estou muito contente porque tudo resultou muito bem.
Porque escolheu gravar o álbum em Tucson, no Arizona?
Eu gravei os meus últimos discos em Nova York, ou perto da cidade, e de certa maneira, o processo de gravação foi-se tornando previsível, pois conhecia bem os estúdios que usava, as pessoas com quem trabalhava, levava as minhas sanduíches... Desta vez quis um ambiente diferente. Estava a falar com o meu amigo Howe Gelb, dos Giant Sand, e ele disse-me "tens que vir gravar em Tucson, há aqui um estúdio óptimo e confia em mim, vais gostar". Somos amigos há muitos anos, e como o Howe é o rei do imprevisto e decidi que devia tentar. Já trabalhei com o Howe e com o John Convertino algumas vezes, e o método de trabalho deles passa por não ter as coisas muito planeadas e deixar que elas aconteçam por acidente, e foi isso que eu quis fazer desta vez, em busca de belos acidentes, e resultou.
Os seus últimos trabalhos são bastante negros em termos liricos, com personagens melancólicas, revoltadas, encurraladas, mas tambem esperançadas e sensiveis. Em "Here Comes The Miracles", a sua escrita questiona constantemente o bem e o mal, o certo e o errado, jogando com as palavras de uma forma ambígua.
Há uma canção deste novo disco que se chama "Good And Bad", que diz precisamente que não é fácil afirmar o que é certo ou errado. Muitos dos meus escritores ou realizadores preferidos, ao debruçarem-se sobre o bem e o mal, sabem que mesmo as piores figuras da história tiveram momentos de sabedoria e que os grandes santos tiveram pensamentos obscuros. Eu escrevo canções com essa linha de pensamento. Canções completamente alegres e muito pop nem sempre me parecem interessantes, mas ao mesmo tempo, não gosto de canções que são totalmente negras, sem esperança. Esse tipo de música não me excita. Gosto de encontrar a beleza e o horror na mesma proporção.
Há claras influências de literatura e cinema "noir" nas suas canções. Em matéria de ficção, quais são os seus escritores e cineastas favoritos?
Sempre tive influências desse tipo de ficção ao longo da minha carreira. Escritores como Ross Macdonald, Raymond Chandler, James Ellroy, etc, foram fontes de inspiração importantes quando comecei a escrever canções. Entretanto, tornei-me amigo de George P. Pelecanos, que eu considero ser actualmente o melhor escritor americano de ficção policial. Ele escreve sobre situações negras, mas há sempre esperança, uma certa inocência e capacidade para sonhar e imaginar um lugar melhor, memo nos piores momentos. Identifico-me bastante com a sua escrita. Gosto de livros, filmes ou canções em que possa ver personagens emocionalmente despidas, em que possa ouvir vozes verdadeiramente credíveis. Adoro canções em que a letra tem um feeling de alguém a falar. Gosto muito também dos filmes de John Cassavettes. As suas personagens são tão reais que se torna doloroso para o espectador. Eu acredito que um dos desafios de qualquer artista é conhecer-se a si própio melhor e abrir uma porta que não tinha visto antes e conhecer melhor a maneira como os seres humanos funcionam, para sentir algo de muito real. Cada disco que faço é uma aproximação a uma espécie de verdade emocional. Se os meus discos são cada vez mais negros, talvez seja a minha forma de chegar a esse ponto. Há diferentes maneiras de conseguir isso. Ao ouvir o "Pet Sounds" dos Beach Boys, impressiona-me a beleza, a emoção, a honestidade desse disco. Há diferentes maneiras de chegar a essa verdade emocional.
Quando começou a tocar imaginava que, vinte anos depois, ainda estaria a fazer música?
De forma alguma (risos). Se alguem me dizia isso, eu pensava que era doido. Parecia-me impossivel. Nessa altura, só associava a ideia de uma carreira longa a gente como o Fabien ou o Gene Pitney. Nunca imaginaria que vinte anos depois, ainda estaria a fazer música. Estava convencido que os Dream Syndicate eram uma boa banda. Quando gravámos o "Days Of Wine And Roses", acreditáva-mos que era tão bom que iria sobreviver à passagem do tempo e ser considerado um disco importante durante muitos anos. Hoje em dia, alguns dos meus discos preferidos foram feitos por gente vinte anos mais velha do que eu. Por exemplo, este ano, os álbuns do Buddy Guy e do Bob Dylan estão na minha lista dos melhores de 2001. À medida que o tempo passa, as pessoas vão-se apercebendo que o rock` n` roll não é só para adolescentes confusos e revoltados, mas tambem é um tipo de música que toca as pessoas mais velhas. Mas estou feliz por ainda gravar discos e dar concertos.
Quais são as diferenças entre a forma de trabalhar a solo e os tempos dos Dream Syndicate?
Uma das vantagens de trabalhar a solo é que posso mudar as pessoas com quem toco de disco para disco. Mas a maneira de funcionar acaba por ser a mesma. Não tenho que dizer aos músicos o que eles devem tocar ou como tocar. Escrevo as canções e depois gravo esse material, mas quando toco ao vivo, é uma banda no sentido tradicional. Posso mudar os estilos e as pessoas com quem trabalho, essa são as principais diferenças. O resto não é assim tão diferente.
O guitarrista Chris Brokaw (Come, Pullman, etc) tem sido uma presença permanente nos seus últimos discos.
Sim. Já fizemos muitas gravações juntos. O Chris é um excelente músico, escreveu todas as canções dos Come.
No início dos anos oitenta, a denominada cena paisley underground foi um movimento músical interessante. Bandas como os Dream Syndicate, Bangles, Long Ryders ou Rain Parade combinavam a ética do punk-rock, com elementos da pop, country, psicadelismo, etc. Considera que o legado desse movimento influenciou aquilo que é hoje o indie-rock, em termos de atitude perante a música e a indústria musical?
Penso que talvez tenha influenciado directamente em alguns casos e indirectamente noutros. Há algumas bandas actuais que ouviram esses grupos. Mas há outras que nunca ouviram as bandas da cena paisley underground. Mas foi um movimento que influenciou a musica que se faz hoje. Quanto mais não seja porque inventámos uma cena músical na América dos anos oitenta que não existia antes. Nós fizemos as nossas própias regras. Existe uma ligação entre bandas como os Dream Syndicate, Green On Red ou Bangles, e o que grupos como os Pixies ou Nirvana fizeram anos mais tarde. Construímos uma via para que outras bandas pudessem desenvolver o seu trabalho.
Pensa que grupos mais recentes como os Come são uma continuação desse legado?
A Thalia Zedek (vocalista dos Come) e o Chris disseram-me que foram influenciados pelos Dream Syndicate, quando começaram tocar. Eles são um pouco mais novos do que eu, mas o "Days Of..." foi um disco importante para eles. Há uma série de discos que todas as pessoas dessa geração que gostam deste tipo de música, ouviram: Gun Club, Modern Lovers, Stooges... É essa a nossa dieta (risos). Os Dream Syndicate foram a continuação do que essas bandas fizeram, da mesma maneira que os Come e outros grupos actuais são uma continuação dessa tradição. Conheço algumas bandas novas que ouviram os Come e pensam que a música deles é "cool".
Esse movimento que surgiu em Los Angeles, foi uma reacção contra as convenções do cenário músical da altura, nomeadamente o mainstream, e a situação política, económica e cultural da américa do início dos anos oitenta?
A rebelião não era contra o mainstream, mas sim contra o que era moda. O mainstream era aborrecido e estúpido e continua a ser, mas ninguem se importava com isso. Não ouvíamos bandas horrorosas como os Journey. O que nos irritava eram as pessoas que se achavam muito "cool", gente como os críticos que ditavam as modas, que tentavam convencer-nos que as bandas mais entusiasmantes do mundo eram os A Flock Of Seagles, Human League, etc, e que as guitarras estavam mortas. Nós não acreditávamos nisso. Eu nunca esperei que o mainstream fosse bom, não é bom agora, não era há dez anos atrás. Não espero que do maistream apareça algo que me excite. Mas quando o underground está doente e tenta convencer-te que má música é boa música., é altura de fazer alguma coisa. Foi umarebelião contra o tipo de lixo que aparecia no New Musical Express ou na Rolling Stone. Politicamente, é difícil de dizer... Talvez estivessemos orgulhosos de nos mantermos unidos numa era muito sintética, de plástico, com o presidente Reagan a convencer os americanos que estávamos a viver os tempos de prosperidade dos anos cinquenta outra vez. Queriamos excitação, sujidade, música crua, real, numa era em que tudo parecia artificial.
De certa forma, o grunge tambem foi uma reacção a um momento social e musical conservador. Bandas como os Nirvana ou Sonic Youth, começaram a receber atenção dos media, numa altura em que a economia nos Estados Unidos estava em recessão. Essas bandas que vinham de um "background" punk-rock, começaram a tornar-se conhecidas. Parece que este tipo de fenómenos são cíclicos?
Sim. E está a acontecer o mesmo agora. No final dos anos noventa, muita gente disse que as guitarras estavam fora de moda. Deu-me vontade de rir, porque a mesma coisa aconteceu à vinte anos atrás. De repente, apareceram este ano boas bandas de guitarras, como os Black Rebel Motorcycle Club, White Sripes, The Strokes e parece que as guitarras estão aí em força outra vez. Mas tem razão, é cíclico. É estúpido. À medida que vou envelhecendo, reparo que já por três ou quatro vezes ao longo da minha vida, ouvi as pessoas dizerem que as guitarras estão mortas e o que vai sobreviver são os sintetizadores, computadores e os samplers e dá-me vontade de rir. Se ouvires hoje um disco dos Human League, diz, o.k, isto soa datado, como se fazia há vinte anos atrás. Ouve um disco dos Stooges e soa-lhe actual. É esse o fascínio da guitar-music, é tão crua, individual, apaixonada, durará para sempre.
Bandas como os White Stripes ou The Strokes, estão a receber bastante atenção pelos media e público. Pensa que tal facto é um sinal de que algum público está à procura de bandas que estejam a regressar a uma certa pureza e simplicidade, por oposição à complexidade da música que se faz hoje em dia?
Não penso que a música electronica irá fazer com que o rock desapareça ou vice-versa. Eu gosto de música electrónica, ambiental, mas não gosto apenas disso. Se vou aos clubes e só oiço esse tipo de música, isso faz com que me apeteça ver seres humanos em palco, oferecendo-me emoção. Mas sem dúvida que está em curso uma reacção. Se vai dominar o cenário músical, provavelmente não, mas espero que as pessoas voltem a dar atenção a bandas de guitarras, para daqui a três anos dizerem outra vez que o rock está morto. (risos) Mas de momento, é excitante, fico contente por ver bandas a lançarem bons discos agora. O que é engraçado é que, de há muitos anos para cá, sempre houve bandas a gravar bons discos de rock, só que agora há mais interesse por esse tipo de música. Não é como se esta tendência aparecesse vinda de lado nehum, mas agora as pessoas parecem estar preparadas, o que é bom.
Sei que aprecia muito soul e funk, especialmente gravações dos anos setenta. Encontra elementos desses géneros nos seus discos?
É engraçado porque de todos os géneros de música que gosto, a soul dos anos setenta é uma das minhas paixões. Era capaz de estar aqui o dia todo a falar disso. Mas não oiço muitas influências de soul nas minhas canções. Talvez uma ou outra canção... "Cats And Dogs", "My Midnight" ou "My Favourite Game" (todas do álbum "My Midnight") andam lá perto. Gostei de fazer esse tipo de expriências, mas por alguma razão, não fiz muitas vezes. Talvez no futuro. Aprendi à medida que fui melhorando a minha composição, que há uma diferença entre a música de que gosto e a música que sei fazer melhor. Há músicos que tentam de uma forma óbvia soar como os seus discos preferidos, mas não o conseguem fazer muito bem. Evito fazer isso.
Disse numa entrevista que o som dos Dream Syndicate tinha muito groove...
Sim, à semelhança dos Stooges, por exemplo. Muitas das melhores bandas de rock constroem a sua música através da repetição e do groove. Grande parte do groove que existia no início dos Dream Syndicate, deveu-se à Kendra Smith (baixista da primeira formação). A forma como ela tocava tinha mais a ver com o r&b do que com o rock. Ela não queria tocar como os Scorpions (risos), mas sim soar como a malta da Motown. Os músicos que fazem grandes discos sabem que não conseguem ser verdadeiros e autênticos, imitando alguem. Sabem que é preciso ter uma voz própia, personalizada. É uma lição difícil de aprender.
Neste novo álbum, há várias referências à California. Foi premeditado?
Não. É estranho, escrevi para este disco muitas canções quase todos os dias, durante seis meses. Não sei porquê, mas muitas delas são sobre a California e o sudoeste dos Estados Unidos. Quando vivia lá, não escrevia sobre esses sítios. Mudei-me de Los Angeles para Nova Iorque à sete anos atrás, e talvez tenha agora o distanciamento suficiente para escrever sobre esses lugares. Mas não tinha planos para, desta vez, escrever sobre o deserto ou algo do género, simplesmente aconteceu assim.
Quais os motivos que o levaram a mudar-se para Nova Iorque?
Gosto da cidade, sempre gostei. Quando estava em digressão, chegava a tocar três vezes por ano em Nova Iorque. Era tão excitante tocar aqui e tão triste quando ía embora, que pensei que talvez devesse ir viver para lá. É um lugar óptimo para viver e dá-me inspiração para fazer música. Foi em Nova Iorque que fiz os meus melhores discos e isso tem a ver com o facto de ser uma cidade com tanta excitação.
Li também numa entrevista que deu, onde dizia que gosta de estar em situações limite ou perigosas. Isso ajuda a sua arte?
Pode acontecer, mas não necessáriamente. Tudo o que seja previsível origina má arte ou má música. Eventualmente, se está sempre confuso, em perigo, a arruinar a sua vida, se é isso que procura todos os dias, é aborrecido. Para mim a variedade nas coisas que me inspiram, mantêm a minha criatividade fresca. Eu só posso escrever sobre os maus momentos, depois de passar por eles. Se estou deprimido, nem penso em compor ou escrever. Mas mais tarde, olho para trás e tento perceber o que aconteceu. Mas muita da minha escrita vem da observação do que se passa à minha volta, olho para as pessoas e tento colocar-me na posição delas e escrever como se fosse a minha própia história. Não sinto que tenha de mergulhar na escuridão constantemente. Já passei por situações divertidas das quais posso extraír algo para as minhas canções, ou simplesmente, através da imaginação. Muitos escritores cometem o erro de pensarem que têm de destruír as suas vidas, para fazerem algo de relevante em termos artísticos. Não se tem uma vida longa e feliz a pensar dessa maneira.
Mas reconhece que em muitas das suas canções, há uma atracção pelo lado negro da vida?
É sobre isso que eu gosto de escrever, é mais interessante. Como escritor de canções ou como fã de literatura, cinema ou o que quer que seja, é esse o tipo de arte que mais me agrada, onde possa encontrar exemplos crús e reais de emoções humanas. Mas a minha vida não é negra, não vivo num romance policial.
"The Days Of Wine And Roses" é hoje considerado um disco histórico, que influenciou muitos músicos. Agora que o álbum foi reeditado quase vinte anos depois, que sentimentos e memórias tem desse disco?
Lembro-me de estarmos convencidos que fazíamos a melhor música do planeta, que fazíamos canções brilhantes. Acreditávamos muito em nós própios. Ainda hoje oiço esse disco e considero que é um grande álbum. Quando se trata de fazer boa música, até pode acontecer as pessoas dizerem que gostam do que faz, mas antes de mais tem de ter a certeza e a convicção de o que está a fazer é mesmo bom. E nós sabíamos isso, não tinhamos dúvidas, em parte, porque ninguem estava a fazer o tipo de música de que gostávamos, o que tornou tudo mais excitante.
Qual o segredo para ser um músico tão prolífero? Parece ter sempre canções na carteira...
É difícil de dizer. Fico satisfeito por ser assim. Não faço ideia...
É a sua vida...
Exacto. É a minha vida porque eu gosto mesmo de fazer canções. Conheço muita gente que diz "oh não, tenho um disco para entregar à editora, o que é que vou fazer? Preciso de mais canções". Isso não acontece comigo. Se tenho algum tempo livre, começo a trabalhar em temas novos. Da mesma maneira que as pessoas arranjam tempo para ir jantar fora, ir à praia ou ao cinema, eu arranjo tempo para escrever canções. À medida que vou envelhecendo, tenho cada vez mais facilidade em compor.
A revista Magnet chamou-lhe o pai do indie-rock. Concorda com essa distinção?
Desde que não me chamem o avô (risos). Talvez. Há muitos "pais". Acho que o que nós fizemos em 1982 com os Dream Syndicate, abriu caminho para outras bandas. Isso era evidente no tipo de música que fazíamos, na maneira como nos relacionávamos com a indústria, ou na forma como organizávamos as digressões, na nossa atitude como banda. São coisas importantes que muitas boas bandas actuais têm em conta. Não inventámos o indie-rock, mas ajudámos a moldá-lo. O que é mais gratificante para mim é que, seja qual for o lugar onde vou tocar ao vivo, há sempre gente que me diz ter sido influenciada pela música que fiz, o que me deixa feliz. Quando, há sete anos atrás, toquei no Johnny Guitar, em Lisboa, conheci boas bandas. Foi um bom concerto. Continua a ser uma surpresa agradável. Se faço um espectáculo em Nova Iorque, músicos de outros grupos aparecem para me ver, o que não me surpreende, porque vivemos todos aqui, vamos às mesmas lojas de discos... Mas se visito países onde nunca estive antes, e encontro pessoas que me dizem: "hey, a tua música significa muito para mim", é uma grande emoção, é optimo!
Nuno M. Castêdo
(Mondo Bizarre # 9)
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