VETIVER
ERVA EM BUSCA DE TERRA
Entre o black metal e os Thompson Twins nasceram os Vetiver, uma nova erva da folk americana. Com um som delicadamente acústico feito onde as melodias crescem da terra, os Vetiver lançaram um álbum no ano passado que contou com a colaboração de outros ervanários distintos como Hope Sandoval (dos Mazzy Star), Joanna Newsom e Colm O'Ciosoig (baterista dos My Bloody Valentine). Os Vetiver vão actuar em Lisboa, já no dia 26, no Lux.
Vetiver é agora mais do que uma erva que cresce no sudeste asiático. Nascida em San Francisco, Califórnia, uma mutação genética surgiu a partir da confluência de novas formas de ver a folk americana, entre a tradição e o underground estético da New Weird América. A free folk está aí, e os Vetiver estão no meio dela contando com o ervanário Devendra Banhart na sua formação. O relvado dos Vetiver conta ainda com a violoncelista Alissa Anderson, o violinista Jim Gaylord e o mestre ervanário Andy Cabic. O álbum homónimo do ano passado reflecte esta intersecção de personalidades, juntando ainda colaboradores como a Hope Sandoval ou a Joanna Newsom. Contaminados pela cultura latina em “Los Pajaros Del Rio” ou com aroma francês em “Amour Fou”, os Vetiver são libertinos e calmos, felizes com a vida, a aproveitar raios de sol para fazer crescer as folhas das suas ervas… e no entanto um dia prometem ligar-se à electricidade e dizem-se influenciados pelo Black Metal. A Mondo Bizarre entrevistou Andy Cabic, à procura de mais folhagens deste relvado antes do concerto no Lux no dia 26 de Maio.
O que esperava quando os Vetiver nasceram? Procurava uma nova visão da folk ou queria voltar às raízes do género?
Eu estava à procura de mais húmus, que está normalmente disponível em enormes quantidades nos bastidores da maioria dos concertos. Esperava dolmas firmes e vinhos mais finos… vinhos firmes e dolmas mais finas, e na maior parte das vezes não tenho saído desapontado.
Devendra Banhart, Joanna Newsom e Hope Sandoval participam no vosso primeiro álbum. Devendra Banhart partilha até a escrita de duas canções. Como é que isto aconteceu? Procurou estas colaborações ou simplesmente aconteceram?
Aconteceram simplesmente por ser amigo dessas pessoas. Devendra e eu partilhamos o amor pelas canções e escrevemo-las juntos tanto quanto podemos, como o ténis de mesa, que também jogamos sempre que podemos.
“Vetiver” é um álbum que foi gravado em vários locais sempre que era possível, e o resultado é como se fosse tocado no nosso quarto. Esta intimidade era premeditada?
Intimidade premeditada. Não… isso é um crime de que eu não quero ser acusado. Eu simplesmente escrevi e gravei canções com amigos o melhor que possível. Thom Monahan e eu meditamos nesta aventura juntos durante algum tempo antes e depois, mas eu não estava a procurar qualquer tipo de proximidade com o ouvinte, apesar de estar contente por isso acontecer.
Estavam à procura de alguma “verdade” por detrás das canções ao tocar nesses locais?
Bem, esse tipo de “verdade” é-me apelativo, mas também o é o oposto. No caso desse álbum, fi-lo com o que tinha disponível e descobri que isto parecia servir as canções muito bem.
Minimalismo parece ser parte integrante da música que tocam. É importante para vocês a influência de músicos como Tony Conrad ou John Cale? Foram uma inspiração para os Vetiver? O começo de “Oh Papa” tem algo que me puxa para esses músicos...
Eu gosto muito do John Cale e do Tony Conrad, mas pensei mais nos Velvet Underground quando escrevi o álbum do que esses músicos em particular, apenas porque são uma banda que eu sempre apreciei e a que volto para me inspirar de tempos em tempos.
Vetiver é uma banda acústica, mas já pensaram ligar a guitarra eléctrica um dia destes?
Sim! Eu não concebo os Vetiver como apenas uma banda acústica, isso é apenas o que tenho explorado até agora.
Esta é a primeira vez que tocam em Portugal. Que tipo de concerto vão dar aqui?
Bem, provavelmente irá ser uma coisa descontraída, porque vai ser o primeiro concerto da digressão, e nós ainda estaremos a aquecer. Mas estou feliz por ir com Currituck Co. E partilhar o palco com eles como parte dos Vetiver, juntos com a Alissa Anderson e Devendra Banhart, e também aguardo ansiosamente viajar e explorar Portugal no curto período que nos temos aí.
Devendra Banhart é parte dos Vetiver? E vai continuar a ser no futuro?
Sim, ele é, e sim, ele vai.
Vashty Bunyan participa no álbum “Rejoicing In The Hands” de Devendra Banhart e colaborou com os Animal Collective num EP que vai ser lançado este ano. Ela é também uma inspiração para a vossa música?
Sim… ela tem uma voz de sentimento puro e escreve melodias que passeiam na cabeça durante dias… é uma inspiração para mim.
Qual é a importância do Bob Dylan e do Woody Guthrie para os Vetiver?
Bem, eu aprecio a sua música e o seu legado, mas não são os Thompsom Twins, isso é certo…
César A Laia
(Mondo Bizarre - Maio 2005)
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