VOODOO GLOW SKULLS
Piratas de Água Doce
Senhores de um culto invejável dentro do ska-core, os Voodoo Glow Skulls acabam de acrescentar mais uma peça à sua máquina de fazer música. “Steady As She Goes” marca uma nova fase na carreira do sexteto californiano. Depois de alguns anos na Epitaph, mudam-se de armas e bagagens para a Victory, evitam a intromissão de produtores externos e escolhem a “nossa” ArtVortex para lhes conceber a nova imagem gráfica. O baixista Jorge Casillas falou à Mondo Bizarre.
Curiosamente, os designers da capa do vosso novo CD (ArtVortex) são os responsáveis pela imagem da nossa revista. Como é que os descobriram, já que nunca estiveram em Portugal?...
Isso foi tratado pelo meu irmão, Frank (Casillas). A ArtVortex colocou no seu site uma oferta para desenharem capas de discos e como nós gostamos do trabalho deles achamos que seria uma boa ideia. Enviámos-lhes uma ideia geral do que queríamos para este disco e eles superaram as nossas expectativas. Acabamos por convida-los para fazerem os desenhos das nossas t-shirts e as imagens que aparecem no nosso site.
Algo que tem intrigado muita gente é o facto de terem saído da Epitaph depois de quatro álbuns. O que realmente aconteceu?
Acho que já fizemos tudo que tínhamos a fazer na Epitaph. Se contarmos com as duas edições do “Firme”, fizemos cinco discos com eles e achamos que seria altura de seguir em frente. O nosso contrato tinha espirado e da mesma maneira que eles não queriam editar mais discos nossos, nós não estávamos interessados em que eles editassem mais discos nossos, por isso foi uma rescisão amigável. A partir daí andamos à procura de uma nova editora e penso que a Victory está mais interessada em nós do que a Epitaph alguma vez esteve. Só à pouco tempo é que a Victory começou a trabalhar com bandas ska e está a construir um bom catálogo nessa área tentando promover tanto as bandas como o estilo da melhor maneira.
A primeira vez que ouvi falar dos Voodoo Glow Skulls foi em 92 quando editaram o álbum “Who Is, This Is”, pela Dr Strange. Na altura a ideia que faziam passar era de que eram todos mexicanos e que tinha emigrado para a América...
Eu, o Eddie e o Frank somos irmãos e os nossos pais são mexicanos, mas nós nascemos em Los Angeles. O nosso baterista nasceu na Costa Rica por isso também é latino. Na Califórnia do Sul setenta e nove por cento das pessoas são hispãnicas...
É por isso que alguns dos vossos temas são cantados em castelhano?
Sim, sempre que possível gostamos de escrever temas em espanhol. As pessoas reagem bem a esse tipo de temas. Penso que a maioria das pessoas que vão aos nossos concertos na América são hispãnicas. Existe um grande mercado para este tipo de música.
E como são recebidos nos países que não têm uma comunidade hispãnica tão grande?
Fora da América as pessoas respeitam aquilo que fazemos. Penso que será porque na maioria desses países as pessoas falam mais do que uma língua e acho que essas pessoas respeita quem, como eles, fala mais do que uma língua. Nós editamos o nosso segundo disco, “Firme”, em inglês e castelhano e apesar de não ter ideia qual delas vendeu mais, conheço muitas pessoas que compraram as duas versões, mesmo só falando inglês, pelo simples prazer de ter os discos.
Para além da editora, desta vez decidiram deixar de lado os produtores externos e decidiram produzir o disco sozinhos. Foi uma opção monetária ou simplesmente estão fartos de produtores?
A razão porque decidimos produzir o nosso disco é que apesar de no passado termos utilizado vários produtores que tinham um bom nome dentro da industria discográfica, eles nunca fizeram grande coisa pelo resultado final dos discos. Sempre achei que melhor do que ninguém, nós seriamos os nossos melhores produtores porque só nós sabiamos como queríamos soar. Contratar um tipo para dizer como devemos fazer as coisas acabava por aborrecer-nos porque ele não tinha a noção onde queríamos chegar. Outra das razões também foi monetária. Nós somos propriamente ricos, fazemos o dinheiro suficiente para irmos vivendo. Já que tínhamos montado um estúdio em casa do meu irmão Eddie, porque não aproveitar para gravar lá o disco e poupar algum dinheiro. Acaba por ser mais conveniente já que podemos gravar sempre que quisermos e sem ter de sair da nossa cidade. Não precisamos passar um mês em Los Angeles quando podemos fazer tudo em casa.
Quando começaram a banda no final dos anos 80, alguma vez imaginaram que podiam chegar tão longe?
Nunca pensamos na banda como um projecto de futuro. Vivíamos um dia de cada vez. No princípio tocávamos essencialmente em festas que aconteciam na nossa área. Dessas festas passamos a tocar por toda a Califórnia do sul. Muitas vezes tocávamos com os Guttermouth e com os Face To Face numas festas que eram organizadas em quintas grandes e apareciam duas a três mil pessoas. As coisas evoluíram a partir daí. Passamos a tocar em clubes e começamos a conhecer cada vez mais bandas que viviam noutras partes da América e que nos ajudavam a montar as digressões. Quinze anos depois, apesar de muita coisa ter mudado, continuamos a viver um dia de cada vez. Normalmente passamos sete a oito meses em digressão e no resto do ano fazemos outras coisas, o Frank passa algum tempo com a família, o Eddie grava bandas no nosso estúdio, o Jerry vê televisão, eu ando de bicicleta...
Para quem nunca viu os Voodoo Glow Skulls ao vivo, como descreveria um concerto vosso?
Quem nos for ver ao vivo, acima de tudo vai divertir-se. Em cada concerto tentamos dar o nosso melhor para que o público saia satisfeito.
Hoje em dia fala-se bastante sobre o facto da terceira vaga do ska estar em sentido decrescente. O que acha sobre isso?
Não faço ideia, nós não fazemos parte de campeonato. Não estamos interessados em pertencer a grupos ou movimentos, apenas tentamos fazer o que fazemos sem nos preocuparmos com o que se passa à nossa volta. Nós vimos da cena punk e é aí que estamos. Lá porque usamos uma secção de metais não quer dizer que não sejamos punks.
Pedro Esteves
(Mondo Bizarre # 12)
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