Entrevistas
WEEZER
Jardim Infantil das Estrelas Rock
Três álbuns editados, mais dois em perspectiva. Atenções redobradas lá fora, apatia endémica em solo português. Um coliseu às moscas e algum mau feitio à mistura. Patrick Wilson, o senhor que se senta por detrás da bateria, falou à Mondo Bizarre na tarde que antecedeu o inofensivo concerto em Lisboa.

Os Weezer são uma das formações mais bem sucedidas a emergir do pós-grunge. Considera esta uma pesada herança?
O que realmente interessa é que, no final do dia, eu me sinta satisfeito com o que faço. Se dizem que somos parte deste ou daquele movimento, não me preocupo com isso.

O vosso som é, muitas vezes, descrito como apelativo e melódico, combinando a pop baseada em poderosas guitarras dos Cheap Trick e o apurado trabalho de cordas dos Pixies. Consegue apontar outras influências?
Penso que devemos muito aos 80’s. O novo disco convoca influências dos Judas Priest, por exemplo, e tem mais sentimento. Acho que é um trabalho que sabe bem ouvir.

Uma das particularidades dos Weezer é que nenhum dos membros é um músico convencional. No fundo, são apenas miúdos que tocam pelo gozo de... tocar. Concorda?
Bom, eu faço música e levo isso a sério. É interessante: não nos sentimos estrelas de rock. Pelo menos, eu não me sinto uma estrela - talvez o Brian [NR: Brian Bell, guitarrista]. Queremos apenas tocar rock e tirar partido de tudo o que de bom vem associado.

Os três álbuns editados até à data foram confeccionados com um enorme e quase niilista sentido de humor. Foi intencional?
Não sei bem, porque não sou eu quem escreve as letras.

E os vídeos? São bastante inteligentes - qual é o objectivo? Promover os singles ou são apenas os Weezer sendo irónicos acerca de tudo e todos?
(risos) Nós gravámos alguns maus vídeos e temos outros que considero bons. Os meus favoritos são os de ‘Buddy Holly’ e ‘Island in the Sun’ (na versão com os animais). Os vídeos são como uma relação de amor-ódio. Há quem goste, há quem não os suporte.

Em 1994 os Weezer assinaram pela Geffen na sequência da ascensão e declínio dos Nirvana. Quão importantes foram os Nirvana para a música alternativa que surgiria a seguir?
Nirvana, Pearl Jam, Tad, Soundgarden - toda a cena de Seattle. Acho que foi mais o período em si. As pessoas estavam cansadas de ouvir música de merda. E eles surgiram com boas canções e música com sentimento, mais real e intensa. Acho que teve mais a ver com aquele tempo.

Quando Rivers [NR: o vocalista] regressou a Harvard durante o Verão de 95, você e o Matt formaram os Rentals, uma banda revivalista de new wave. Pode adiantar-nos algo mais sobre este projecto paralelo?
Bom, isso já foi há muito tempo. O Matt tinha umas quantas canções que queria gravar e pediu-me para tocar bateria - e foi o que fiz. Só sei que, pouco depois, ele havia conseguido um acordo com a Maverick.

A Rolling Stone apontou “Pinkerton” como o pior álbum de 1996. Com o lançamento do Green Album os Weezer estão a receber críticas bem mais favoráveis. Como lidam com a imprensa?
Acho que cada pessoa dos media deve ser tomada isoladamente. Há pessoas mais interessadas do que outras naquilo que temos vindo a fazer. Algumas são lamechas, outras mais sérias. Pessoalmente, lido bem com o facto de a Rolling Stone ter considerado aquele disco como o pior. Qual foi o que consideraram o melhor desse ano? Uma porcaria qualquer, certamente.

Tem alguma publicação de referência?
Gosto da Q e da Mojo, apesar de não as ler regularmente.

Pode elucidar-nos acerca dos conflitos entre a Geffen e a Interscope Records quanto à edição de “Maladroit”?
O que posso dizer é que estamos muito felizes com este álbum e que estamos a fazer tudo o que conseguimos para resolver a contenda. É tudo o que posso dizer. O apoio dos fãs tem sido crucial. Foram eles que deram o título ao disco. Na prática, foram eles que criaram este disco.

Começaram a gravar um novo álbum no início deste mês de Março. O que pode revelar-nos sobre o novo material?
Mais rock. Sinto que é, definitivamente, um desvio da pop do Green Album e tem muito rock para oferecer.

Os Weezer actuam esta noite, pela primeira vez, em Portugal, a primeira actuação da vossa digressão europeia. Como será o concerto?
Este concerto? Não acredito que haja muita gente a assistir ao espectáculo. Ouvi dizer que não tínhamos vendido senão umas 1000 unidades em Portugal. Nos outros países contamos com mais pessoas.

Helder Gomes
(Mondo Bizarre # 11)