WOLF EYES
QUEM NÃO QUER SER LOBO…
Os Wolf Eyes estiveram na passada Terça-Feira, dia 21, no Porto, no Passos Manuel, e estarão hoje, Sexta-Feira, dia 24, em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois para fazerem a rodagem de “Burned Mind”, o disco editado pela Sub Pop no ano passado. Nate Young, o vocalista do trio de Michigan, falou à Mondo Bizarre da sua paixão pela bricolage de instrumentos, do ritmo alucinante que ainda hoje mantêm e da relação com o compositor jazz Anthony Braxton. Um dia o noise sai por um saxofone ou clarinete.
Quais foram os últimos instrumentos que construiu?
Ultimamente tenho trabalhado com órgãos de luz, que modulam o som em luz. Em vez de usar a luz como produto da modulação, uso a potência para ligar e desligar diferentes instrumentos. O que tenho vindo a usar mais são os rádios, que no fim fazem um sintetizador controlado por uma frequência de voltagem aleatória. Esse é o meu projecto mais recente, mas trabalho nisto desde 1996.
A sua colaboração e do Aaron [Dilloway, guitarrista] com o John Olson [baterista] foi vital para ele passar a fazer parte da banda? Como se conheceram?
Definitivamente. O Aaron e eu começámos a tocar com o John em 2000 e foi nesse ano que os Wolf Eyes se tornaram realmente no que são hoje. Éramos todos companheiros nessa cena. Há tanta gente em Michigan, ou mesmo no mundo, que está dentro desta merda. Agora que o Aaron deixou a banda, o Mike Connelly dos Hair Police juntou-se para ocupar o lugar dele. Já conhecíamos o Mike há anos por tocarmos com os Hair Police muitas vezes. A transição foi incrivelmente fácil e tem sido óptimo.
Em 2001, editaram nada menos do que 25 cassetes e CD-Rs, além de terem lançado “Dread” na editora Bulb. Como conseguem ser tão prolíficos?
Já é algo em que não pensamos mais. Os Wolf Eyes são a nossa vida e é só isso que fazemos. Gravamos e tocamos a toda a hora e estamos a trabalhar constantemente em novas edições caseiras. Somos assim prolíficos porque é da única forma que sabemos ser.
Ainda tocam tanto como tocavam nos vossos primeiros anos?
Estamos a tocar mais agora do que alguma vez tocámos. Quando a mudança na formação aconteceu, foi com o propósito de irmos ao limite, andarmos em digressão pelo mundo e levarmos a banda para um outro nível. Já estivemos em mais de meio mundo este ano. Trabalhamos nos Wolf Eyes a tempo inteiro. Pomos muito mais trabalho na banda do que numa semana de 40 horas. Não temos dias de folga. Nós gravamos, tocamos, lançamos coisas e andamos em digressão todos os dias.
Como é que uma banda que começou numa base de troca de cassetes acaba por lançar um disco pela Sub Pop, que é uma grande editora independente? Como foi quando gravaram “Burned Mind”? O que é que o contrato prevê?
O nosso amigo Clint, que deu a conhecer à Sub Pop o trabalho do Michael Yonkers, disse à Sub Pop para nos lançar, mas em jeito de piada… e eles fizeram-no mesmo! A editora não influenciou em nada a forma como o “Burned Mind” foi gravado. O disco seria o mesmo se tivesse sido lançado pela Shithead Records. Só fizemos um contrato de um disco com eles.
“Fuck Pete Larsen” foi recentemente reeditada pela etiqueta Wabana. Quem é ele e por que é que estavam tão zangados com ele?
Não conhece o Pete, por isso não precisa de uma resposta.
Por que é que o vosso material mais antigo é tão difícil de encontrar? Planeiam lançar mais material desses anos?
Porque é tudo muito limitado. Na altura, era muito difícil livrarmo-nos de 20 cópias de alguma coisa. Temos falado em lançar algumas compilações ou de reeditar algum do nosso material, mas ainda não é nada definitivo. Não é de todo uma prioridade neste momento.
Sentem-se parte de uma cena? Quais são os artistas mais próximos dos Wolf Eyes?
Há muitas bandas com que tocamos nos Estados Unidos e no resto do mundo. Algumas destas bandas são Prurient, Fe Mail, Bloodyminded, Smegma, Withdrawl Method, o duo Paul Flaherty/Chris Corsano, Pengo, Damien Romero, Rubber O Cement e muitas mais.
É verdade que Anthony Braxton comprou todo o merchandise dos Wolf Eyes que havia num festival na Suécia?
Não só isso como também tocámos um set inteiro com ele em Victoriaville. Ele é muito simpático e muito efusivo. Tencionamos tocar com ele mais vezes no futuro certamente.
Concorda quando as pessoas dizem que a vossa música é difícil e neurótica? Às vezes parece que estão a compor a banda sonora de um thriller escandinavo…
Para nós, não é de todo “difícil”. São os sons mais enérgicos e retorcidos que conseguimos fazer. Em relação às bandas sonoras, adorávamos compor para filmes de terror. Isso seria muito porreiro.
Texto: Helder Gomes / Foto: Doug Coombe
(Mondo Bizarre - Junho 2005)
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