Entrevistas
XBXRX
QUANDO É QUE SE SABE SE É PRECISO TOMAR XBXRX?
Acabadinhos de profetizar, perdão, de lançar um álbum intitulado “Sixth In Sixes”, os americanos XBXRX apresentam-se musicalmente mais maduros, mas com a mesma ironia de sempre. Eis porque é que lhes andam a bater palmas há oito anos: são um grupo de putos do Alabama (EUA) que detesta hillbillies e dispensa apresentações, já que são conhecidos em toda a parte pelas intensíssimas apresentações ao vivo, as quais até abraços de grupo com o público incluem! Simples fragmentos de uma luta contra a apatia geral. Atenção, é preciso deitar a cabeça para trás quando se vai tomar XBXRX – são difíceis de engolir à primeira.

Vamos começar com a palavra CAOS. Porquê a presença constante deste termo na maioria das coisas que se escrevem acerca de vocês?
Isso deve-se, provavelmente, ao facto de sermos uma banda bastante enérgica. Damos o máximo quando tocamos, e por isso os concertos podem parecer caóticos para muita gente. Tal como a maioria das bandas, nós também temos uma daquelas biografias de uma página, cuja informação foi compilada para abranger os nossos oito anos de vida. Nos primeiros cinco anos da nossa existência, éramos muito novos e inconscientes. Houve vários incidentes, destruímos acidentalmente muita coisa e isso faz parte da nossa reputação. Esses incidentes foram incluídos na nossa biografia, e a maioria das revistas que escreveu sobre nós fez simplesmente copy paste dessas histórias e alimentou o mito. (Aliás, as revistas têm o hábito de copiar coisas sobre as bandas, e nós não fomos excepção.) Agora somos mais velhos, inteligentes e estamos bastante mais calmos, por isso, esse tipo de percalços acontece com menos frequência. Ainda por cima, o termo spazz (tipo “Fall Out Boy”) está agora muito mais na moda, e por isso nós e o nosso “mayhem” passámos para o baú das recordações…

O vosso primeiro álbum – “Gop Ist Minee” – vendeu quase 10.000 cópias, e estamos agora a braços com o novíssimo segundo disco. Estão novamente à espera de belíssimas vendas?
Tentamos não criar expectativas. As pessoas têm necessidades diferentes em tempos diferentes, o que faz com que o desejo de nos consumir esteja em permanente mutação. Há alturas em que precisam mais de XBXRX do que outras. Por isso a falta que lhes fazemos é altamente imprevisível.

Uma vez que são da geração i-Pod e CD, porque é que têm sido tão fiéis ao formato sete (e por vezes cinco) polegadas?
Por várias razões: 1) é um desafio muito interessante compactar algo tão grande e poderoso como um álbum num espaço tão curto e limitado como é o de um sete polegadas; 2) é normalmente mais rápido e certeiro lançar polaroids da fase em que estamos no nosso percurso se o fizermos em doses mais pequenas e frequentes (e o 7” permite-o); 3) é mais barato comprar um 7” do que um álbum; 4) nós somos de uma geração que se identifica muito com nintendos e sitcoms – rapidez, portanto.

É realmente um feito terem entrado recentemente na casa dos 20 anos de idade e já terem na bagagem quase 30 digressões. Estão a começar a ficar fartos dessa vida?
Enquanto virmos que faz sentido tocar ao vivo, continuaremos a fazê-lo. Gostamos de ser eficientes e de dar concertos. O nosso único bloqueio deve-se ao facto de uma digressão ser uma obrigação apoiada em logísticas e esquemas desse género. Sentimos que fazer chegar aos fãs um bocado do nosso ritual é muito importante para a reputação da banda. De entre todas as bandas com quem já tocamos, consigo apontar cerca de 70, uma vez que tenho essa informação toda escrita no meu diário. Andar em digressão roubou-me um bocado a vida. A tal ponto que quando estou em casa nunca sei bem a quantas ando, porque já não estou habituado…

Podia começar aqui a debitar nomes, mas não vou fazê-lo. Como é que tem sido trabalhar com todos os grandes do rock alternativo, passadas e futuras esperanças, bem como mitos e glórias desse meio?
Tem sido agradável e muito janota! Fizemos um monte de amigos ao longo deste nosso percurso, uns são famosos, outros são ilustres desconhecidos. Gostamos bastante de todos eles. Temos tendência para tratar toda a gente de igual modo, de forma a não colocar ninguém num pedestal só porque e fulano A, B ou C. Trabalhamos com amigos nossos, com pessoas que sabem o que queremos e que desempenham um excelente trabalho. Corre-nos sempre tudo bem!

“Sixth In Sixes” é só sobre apocalipse – desde a capa ao nome, o qual evoca uma certa profecia que vaticina a extinção da raça humana. Também se diz que amadureceram imenso. É tudo verdade?
Estás a interpretar correctamente o título do álbum! Aprendemos a canalizar a nossa energia e determinação de outra forma, e isso permitiu-nos criar algo que acreditamos ser mais profundo, variado e bem feito. Se é a isso que se chama maturidade, seja! Nós não amadurecemos nem um bocadinho…

Esqueçam tudo o que já foi dito acerca dos vossos concertos. Ponham-se no lugar do espectador e descrevam-me uma performance vossa.
É impossível! Quer dizer, não andamos a ensaiar ao espelho! Só lá vamos e fazemos o que temos a fazer. A maior parte das vezes os concertos são tão intensos que nem nos lembramos do que é que aconteceu. Teria de ser outra pessoa qualquer a responder à pergunta… Sei lá… “quatro ou cinco pessoas num palco a curtir…” serve?

Têm consciência de que nos concertos a vossa atitude pode chatear alguma da plateia mais incauta?
Só nos podemos começar a preocupar com isso, se se tornar um grande problema. Entregamo-nos a 100 por cento em cada aparição ao vivo, e se isso tem efeitos negativos, acreditem que não é propositado. Se alguém tem um problema connosco, pode levantá-lo se desejar. Estamos abertos à interacção com o público. Fazemos aquilo de que gostamos e o que gostaríamos de ver, e desejamos sempre que cada concerto seja o melhor!

Quando os XBXRX começaram, vocês ainda andavam no liceu em Mobile, cidade que vos viu nascer, no Estado Americano de Alabama. O grande propósito da banda era lutar contra a apatia dos nativos. Têm conseguido tal coisa?
Utilizamos a nossa energia para criar coisas que realmente gostaríamos de ver, na esperança de que os outros sintam o mesmo.

Como é que os outros miúdos vos viam?
Éramos sem dúvida uncool e não estávamos in. Mas esse é o cliché do costume. Uma grande parte do pessoal popular tornou-se chato ou pedante e trabalha em sítios que odeia.

Podem precisar qual foi o disco que vos abriu o apetite para serem XBXRX?
Somos mais influenciados pelo mundo que nos rodeia do que pelos media ou showbiz. Ora, quando se vive na santa terrinha rodeados de martuntos (hillbillies), a vontade que se tem é de contrariar tudo o que lá se defende; essa foi a nossa ideia: ir contra os ideais fundamentalistas e evoluir… o que nos mostrou que afinal sair de lá era talvez o melhor que tínhamos a fazer.

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Estão sempre a perguntar coisas do género “então ainda andas lá com essa história da banda?” ou “tens ganho algum dinheiro com isso?”… o normal de todas as mães…

Joana Barrios
(Mondo Bizarre - Novembro 2005)